Existe amor em LA

Juliana Sakae
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Pedro Santos · Estônia , WW
25/6/2014 · 1 · 0
 

A madrugada no centro de Los Angeles tem som de vento sobre concreto. No meio da noite, dois artistas se aproximam do alvo com rapidez. Precisos, eles tiram todo o material necessário da mochila e começam o trabalho.

O casal fala pouco já que qualquer barulho, por menor que seja, é amplificado pelo silêncio da noite. Em vez disso, a comunicação vem por sintonia de olhares, meneios de cabeça e, no máximo, cochichos do tipo "tá ficando bom?"

Eles são Tiphanie Brooke e Mike Polson e estão cansados de saber que quase tudo na madrugada do centrão é motivo de alerta: as rondas policiais e suas táticas de repressão aos artistas de rua até os cidadãos mal encarados em busca encrenca.

Por isso, eles precisam ser o mais rápido possível sem atrapalhar o processo artístico. O compasso é harmônico: quando um está colando, o outro pinta; quando um analisa o alinhamento, o outro olha ao redor atento a qualquer manifestação externa.

Quando o trabalho acaba, eles olham orgulhosos para a obra final. Onde antes havia um concreto mal cuidado, típico de regiões abandonadas dos centros das grandes cidades, agora há um coração estilizado com os dizeres “Los Angeles”.

O sol desponta por trás dos prédios e, depois de uma exaustiva ronda noturna percorrendo vários bairros de LA, eles voltam para casa.

Localizada em Downtown, a casa de Tiphanie é um amontoado de quadros, estêncils, sachês de tinta, telas, papeis e muitos corações. Esses são um dos principais trabalhos que ela, também chamada de antigirl no circuito de arte de rua, realiza ao lado de Mike.

São corações de vários estilos artísticos que, do dia para a noite, aparecem em bairros diferentes da cidade como alternativa ao puro concreto que faz parte de LA.

A ideia de desenhar corações veio quando ela mesma encontrou o amor. Mike era músico e carpinteiro e hoje divide o loft com Tiphanie. Ele virou artista também e a residência é usada como ateliê. Ali, eles não hesitam em tirar todos os móveis - e até mesmo a cama - em prol do projeto artístico da vez.

Acontece com bastante frequência. Uma tarde dessas, Mike mudou completamente a cama do lugar para criar uma espécie de estufa de plástico. Era o ambiente perfeito para que Tiphanie espalhasse sprays de tinta nos protótipos de corações que em breve farão parte do visual de LA.

Aos 28 anos, ela levou certo tempo até descobrir-se artista. Antigirl por excelência, ela sempre foi a ovelha negra. Depois de enfrentar uma série de problemas no sistema tradicional de ensino norte-americano, Tiphanie percebeu que a melhor forma de se relacionar com o mundo era pela arte. E a arte se tornou meio de vida. Ela então desenvolveu uma série de trabalhos que pudessem inspirar pessoas comuns a encontrar um sentido também.

A história de como Tiphanie se tornou a antigirl, figura bastante conhecida no circuito de arte de rua da Califórnia, está sendo filmada pela documentarista brasileira Juliana Sakae (que, além de documentarista, também é a mulher da minha vida).

A parte final do orçamento para concluir o filme foi colocada no site de financiamento coletivo Indie Gogo. O projeto pode ser encontrado aqui: http://goo.gl/yfOVZs

Outra forma de ajudar essa bela história é entrando em contato com a equipe pelo site oficial do projeto: http://www.antigirldocumentary.com/

A história de Mike e Tiphanie é também a história de duas pessoas que aprenderam, como ninguém, a olhar o concreto e enxergar amor.

Sobre a obra

A madrugada no centro de Los Angeles tem som de vento sobre concreto. No meio da noite, dois artistas se aproximam do alvo com rapidez. Precisos, eles tiram todo o material necessário da mochila e começam o trabalho.

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Autoria
Pedro Santos
Ficha técnica
Diretora: Juliana Sakae
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