Arigatô, o documentário

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Rodrigo Teixeira · Campo Grande, MS
23/4/2006 · 111 · 0
 

Arigatô - Um Olhar Sobre a Imigração Japonesa em Campo Grande conta mais um daqueles episódios desconhecidos da história brasileira. O documentário recém-lançado pela jornalista Maristela Yule mergulha no retrato dos imigrantes que começaram a chegar no Brasil em 1908 e acabaram vindo parar também no Mato Grosso do Sul. A colônia de Campo Grande, no entanto, tem uma particularidade: a maioria das famílias é de Okinawa, província japonesa cuja capital fica a 1.500 quilômetros de Tóquio. Alguns dos traços mais característicos da cultura urbana campo-grandense, como o consumo frenético de sobá ("sopa" saborosíssima), em centenas de bares e barraquinhas de rua, têm origem na culinária de Okinawa.

Maristela fez o milagre de produzir o documentário de 60 minutos com uma verba de R$ 20.000,oo. O dinheiro veio do Fundo Municipal de Incentivo à Cultura, o FMIC. Ela mesma dirigiu, produziu e fez as entrevistas. A amiga e jornalista Rosiney Bigattão assinou roteiro e edição. A gravação - em digital - durou 8 meses, entre maio e dezembro de 2005.

Arigatô é todo baseado em depoimentos das famílias japonesas. A jornalista explica que ao contrário do que muitos pensam, os japoneses de Campo Grande não chegaram no Brasil apenas pelo porto de Santos: ?muitos vieram do Peru, Bolívia e Argentina de barco até Porto Esperança. Outra leva fez o sentido inverso, construindo a ferrovia desde Bauru até chegar aqui." Resultado: quando a estrada de ferro ficou pronta em 1914, o município já abrigava uma população japonesa considerável.

Assistindo ao documentário, fica-se sabendo que o primeiro japonês a chegar por estas bandas foi Kosho Yamaki. Veio para construir a estrada de ferro e virou comerciante de sucesso. Há muitas outras personagens interessantes, testemunhas de momentos históricos distintos. Assim, Arigatô aborda o processo de mudança da colônia da área rural para a cidade, o preconceito durante a Segunda Guerra Mundial e o atual movimento dos descendentes querendo voltar para o Japão. ?O que mais me surpreendeu foi a generosidade que encontrei. Muitos brasileiros têm a idéia já estabelecida de que é uma colônia fechada e preconceituosa. Não foi nada disso que encontrei?, conta Maristela.

Arigatô - Um Olhar Sobre a Imigração Japonesa ainda é difícil de ser adquirido. O documentário foi doado às 89 escolas municipais de Campo Grande. Estará disponível ao público no Museu de Imagem e Som, o MIS. Mas como os pedidos já são muitos, a jornalista está vendendo cópias para os interessados por R$ 15,00. ?Minha idéia é que o Arigatô seja o primeiro de uma série de documentários sobre a imigração em Campo Grande. O próximo será sobre os árabes?, avisa a jornalista. O contato é 67-3341-4580.

Mais sobre a cultura de Okinawa no Brasil em www.okinawa.com.br.

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