Poe Adailton Medeiros
A Baixada Fluminense, em especial Nova Iguaçu e Nilópolis, neste último fim de semana de agosto teve um cardápio cultural para todos os gostos: Festival de Cinema, Samba, Parada Gay, Artes Visuais, Fotografia e Circo. Com certeza devem ter rolado muito mais coisas, mas haja fôlego, disposição e apetite para acompanhar a maratona.
O Big Brothers Circus e as Artes Visuais, Fotografia e Performance - essas por conta do Imaginário Periférico, movimento artÃstico, que a cada evento vem ganhando mais adeptos e se transformando no mais autêntico porta-voz da arte marginal dos últimos anos -, aconteceram em Nilópolis. O Samba (no Só na Massa), Parada Gay e o Festival de Cinema, em Nova Iguaçu. Porém, a minha culinária é cinema.
O 2º Iguacine foi um sucesso. Produção precisa e organização impecável. Um cuidado nos mÃnimos detalhes, a começar pela programação visual dos cartazes, programas e catálogos: uma fusão entre a tradicional imagem da Metro Goldwyn Mayer, com a inovadora geração que se forma na Escola Livre de Cinema, os Leões da Baixada.
Poderia falar dos filmes ou dos ganhadores do festival, mas isso fica para a imprensa oficial. Prefiro falar de outros vencedores, a começar pelo teatro da sala de cultura transformado em cinema, magicamente, pelo Charles e sua equipe da Projecine.
SaÃram consagrados, também, o público jovem e bonito que lotou os três dias de evento, a curadoria, o cineasta Xavier de Oliveira, o grande homenageado do Festival, que confessou “ter sido a sua primeira vez†(Xavier, com mais de 40 anos de cinema nunca havia recebido qualquer homenagem pelos seus serviços prestados à sétima arte), e o seu “Marcelo Zona Sulâ€, que com 40 anos, e em preto e branco, está atualÃssimo e comunica perfeitamente com a juventude transviada.
E, finalmente, o Paulo Henrique Souto, talvez o maior vitorioso. Paulo Henrique é um mito vivo do cinema brasileiro, sua vida e o cinema se confundem, assim como a história da cinematografia brasileira dos últimos 40 anos.
Um dos profissionais mais requisitados como assessor de imprensa, seu maior orgulho é ser o ator que, provavelmente, mais tenha aparições em filmes brasileiros, depois de Wilson Gray.
Os motivos da sua grande vitória: primeiro por ter podido trabalhar com aquela garotada, sem nenhum conflito de gerações; segundo por ter sido convidado para subir ao palco com toda a equipe e ser o escolhido para falar com a platéia, em nome de todos aqueles Leões; e, finalmente, terceiro, por ter se emocionado e chorado por está ali, como um privilegiado, fazendo e participando da história viva do cinema brasileiro.
Quando um profissional, com mais de quatro décadas de trabalho, ainda é capaz de se emocionar pelo o que faz é porque é muito verdadeiro o que é feito. O Iguacine, acima de tudo, exibiu verdades fora da tela, união e espÃrito de equipe.
O tema da marca do festival foi “Misturando as Imagensâ€, mas vou além: foi também uma mistura de idades, de experiências e de sonhos, que serão traduzidas ainda na tela, num futuro bem próximo, num cinema perto de cada um de nós. Que venha o terceiro, o quarto e o milésimo Iguacine.
Parabéns, AdaÃlton, pelo bonito artigo, e parabéns, Paulo Henrique, pelo engajamento amoroso que sempre teve nas coisas e causas do cinema brasileiro.
carmattos (Carlos Alberto Mattos) · Rio de Janeiro, RJ 31/8/2009 20:11Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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