Já era prática comum para ele, aquelas reuniões semanais constituÃam parte do processo que ele acreditava ser necessário à mudança do pensamento das pessoas que o cercavam. Discutiam polÃtica, discutiam as mudanças de pensamento no decorrer da evolução humana, discutiam a crise ambiental e discutiam como fazer as outras pessoas compreenderem isso. O que ele não entendia, exatamente, era porque as pessoas o detestavam por aquilo. Afinal de contas, todos se revoltavam com as injustiças do mundo, vários tentavam fazer algo, sem se questionar se estavam fazendo da forma errada ou não, outros nem se importavam muito, achavam que a esmola diária no sinal ou no ponto de ônibus era suficiente para melhorar as coisas. Ele não, ele sabia que não era tão simples mudar o mundo, ele sabia que, assim como para construir um prédio é necessário conhecimento acerca do terreno, dos ventos, da posição do sol, do volume de chuvas, dentre outras coisas, também, para construir um mundo com igualdade social era preciso compreender o porquê dessas desigualdades. O que ele não sabia, exatamente, era como levar esse conhecimento para as pessoas que o cercavam, tentava, com seus companheiros, organizar palestras, seminários, panfletos, cartazes, qualquer coisa, mas as pessoas não paravam para ler, não paravam para ouvir, as pessoas não paravam nunca... Elas corriam, e corriam desenfreadamente. Para onde? DifÃcil dizer. Elas também não sabiam, você já se perguntou para onde você corre? Eu já me perguntei várias vezes, decidi parar um pouco para tentar enxergar esse horizonte tão longÃnquo para onde corro. Ele também, ele parou, e é difÃcil parar nesse mundo, afinal, ele está sempre girando e girando. Dá até vertigem, se você parar, mas ele parou. Se ele estivesse aqui, agora, lhe faria um convite a parar um pouco, analisar a paisagem, as pessoas que estão correndo com você, ver quantas pessoas estão se juntando a ele, quantas começam a perceber que essa louca corrida não está levando a lugar algum, ele convidaria você a construir algo aqui, agora, enquanto podemos, enquanto temos possibilidades. Certamente tentaria lhe mostrar algo novo, e tentaria, também, aprender algo novo com você. Como ele não pode fazer isso, pois ele é apenas uma pessoa, como cada um de nós, não um ser onipresente, que esteja aqui e ali, eu faço esse convite por ele, pare um pouco, escute um pouco, analise o caminho que você deixou para trás e o caminho para onde você corre, será que você está indo para algum lugar?
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!