A Amazônia de Glória Perez

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Luiz Gustavo Pacete · Osasco, SP
10/1/2007 · 16 · 0
 

Um ano após o indígena Evo Morales ter logrado a presidência da Bolívia, e em tensas relações ter trazido à memória as reações históricas entre o Acre e a sua anexação ao Brasil em troca de um cavalo, o que muitos acreditam ser apenas folclore pois o Acre estava longe de valer um cavalo quando foi anexado ao Brasil, a escritora Glória Perez traz para a telinha global em forma de minissérie, mais um tema extremamente contemporâneo e que permeia futuras discussões envolvendo a Amazônia no cenário mundial, ainda mais devido à crescente preocupação ambiental ocasionada pelas consequências de agressões ao meio ambiente.

Glória Perez, que já tratou de assuntos como a clonagem humana na novela "O Clone 2001-2002", e retratou a vida e os costumes de uma família tradicional árabe que vivia no Rio de Janeiro e abordou também, através da novela América, o drama de uma brasileira que entra ilegalmente nos Estados Unidos pela fronteira com o México, agora retrata a história do Acre e do "ouro negro" - a borracha. Na direção de Marcos Schechtman, numa combinação de história e ficção, Glória destaca a influência e a importância de personagens como Luiz Gálvez Rodrigues de Arias e Chico Mendes na história da Amazônia, numa mescla de romance com alguns personagens fictícios e a exploração de lendas amazônicas, como o boto que se torna príncipe.

Luis Gálvez Rodrigues de Arias foi um jornalista e aventureiro espanhol, muitas vezes apontado erroneamente como boliviano, que proclamou a República do Acre em 1899, governou o estado entre 14 de julho daquele ano e 1 de janeiro de 1900, pela segunda e última vez. Chico Mendes foi um seringueiro, sindicalista e ativista ambiental brasileiro, que lutou contra a extração madeireira e expansão dos pastos na Amazônia, ele foi premiado em 1987 pela ONU Organização das Nações Unidas, com o prêmio "Global 500", e neste mesmo ano ganhou a "Medalha do meio ambiente" da organização "Better World Society", Chico foi assassinado em 1988 defendendo a preservação da floresta Amazônica.

A minissérie traz também personagens como a parteira da região Maria Ninfa, o Coronel da borracha Firmino Rocha, o poeta Rodrigo de Carvalho que vai contra a Comitiva Boliviana e por isso é proclamado presidente do Estado Independente do Acre, Gianni o diretor da Companhia de Zarzuela, e as amantes de Galvez, Beatriz e Maria Alonso. A história inicia-se em 1880, o Acre estava ocupado por índios, propriedade da Bolívia, era um espaço não descoberto, a área servia de refúgio para todos, havia brasileiros fugidos da seca no Ceará e da Guerra de Canudos, da Revolução do Sul e até sírios e libaneses que escaparam dos turcos.

Amazônia recria na tela a identidade acreana, a autora Glória Perez, nascida no Acre e filha do Ministro Miguel Ferrante, autor da obra "O Seringal", pretende levar ao ar uma visão nacionalista e apaixonada da história do seu estado. Os personagens principais são interpretados por José Wilker (Gálvez), Alexandre Borges (Plácido de Castro) e Cássio Gabus Mendes (Chico Mendes), a minissérie Amazônia de Gálvez a Chico Mendes estreou na Rede Globo terça-feira dia 2 de janeiro de 2007.

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