Aos que pensam estar xingando alguém, ou algo, mandando "à merda", um momento de reflexão. Vamos usar a lógica: por que não bolo alimentar ?!? claro ! Bolo alimentar !
-- O que é, o que é? Formado pelos detritos que sobram das porcarias que se come todo dia, e como se não bastasse, tem como destino final, no mais verdadeiro sentido da expressão, ir à merda ???
-- Nem o Joãozinho...
-- Resposta: bolo alimentar.
A biologia não serve só pra passar no vestibular. Certo que causaria espanto nos civis, mas seria engraçado. Calma, não é querendo ser cult nem emo que escrevo estas linhas. Longe de mim. É pela escassez de palavrões. Um estado latente de seca iminente assola as pelÃculas 16mm e 35mm. Os "merdas" e "karalho's" ameaçam greve. Nem um "puta-que-o-pariu" sem mais nem menos anda convencendo . A produção atual do cinema nacional conseguiu a proeza de esgotar o bizarro nas telas. Esgotando junto a mente dos espectadores. "Puta-que-o-pariu!! Tu és um bolo alimentar mesmo heim! Anda! Desaparece da minha frente (...)" .
Saem-se os mais recatados com aquela de que "retratar o cotidiano é a saÃda para jogar na cara das pessoas aquilo que elas vivenciam todos os dias e não se dão conta (...)". Bando de bolos alimentares! Eu mereço...
Continuo nesta "difÃcil" tarefa de falar mal do nosso new cinema, sendo um dos poucos, senão o único -- dos que conheço -- a não achar tanta graça assim no que ando vendo por aÃ. Por que eles acham que eu quero ver bolos alimentares voando de um lado para o outro da telona? Assisti um curta-metragem há alguns dias no qual pude acompanhar todo o processo digestivo sendo realizado ao contrário, ao vivo e a cores. Todos sabem como funciona, "o inÃcio do processo digestivo se dá na boca, com a mastigação. A trituração e umidificação do alimento (com o auxÃlio da saliva) o transforma em bolo alimentar. É nesta etapa do processo que se inicia a quebra do amido, um tipo de açúcar. A faringe (pequeno tubo comum ao aparelho digestivo e respiratório) está junta a ossos e cartilagens que auxiliam na deglutição (ato de engolir). Depois de passar pela faringe, o alimento se desloca por um tubo alongado e muscular chamado esôfago. O bolo alimentar é empurrado pelo esôfago por meio dos movimentos peristálticos, que nada mais são que contrações musculares. Ao final do esôfago encontra-se o estômago, o órgão mais popular quando o assunto é digestão, que tem formato de bolsa. No estômago começa a quebra das proteÃnas e gorduras. Logo depois do estômago, está a porção duodenal do intestino delgado. Todo o aparelho digestório pode ser tido como um grande tubo contÃnuo, porém alargado em algumas porções. No intestino delgado é continuada a quebra das proteÃnas e carboidratos, além da absorção dos mesmos pelo organismo. Na seqüência dos órgãos, o intestino delgado é seguido do intestino grosso. Nele é feita a boa parte da absorção da água que existe nos alimentos. É também no intestino grosso que o bolo alimentar vai se transformando em fezes, que é todo o material não absorvido pelo organismo e que será eliminado. Chegamos ao final do processo digestivo. Depois do intestino grosso, as fezes passam pelo reto, um canal que se abre no ânus, orifÃcio por onde as fezes serão eliminadas". Digamos que o bolo alimentar em questão seja o tal curta de que falei acima, nem com toda a trituração e umidificação, feitas com empenho, consegui eu mandar o maldito -- como se deve -- faringe abaixo. Aà já viu, não houve quebra do amido. Carboidratos nem pensar. Não houve movimento peristáltico nenhum no mundo que o fizesse chegar ao estômago. Tal qual uma sucuri que não consegue engolir o animal grande demais que resolveu abocanhar, estou com esse curta entalado na penúltima etapa do meu processo digestivo. Acho que é por isso que tento expurgar esse engodo com palavras. Quanto mais escrevo, a sensação de alÃvio aumenta um pouco.
Depois de toda a explanação-justificativa que apresentei, acho que não resta dúvidas de que tenho total razão em preferir tratar meu fardo de bolo alimentar a simplesmente, “merdaâ€. É até politicamente correto. Aliás, não merece ser chamado de merda. Merda é o estágio final de todo um processo. Ele é sim, um bolo alimentar mal-processado, que tem como único e cruel destino virar merda, antes de ser expelido para o lixo.
PS – Para os que não estão se agüentando (assim como eu também não estou me agüentando de vontade de dizer), o curta em questão é Fúria, ficção de Marcelo Laffitte (Brasil).
Eu sei, eu sei ... já meti o pau no filme em texto passado ... blá blá ... Mas o que eu posso fazer afinal. É mais forte do que eu.
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!