DROGADOS VIRTUAIS, SEUS VÍCIOS REAIS E A CURA

Zegadis
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Antonio Brás Constante (Escritor maluco) · Canoas, RS
21/5/2011 · 2 · 0
 

DROGADOS VIRTUAIS, SEUS VÍCIOS REAIS E UM MEIO DE CURA
(Autor: Antonio Brás Constante)

Tudo começou de forma inocente, com um simples cadastro de e-mail. “Não tem perigo, todo mundo usa” era o que me diziam. Dos e-mails comuns do tipo: “Olá, como vai, tudo bem?”, aos poucos fui indo cada vez mais fundo, e quase sem notar já estava enviando e recebendo apresentações de Power Point com ursinhos fofinhos, florzinhas coloridas e mensagens açucaradas de amizade, pedindo que elas fossem repassadas ao maior número possível de pessoas.

O vício foi crescendo. Passei a olhar a caixa de e-mails a toda hora, e quando não encontrava nenhuma mensagem dos conhecidos, passava a abrir SPAMS para saciar a ânsia por novidades, muitas vezes respondendo ao remetente e perguntando se ele tinha Orkut e se gostaria de me adicionar como amigo lá. Sim, eu já estava usando Orkut nessa época, não lembro bem como comecei a utilizá-lo, mas o fato é que já tinha perfil e perdia parte do meu tempo cultivando fazendas felizes e outras bobagens sem noção, e enquanto alimentava minhas vaquinhas e regava minhas plantinhas virtuais, a samambaia lá de casa ia secando por falta de água e meu cachorro morria de fome.

No Orkut tudo foi se agravando. Eu achava o máximo ficar mandando mensagens vazias de conteúdo e cheias de anjinhos bonitinhos para todos os meus amigos (muitos desses “conhecidos” eu nem conhecia, e depois acabei entendendo que eles eram tão viciados quanto eu). Comecei a participar de tudo quanto era comunidade que criavam e me convidavam, como por exemplo: “Lost – Humor”, “salvem as borboletas do Afeganistão”, “Eu odeio lenços de papel perfumado” e até “meu tio usava calças boca de sino”, entre outras.

Depois fui me envolvendo com drogas mais pesadas, pois tragar e-mails e bebericar Orkuts já não me bastavam. Passei a ser usuário do MSN, enquanto alimentava cada vez mais minha compulsão por jogos infantis e bobos do Orkut e do próprio MSN. Desse ponto em diante foi rápida a minha imersão em outros produtos ainda mais viciantes. Comecei a consumir FACEBOOK e SKYPE de forma indiscriminada, e me fissurei no YOUTUBE, principalmente após assistir a um vídeo viral de humor intitulado: “3D – hoje é seu aniversário”, que causava fortes crises de riso em quem assistisse.

Cheguei a ouvir falar de usuários que se perderam em overdoses maciças de SEXLOGs e PERFIS Reais, mergulhando no mundo erótico dos sites e comunidades pornôs disponíveis na rede, penetrando na devassidão das festas ali promovidas, repletas de belas ninfomaníacas e regadas a ménage, swing e bacanais entre outras orgias. Mas o pior é que nunca me convidaram para nenhuma delas (NOTA IMPORTANTE DO AUTOR: gostaria de deixar bem claro, principalmente a minha querida esposa, que provavelmente vai acabar lendo este singelo texto, que esta é uma obra de ficção, e que em momento algum eu disse que aceitaria os tais convites – a propósito, depois que terminar de escrever este texto tenho que consultar novamente minha caixa de mensagens para ver se já não chegou algum - ou que eu iria a qualquer uma dessas festas, ok? Agora, por favor, minha querida, guarde novamente o rolo de macarrão na gaveta antes que alguém [EU] se machuque).

Eu já era um drogado virtual e não sabia. Abrindo e compartilhando arquivos contaminados com todos os tipos de vírus que se possa imaginar, muitas vezes através de correntes ridículas que recebia e repassava aos meus contatos, sem nem sequer questionar se aquilo era verdade.

Foi então que cheguei ao fundo do poço, depois de experimentar a pedra maldita da banalização de mensagens, também conhecida como TWITTER. Passei a consumi-la sem controle, twitando até cinqüenta vezes ou mais em um único dia. Eu ficava até de madrugada conectado como um zumbi. Meus olhos já apresentavam olheiras profundas, a boca seca pedindo água sem que o cérebro obedecesse, pois não queria abandonar o mundo on-line. Também não me alimentava direito, e com isso evitava as idas ao banheiro.

Enquanto eu permanecia conectado como um escravo ao universo virtual, meu rendimento no mundo real e profissional estava cada vez mais caindo e decaindo, como aconteciam com as antigas conexões discadas. Isolei-me de tudo a tal ponto que até achava estranho encarar outras pessoas, sem ser pela webcam.

Graças aos meus familiares fui forçado a morar algum tempo (um bom tempo) no interior (em meio ao campo), sem qualquer contato com a internet, ou celulares, ou quaisquer outros dispositivos eletrônicos. A crise de abstinência foi tão forte que cheguei a desenhar um teclado no chão em frente a uma janela espelhada, tentando desesperadamente enviar uma mensagem de socorro para algum blog. Tudo sem sucesso. Mas o que me curou mesmo foram os medicamentos que tomei. Grandes e grandiosas doses de bons e saudáveis livros, que me tiraram da fissura pelas drogas virtuais.

Aos poucos fui me curando, e hoje estou de volta a sociedade. Tento ser forte, e não cair novamente no vício virtual, mas é difícil, muito difícil, pois para qualquer lado que se olhe ele está ali, tão próximo, tão fascinante que é quase impossível resistir. Porém, sempre que a tentação chega, pego um bom livro e me fortaleço em meio as suas páginas, sendo salvo pelo poder indelével e miraculoso da leitura.

NOVA NOTA DO AUTOR: Produzi um filme no Youtube (escrito, dirigido e encenado por este eterno aprendiz de escritor), se quiser assistir ao filme e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” (o filme foi feito em padrão 3D). Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, o livro impresso está disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br), ou se quiser fazer parte de minha lista de leitores, para receber semanalmente meus textos, basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

Site: abrasc.blogspot.com

ULTIMA DICA: Divulgue este texto aos seus amigos (vale tudo, o blog da titia, o Orkut do cunhado, o MSN do vizinho, o importante é espalhar cada texto como sementes ao vento). Mas, caso não goste, tenha o prazer de divulgá-lo aos seus inimigos (entenda-se como inimigo, todo e qualquer desafeto ou chato que por ventura faça parte de um pedaço de sua vida ou tente fazer sua vida em pedaços).

Sobre a obra

Um texto viciante com antidoto no final.

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informações

Autoria
Antonio Brás Constante
Ficha técnica
Foi fichada por overdose de letras.
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