Na sorveteria Frutos do Cerrado é fácil sentir-se perdido num emaranhado de sabores tão exóticos quanto tipicamente brasileiros. Aberta ao lado do restaurante matogrossense-do-sul Sobaria, há pouco mais de um mês, a loja mantém em seus freezers sorvetes de 55 sabores pouco conhecidos por aqui - repousam lado a lado picolés de coalhada, mamacadela, banana, cajá-manga, milho verde, cagaíta, queijo, araçá, taperebá, mutamba...
A variedade extraordinária de sabores atípicos no Sudeste do País não é novidade para os nativos do cerrado, uma ampla faixa geográfica que se estende por 12 estados brasileiros. Então, era de se esperar que alguém tivesse a ideia de fazer sorvete com a grande diversidade de coquinhos e cajás. A iniciativa partiu da sorveteria goiana Frutos do Cerrado, em 1996.
A experiência deu tão certo que a marca se espandiu e acaba de desembarcar em São Paulo. “Ainda é uma experiência, esta é uma loja piloto, mas pretendemos abrir a próxima sorveteria dentro de três meses, em Higienópolis, com picolés, sorvetes de massa e shakes”, diz o proprietário, Jean Haddad.
No palito, as frutas do cerrado goiano se mostram extremamente saborosas e surpreendentes. O picolé de murici (não confudir com o técnico são-paulino...) revela uma sobreposição de sabores. No princípio lembra queijo, depois uma mistura de fruta, algumas inomináveis. A gabiroba é refrescante, tão refrescante que tem o poder de decretar uma trégua imaginária no abafadão do fim de tarde. A brejaúba, frutinha da família do cajá, é naturalmente adociçada.
Pergunte à vendedora se estiver em dúvida. Ela ajuda a guiar os néofitos de modo simples, mostrando como os sabores vão dos mais doces, como o do buriti, aos mais cítricos, como o do cajá-manga. E se estranhar o sal e a canela nas mesas, saiba que o sal é para dar uma quebrada no azedinho do cajá-manga - a recomendação é polvilhar um pouco no picolé, da mesma forma que se costuma fazer com a fruta. Já a canela serve para o picolé de coalhada.
Nada contra o indefectível Chicabon. Mas às vezes, o que se quer é um pouco de aventura. Ainda que na forma de um picolé de araticum.
Huuuuuuuuuuuuuummmmmmmmmm...
Em julho, dando um pulinho na Chapada dos Veadeiros, quem sabe não desfrutaremos dessas delícias em alguma sorveteria do DF, onde ficaremos.
Pena muitos acharem que sorvete é sobremesa. E não é! É complemento alimentar!
Ótima dica!!!
Abraços,
Ana e Lauro.
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