Cena 3 – Deu certo.
“...O Cineamazônia hoje é tão grande que não cabe mais numa só sala, nunca quis caber. Quem não pode chegar às salas de cinema do centro não perde nada. A mostra também é itinerante. Um projetor, uma lona e cadeiras percorrem os bairros periféricos de Porto Velho enquanto rola o festival. “Não adianta nada restringir a mostra a cem pessoas, nós temos que incluir, que agregar, somar, crescer”, fala Jurandir com empolgação, sobre a proposta social da mostra...”
O Adriel Diniz é um dos colaboradores daqui do Overmundo. É dele esse trecho sobre a terceira edição da Mostra Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, o Cineamazônia, em 2005. Neste ano, dando continuidade, a quarta edição do Cineamazônia reuniu nos dias 15 a 18 de novembro amantes de curtas e filmes de um minuto. A abertura da Mostra aconteceu no CineVeneza, em Porto Velho.
Mais de 150 filmes foram inscritos e exibidos na tela, vindos do Brasil inteiro e exterior, além, é lógico, de produções locais. Vai vendo. Entre as cidades que mais se destacam em colaborações estão Porto Alegre, Pará e Rio de Janeiro. Itália, Alemanha, Estados Unidos e Peru também estão inseridos. Todos concorrendo ao disputadíssimo troféu Mapinguari.
O tema deste ano foi Terra e Gente, que abriu um grande espaço para discussões sobre fatores que envolvem problemas agrários, ocupações e seus resultados. Mas foi a construção da Hidrelétrica de Furnas o principal assunto a ser questionado. Inclusive pela jornalista Paula Saldanha e o biólogo Roberto Werneck, que são parceiros no Instituo Cultural Ecológico Terra Azul e também foram homenageados durante a Mostra. Também foram homenageados os produtores cinematográficos Zelito Viana, Ruy Guerra, além do ator Antônio Pompêo.
Um dos organizadores do Cineamazônia, Paulo Arruda, vê com entusiasmo a participação de pessoas envolvidas no projeto, sejam em debates ou divulgando seu próprio trabalho. “É cansativo, mas é prazeroso ver tanta gente falando em cinema, e, melhor ainda, produzindo sua obra de arte”, conta. Tanto é verdade, continua Paulo, que as vagas disponíveis para Oficinas de Planejamento de Produção, Criação e Direção Audivisual foram rapidamente completadas. Nas oficinas, nada mais ou menos que a produtora da Record Filmes e professora da Fundação Getúlio Vargas, Clélia Bessa e a diretora Betse de Paula – do filme O Casamento de Louise. Tudo isso, explica Paulo, graças a parceria com Centro Técnico Audivisual do Ministério da Cultura – o CTAV.
“A cidade pára, durante o Cineamazônia, não só para falar de cinema, mas no objetivo de aprender com os trabalhos apresentados. Pra nós aqui, em Porto Velho, é uma oportunidade quase única”, desabafa o estudante Vinicius Almeida.
Quem deve ter aprendido, ou pelo menos sentiu o cinema mais de perto, foram os adeptos do terreiro ‘Pai-Marcone’ e ‘Pai-Francisco’, que tiveram a oportunidade de assistir ao filme Cidade das Mulheres, do cineasta Lázaro Faria, apresentado pela primeira vez num terreiro de candomblé em Porto Velho. No entanto, segundo Paulo, não foi a primeira vez que o Cineamazônia alcançou pessoas que geralmente não têm acesso ao cinema. “Na segunda edição, levamos as apresentações para o povo que mora no Lixão. Lá, apesar da dura realidade, a maioria não desgrudou o olho da telinha. Foi fantástico”, lembra.
Durante os três dias da Mostra, aproximadamente mais de 3 mil pessoas prestigiaram o Cineamazônia. Quem não pôde ir ao CineVeneza, conferiu as apresentações itinerantes nos bairros Esperança da Comunidade, Floresta, São Francisco e São Sebastião, na periferia de Porto Velho.
Quem se interessou e quiser mais informações, pode acessar o site www.cineamazonia.com
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