MANIFESTO
ei, você. sim. você. aproxima aí, cidadão. te pergunto: cê tá alterado? tu tá alterado por que cargas d´água, posso saber? que tom de voz é esse, cidadão? por acaso, tu sabe com quem tu tá falando? e com quem tu não tá falando, tu sabe? e tu te importa? ou é porta na cara e que se exploda o nariz e todo o resto? tu acha isso bonito? acha? foi o espelho quem te disse, foi? não sai de dentro de casa, né? o dia inteiro na frente do computador. só fuçando a vida alheia. deve até pensar que isso é vida. que isso é arte. o problema é que tá cheio de muro nesse mundo. tá tudo aí. tem como fugir, não. banca de jornal, então. em tudo quanto é esquina. mas vá lá. a gente dá um desconto. porque, pelas plagas de cá, ninguém é melhor do que ninguém, não. se não quer sair mesmo de casa, a gente dá também um jeito. morto, tu não tá ainda, não, né? então, pronto. fica calminho. assim. relaxa. e trata de aproveitar. que o bagulho aqui é fino. baixocalão, só no manejo das palavras.
SOBRE
lowbrow. arte supostamente de baixo nível feita por gente supostamente de pouca cultura. engana. mas só quem faz questão de ser enganado e teima em divagar por instalações hiper-modernas cujos fins se encerram nelas próprias. quem se esquece de que a arte é tão-somente o meio; acompanha o mundo na pretensão de que um maior número de pessoas possa também acompanhá-lo. pra que isso aconteça, porém, tem de haver um approach. uma identificação entre objeto e observador. tanto mais fácil se houver o hábito num ambiente já familiarizado. entre o leitor e os quadrinhos de um jornal, por exemplo. entre o passante e os viadutos da cidade. entre as propagandas comerciais e seus consumidores. ainda que fisicamente distantes um do outro. em tempos de internet, aliás, esse é um conceito que nem mais existe. distância. pegam-se um graffiti paulista, um stencil baiano, um cartoon paraense, uma pop-art gaúcha, e dá nisso. baixocalão. primeira galeria lowbrow exclusivamente on-line em terra brasilis. reunindo uma pá de novos artistas num senhor banco de dados. acervo sempre atualizado. diversidade. ainda que individualmente falando. e não porque o mundo é nosso. mas porque nós somos do mundo. e não adianta fugir dele. senão, ele te come. e, adivinha? cospe fora uma instalação.
www.baixocalao.com
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