Bonito, delírio, verbo e poesia

Rod Ostemberg
Flib - Feira Literária de Bonito
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Rodrigo Ostemberg · Campo Grande, MS
16/7/2015 · 0 · 0
 

No principio o verbo era solitário, um monólogo de passarinho para lesmas ver. Havia duas piraputangas testemunhando a peça de Jonas Bloch, elas conjugaram o verbo ser no tempo delirante da praça, que virou feira. Cheia.

Olha o livro, gritou um feirante.Olha o torpedo! Soltou o palestrante.Tem diário, também, gritou Madalena.

Teve feira virtual, blogada, curtida e compartilhada. Até Seu Moço apareceu por lá para postar no “insta†o que aprendeu lá nas oficinas.

O palhaço apareceu no meio da rua, ou melhor, no meio da praça. Aquela com nome de liberdade, mas Manoel chamaria de quintal de casa. Ela é maior que o mundo, coube um universo literário.

Mario Alex chegou com frio, mas o calor da feira aqueceu a alma de todos que aprenderam, com ele, a fazer leitura de poema. Pô, ema.

As histórias infantis estiveram presentes do (des)começo ao fim?! Cinco mulheres encantavam enquanto contavam histórias para as crianças, que brotavam no caixote delirante jogado no quintal da casa de Manoel.

A poesia não compra sapatos, mas anda na bicicleta do poeta. Parece loucura. A literatura é mesmo maluca, afirma André. Em terra de Manoel quem não delira na poesia é príncipe.

De Santana veio o Merije, um cara que coloca o “mobimento†urbano paulistano na ponta dos dedos em poesia. É uma loucura mesmo. Uma cidade ou duas em transe.

Por falar nisso, não transe sem rezar ou ler Mirisola. Hozana nas alturas ou na sarjeta, não importa desde que role um beijo peruano ou um selinho do filho do rei.

Eu ouvi uma sanfoneira que conta a sua maneira histórias que nem nome tem. Qual o problema Lenilde tem de sobra.

O que sobrou mesmo foi o cinema. Lento como uma caramujo-flor ele chegou e ficou, Pizzini até doou o primeiro filme do futuro cineclube. Pitanga, também, conhecido como pai da Camila falou de cinema, foi uma aula magna. Miguel e Essi Rafael, os anjos do cinema acompanharam o debate ao lado da mediadora, que trouxe de Cuba toda sua experiência.

ESPÃNDOLA, a musica tem sobrenome. Marcelo foi o nome de uma dupla de RE-NO-ME, que saudou à pantaneira todos os bernardos. Quase arvores, não arredaram o pé enquanto a musica não acabou.

Dois jornalistas, também, falaram de musica. Um, mais nostálgico falou da poesia do encarte (aquele papel que vinha dentro do LP com as letras de música), e o outro lançou um livro pioneiro, disponível para download.

Vou encerrar meu texto por aqui. Espera, ainda temos um Dedo de Prosa? Que bom, então vou chamar uns personagens para dar vida a seus autores. O sapateiro anda descalço, porque poesia não compra sapatos. Entre dilurimentos e corixos existem animais + mais, mas alguns em cativeiro e suas cores sentem a dor de Medeiros. Não me recordo se foi a viúva donzela ou Dona Menina que chegou e pediu licença: - Espera Seu Moço, deixa eu entrar na Sala dos Sonhos. Silêncio. Não estou criticando, estamos cronicando a quatro mãos, e enquanto o Veleiro navegava nas declamações a caminho do Reino das Palavras, Elisa Lucinda afirmava, poesia não compra sapatos, mas podemos viver da poesia.

Agora já deu, vou usar um livro como recurso terapêutico. Ando escutando a cor dos passarinhos.e vendo paraguaias sorridentes a bailar.

Em Tempo*
Havia um menino que carregava agua em peneira e pediu ajuda para um velho bugre para regar uma arvore quase menino. Cabeludinho parecia a copa de um ipê amerelo. Ele passeava na feira com seu berrante e de repente em repente em aparecia. Pura magia. Um poeta que não usa texto, nem tampouco pretexto para versar. Prosa é com ele mesmo. Ruberval cunhou o nome de Manoel em Bonito em versos que nem mesmo o descomeço seria capaz de delirar.

Já que o poeta virou passarinho e não deixou nada que explicasse 10% de suas mentiras, voltaremos em 2016 para um novo (des)começo. Confira.

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