É curioso como as coisas parecem sair de moda. Ate as mais importantes. Há alguns meses atrás, eu me lembro, muito se falou a respeito dos problemas ambientais que o mundo enfrenta. E eu cheguei a ficar aliviado, pensando que todas aquelas previsões terríveis, afinal de contas, não iam se realizar, pois as pessoas estavam mudando. Ai, derrepente, como se numa combinação secreta, a onda de noticiais simplesmente secou!
E não é que tenham acabado as noticias ruins, muito pelo contrario, cada dia aparece uma: pingüins aos montes, no Rio; rotas se abrindo no pólo norte; a população de renas diminuindo; ursos polares se extinguindo; e por ai vai.
Mas o burburinho, jornal nacional falando todos os dias em mudança de hábitos e tal, acabou. É como se o problema tivesse se acabado também. Só que não acabou, não é mesmo?
Mais ninguém parece se preocupar mais com isso; tudo continua sendo feito da mesma maneira. Houve algum progresso, principalmente envolvendo oportunidades de negócios ditos “ecológicos”, mas o principal problema, a emissão de gás carbônico, não só não melhorou, como esta piorando a olhos vistos. Basta ver a quantidade de carros sendo vendidos no Brasil; a quantidade de concessionárias novas que surgem e imaginar que isso acontece do mesmo modo em vários países em desenvolvimento no mundo todo.
E enquanto isso, inúmeros esforços tecnológicos caminham na direção errada. Gente, não adianta inventar ou aperfeiçoar meios alternativos de transportes ou tecnologias mais limpas (que já existem por sinal, há algum tempo).
Porque se uma coisa já ficou absolutamente clara, nessas alturas do campeonato, é que a verdade é uma só:
O petróleo será usado ate a ultima gota.
Pelo menos é essa a intenção dos donos do mundo.
Enquanto houver petróleo, ele será comercializado, independente de quaisquer conseqüências ambientais, a menos, talvez, que elas se tornem absolutamente apocalípticas. Porque os donos do mundo, meu amigo, não ligam, nem um pouco, para os ursos polares (ou para nós, diga-se de passagem).
Mas espera aí: isso não te parece incrível? Porque será que eles não ligam? Por acaso eles vivem em marte?
Por acaso eles não compartilham conosco as conseqüências da destruição ambiental?
Essa pra mim, meus amigos, é a grande pergunta: porque eles não
ligam?
Eu só posso crer em duas razões:
ou eles não acreditam que as mudanças serão tão graves assim (o
que acho mais improvável);
ou eles acreditam, talvez com razão, que eles não serão tão afetados.
Afinal de contas, é fato que as mazelas do mundo atingem com mais força os mais pobres (e muitas vezes só os mais pobres); os muito ricos não são afetados por muitas das coisas terríveis que os mais pobres sofrem: a vida, em geral, é muito mais mansa para eles.
Então talvez seja natural imaginar que eles poderão se safar dos problemas ambientais que o mundo experimenta. Talvez eles comprem as terras mais “fresquinhas”; talvez eles venham a ter acesso a tecnologias que amenizem o sofrimento pelas mudanças; sei lá!
Mais uma coisa é absolutamente certa: eles não estão preocupados.
E você?
Bem, eu estou. Tenho 39 anos e vi o clima de Belo Horizonte mudar, de um chamado “ideal para recuperar a saúde” para um quadro de frentes frias e frentes quentes, interrompido por no máximo um “mêsinho” de frio, e olhe lá. O resto do ano é um calor infernal, intercortado por temporais e até chuvas de granizo, quase nunca vistas por aqui. As estações do ano quase não existem mais.
Agora vejo as noticias de alterações no mundo todo se multiplicando como praga. E vejo amigos me olhando perplexos, quando digo que ando de ônibus por que quero.
Você aí que vive em uma cidade em que isso também acontece, pense por um instante (se é que ainda não pensou) em como vai ser se a temperatura subir só mais uns dois grauzinhos...
E enquanto isso, saiba que os bilionários continuam despreocupados. Pois a prova disso é que o mundo anda para onde eles querem e o rumo não se alterou em nada. Pelo contrario: o pé continua no acelerador.
Eles continuam traçando seus planos e executando seus esquemas financeiros como se fossem seres onipotentes e independentes da natureza, exatamente como a ciência moderna orgulhosamente proclamou em seus primórdios (e é curioso como a religião crista abriu esse caminho muito antes ao banir religiões antigas que cultuavam a natureza).
A despeito de todas as previsões catastróficas (que vem da quase totalidade da comunidade cientifica, e não da mãe Diná, com todo respeito) o petróleo continua a ser utilizado, a terra continua sendo aquecida, e uma nuvem de silêncio cobre tudo.
No meio de tantos sinais contraditórios, ficamos meio sem saber o que esperar, ou mesmo no que acreditar. Mais uma coisa é certa: tá esquentando pra burro. E a falta de resposta da humanidade (leia-se, principalmente, bilionários) é extremamente intrigante.
Pois existe algo de muito estranho em homens que continuam jogando pôquer, com o avião caindo...
Você acha que a questão ambiental é importante?
Qualquer que seja a resposta, pense um pouquinho aqui, junto comigo...
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