a senhora ou o senhor (...) abria o jornal todas as vezes pelas 7 da manhã, religiosamente; tomava o café – pouco açúcar –, olhava pela janela e via a rua gritando. Era o seu despertar. Alimentava-se de ar no café da manhã, que reaproveitava no jantar. No almoço, ia até a esquina procurar algo barato e rápido. Na rádio tocava bossa. Sim, já estava definhando, bem à moda MPB.
chega uma carta – mais uma amigo(a) se foi. Pensa: “E ele(a) já foi rock n’ roll...â€. “Olhe à minha volta, carteiro: cortinas, mofo, bigodes, pelancas e cadeiras; pêlo de gato, gota de chuva, crucifixo de 1920 e calças jeans de 1989; louça de uma semana, lençol aconchegante, foto da banda de 1968, pente com cabelo de 1950; cafeteira preta, janela presa com fita isolante, caderno de poesias de 1963, medalha de 1944, discos de 1965 a 1979 na prateleira, livros de 1959 e 1974 etcâ€. O carteiro fica quieto, diz ‘até’ e vai embora.
outros dias se passam.
“o que te sirvo em bandeja? Não tenho petiscos, meu visitanteâ€.
“oi, Nadinha. Como vão os estudos, InvisÃvel?â€.
outras situações que não existem na realidade.
“hei, pêlo de gato de novo! Troque o sapato! Hei, conheço esse paletó!â€. E alguém singular diz algo estranho: “Vim tirar seu retrato, meu amigo, você se foiâ€.
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