O legal da vida é a naturezibilidade (por mais que tal palavra não exista) com a qual a gente percebe, em coisas simples, o sentido da nossa existência. Ontem, caros amigos, isto aconteceu comigo, pois quando passava pela a rua Luís josé da silva(rua onde moro), notei que em um canto distinto de uma distinta janela, de uma distinta casa verde-esmeralda- engraçado, até a casa tinha a cor da esperança-vi,como poucas vezes fiz, uma coisa tão bela e enigmática, uma menina vestida com uma saia rosada e desbotada, e uma blusinha também rosa, mas, menos vivo que o rosa da saia(talvez um conjuntinho) e ela segurava um gato, sim, um gato.
O interessante é que sem que me visse, ela alisava e apertava o gato, de uma forma a fazê-lo se contorcer diante dos seus carinhos sufocadores, o que , pensava eu, faria com que ela acabasse adquirindo grandes arranhões do seu querido e precioso bichinho, mas, isso não aconteceu, depois de algum tempo o gato soltou um grande grito, ou melhor, um grande miado, era como se ele quisesse dizer "me solta sua louca", o que em seguida se concretizou, a menina,embora com tristeza, soltou o gato, que logo correu como uma bala, para dentro da casa verde-esmeralda, depois nada vi, pois caminhava e só voltei para casa quando já estava anoitecendo, mas, qual não foi a minha surpresa quando voltei e encontrei a mesma menina sozinha, desolada quem sabe, sentada na porta da casa.
De fato me bateu uma pena dela, mas eu nada podia fazer, aliás, como eu poderia ajudá-la? Mas, ao me aproximar mais ainda da menina, tive uma surpresa, atrás dela, meio sem jeito, olhando com aquela cara de quem quer alguma coisa, estava o gato, se roçando em sua possível dona, quem sabe atrás de mais carinhos. Foi nesse dia de ontem que descobri que os animais são mais parecidos com a gente do que imaginamos, pois conclui que eles também sentiam a mesma necessidade de sofrer e ser amado (simultâneamente nesse caso), descobri que eles também possuem a mesma vontade de estarem presos aos laços que também nos une.
O texto se baseia numa vivência minha para uma construção da subjetividade.
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