Em cerimônia realizada nesta quinta-feira, no Teatro João Caetano, no Rio, os dez finalistas do Prêmio Rio Sociocultural 2010 foram surpreendidos por uma contribuição do Governo Estadual pela qual não esperavam. Em discurso no palco do teatro, o governador Sérgio Cabral anunciou que irá propor à Secretária de Cultura Adriana Rattes a liberação de recursos anuais da ordem de R$25 mil para cada um dos dez finalistas. “Vou propor um apoio que não seja apenas simbólico, mas que possa ajudar a mudar a vida de vocêsâ€, prometeu o governador. “Sou filho de uma museóloga e de um jornalista pesquisador da MPB e sei da importância da cultura para a cidadaniaâ€, disse Cabral.
Um dos cinco vencedores do prêmio, Dimas Gabriel, da Sociedade Musical Camerata Rio Florense, de Rio das Flores, disse acreditar que essa promessa vai sair do papel. “Foi a partir da gestão do governador Sergio Cabral e da Secretária Adriana Rattes que o interior começou a ter mais visibilidade na área culturalâ€, afirmou ele, que dividiu o palco com os outros quatro vencedores: Macacu Cine, de Cachoeiras de Macacu, Gotta - os Intérpretes da Alegria, de Campos dos Goytacazes, Criando Cultura, Produzindo Sonhos, de Volta Redonda, e Projeto Circo Baixada, de Queimados. Os cinco ganharam R$5 mil e a chancela do selo Rio Sociocultural.
“Alcançar um reconhecimento deste nÃvel é muito satisfatório. Me sinto realizado porque é um trabalho feito apenas com apoioâ€, disse Felipe Gonçalves, diretor geral do Macacu Cine.
Ana Souza, diretora do Gotta, disse que nunca havia se imaginado no palco do Teatro João Caetano ganhando este reconhecimento. “Quando eu comecei com o projeto, há dois anos, o meu único objetivo era o de levar a Literatura infantil à s pessoasâ€.
“Nós trouxemos pessoas que ninguém achava que tinham futuro, mas que estão aqui hoje para provar o contrárioâ€, comentou Marco Aurélio, do projeto Criando Cultura, Produzindo Sonhos.
Para Nilcelene Moreira, do Circo Baixada, o Prêmio veio em boa hora. “Estamos retomando as atividades e o dinheiro será usado para a compra de novos equipamentos de circoâ€, disse.
Os outros cinco finalistas que, assim como os vencedores já haviam ganhado R$3 mil, eram a Escola de Cartoon Primeiros Traços, localizada no bairro de Vila Isabel, o Centro de Ópera Popular de Acari, ambos do Rio, o Clube Foto Filatélico Numismático, de Volta Redonda, Um Passeio na História, realizado no municÃpio de Paraty e Vagão da Leitura, de Vassouras.
Também foram distribuÃdos Notebooks e certificados especiais Sebrae ‘Prêmio Empreendedor Sociocultural’ para os cinco Pontos de Cultura de destaque: Agência de MÃdia Livre, Solar Meninos de Luz e Núcleo de Educação e Cultura Fundição de Paz e Progresso, do Rio de Janeiro, Projeto Circo Baixada, de Queimados, e Pim – Programa de Interação pela Música, de Vassouras.
O Prêmio Rio Sociocultural, que este ano chega a sua segunda edição, já alcançou um total de 438 inscrições nesses dois anos, com a participação de 80 municÃpios fluminenses.
“Esta é uma disputa alegre, onde todos já são vencedoresâ€, disse o presidente do Instituto Cultural Cidade Viva, Fernando Portella. “Gostaria de agradecer não só aos parceiros e aos gestores dos projetos, mas também a todas as crianças e jovens que participaram. Vocês são sÃmbolo de força e de resistência. Não vou esquecer da energia que estou recebendo aquiâ€, disse Portella.
O juri foi composto por Wânia Bonelli, vice-presidente do Rio Solidário, Elisabeth Capobianco, Relações Públicas da Companhia Distribuidora de Gás, Fernanda Mayrink, representante da Light, Fiorela Soares, musicista, e Heliana Marinho, gerente da área de desenvolvimento da economia criativa do Sebrae.
Outros 60 formadores de opinião como atores, jornalistas e representantes de várias áreas da cultura deram seus pareceres por escrito sobre cada projeto, e esses documentos serão enviados aos gestores das dez ações finalistas. “Eu estou encantada com esses projetos. Mas vou propor que a partir do ano que vem entrem também ações ligadas a gastronomia. A comida também faz parte do nosso patrimônio imaterial e pode ajudar a gerar rendaâ€, disse a chef Flávia Quaresma.
A atriz Paloma Bernardi, que há três anos mantém um projeto cultural junto com a famÃlia, na zona norte de São Paulo, fez questão de conhecer o Prêmio pessoalmente. “Eu adoraria poder participar desse Prêmio ano que vem, mas como meu projeto não fica no Rio, infelizmente não será possÃvelâ€, disse.
Patrocinado pela Companhia Distribuidora de Gás do Rio de Janeiro, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Estado do Rio de Janeiro, e apoio do Sebrae, o Prêmio Rio Sociocultural é realizado pelo RIOSOLIDARIO em parceria com o Instituto Cultural Cidade Viva e tem como caracterÃstica a escolha de ações socioculturais que contribuam para o crescimento social, para o resgate da autoestima das comunidades, e o fortalecimento da identidade fluminense. As ações devem ser soluções simples, inovadoras e que dispensem grandes investimentos. Devem ter também potencial multiplicador para outras cidades, e ainda incluir segmentos culturais marginalizados, valorizar grupos culturais locais e gerar trabalho e renda, promovendo o desenvolvimento sustentável.
Leia Mais detalhes sobre os 5 projetos vencedores:
Projeto Circo Baixada, Queimados
Surgiu a partir de uma pesquisa realizada em 2002 dando conta de que 49% das crianças em “situação de rua†no Rio de Janeiro eram provenientes da baixada fluminense e que Queimados apresentava o pior IDH da região. O trabalho, realizado de segunda a sexta-feira, é baseado na arte-educação. Cerca de 80 crianças e jovens de 7 a 18 anos aprendem técnicas de circo, dança, teatro realizando apresentações anuais em praças e teatros da região. “O projeto tem um caráter educativo e não profissionalizanteâ€, diz a coordenadora Simone Pires. “O objetivo não é transformar os meninos em artistas, mas sim mostrar que eles têm outras formas de se expressar através da arte e da culturaâ€.
Criando Cultura, Produzindo Sonhos, Volta Redonda
O projeto estimula o auto-conhecimento dos alunos aliando dança, música, audiovisual e teatro através de um catálogo com mais de 500 dinâmicas criadas a partir da metodologia de Paulo Freire. Os sete núcleos de atuação, batizados de “Fábricas dos Sonhosâ€, estão localizados em bairros periféricos de Barra Mansa, Volta Redonda e Resende, e atingem um total de 27 comunidades. Cada um desses núcleos atende anualmente cerca de 30 meninas e meninos entre 12 e 18 anos. “O projeto dura 12 meses e, no final, o aluno já está sonhando. Ele não necessariamente vai sair como músico, ator ou bailarino, mas certamente como cidadãoâ€, diz o idealizador Marco Aurélio Soares.
Gotta – Os Intérpretes da Alegria, Campos dos Goytacazes
Uma mistura de literatura e teatro, o projeto ensina técnicas de contação de histórias para crianças de baixa renda. Realizado desde 2009 em uma escola municipal da cidade, é formado por um grupo de 8 alunos que contam histórias em praças públicas. Além de estudarem as histórias que serão apresentadas, os alunos estudam também a biografia dos respectivos autores, preparam figurino e cenário para cada apresentação. “O projeto encanta porque são crianças de baixa renda que se tornam referência na escola e viram exemplos para a famÃliaâ€, diz a coordenadora Ana Raquel.
Macacu Cine, Cachoeiras de Macacu
O MacacuCine é um festival que une educação e cultura com o objetivo de revolucionar a maneira como o cinema é utilizado nas escolas. Promove exibições de filmes nacionais em diversas escolas da cidade, fazendo com que os estudantes reflitam sobre os filmes e descubram uma nova forma de aprender, mais instrutiva e proveitosa. Os filmes exibidos são divididos em diversos temas como digital, infantil, ambiental, universitário, entre outros. Também são realizados seminários, mesas de debate, além de oficinas de animação.
Sociedade Musical Camerata Rioflorense, Rio das Flores
O projeto, criado em 2006 com o objetivo de promover a inclusão social através da música clássica conta hoje com aproximadamente 400 alunos, em dez turmas que incluem aulas de canto orfeônico, violão popular, um coral de senhoras, e ainda uma fanfarra - banda de tambores cujos ensaios acontecem nos Cieps. Como forma de oferecer também qualificação para emprego e renda, a Camerata Rio Florense oferece ainda o curso de luteria, para aqueles interessados em construir, restaurar, reformar, e afinar instrumentos musicais de corda, sopro ou percussão. Os alunos têm acesso ao projeto por meio de concertos-palestra que os professores fazem anualmente nas escolas da região.
Pontos de Cultura de Destaque:
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Projeto Circo Baixada, Queimados*
Ler acima
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Agência de MÃdia Livre, Rio de Janeiro
É uma plataforma colaborativa de produção e difusão de conteúdo cultural que utiliza ferramentas e suportes de baixo custo como site, rádio e TV digitais para a construção de uma comunicação livre e participativa. O objetivo é democratizar a comunicação e o acesso à s ferramentas de produção de informação, fomentar agências de comunicação em territórios com baixo Ãndice de desenvolvimento e fortalecer lideranças juvenis e culturais.
Solar Meninos de Luz, Rio de Janeiro
Esta organização civil e filantrópica atua desde 1991 nas comunidades do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, promovendo educação formal e complementar, cultura, esportes e cuidados básicos de saúde. A sustentabilidade é formada por doações de pessoas fÃsicas, apoio e parcerias com empresas públicas e privadas, organizações sociais, campanhas pontuais, e pela comercialização de produtos doados em bazares beneficentes.
Núcleo de Educação e Cultura Fundição de Paz e Progresso, Rio de Janeiro.
É um projeto sócio-cultural da Fundição Progresso que oferece uma imersão artÃstica dentro do centro cultural para estudantes de escolas da Rede pública de Ensino, com oficinas de música, teatro, graffiti, circo, filosofia e cenografia para alunos de 1º e 2º ano do ensino médio. A iniciativa envolve a comunidade de artistas e educadores que atuam na Fundição Progresso e estabelece uma ponte entre os jovens, a escola e o centro cultural. O objetivo é apresentar produtos culturais, identificar aptidões, desenvolver talentos, promovendo a inserção desta produção no cenário cultural da cidade e, quando possÃvel, encaminhá-los à profissionalização e ao mercado de trabalho.
Pim – Programa de Integração pela Música, Vassouras
O incentivo à promoção da integração e do encantamento social, a mobilização de ações comunitárias, culturais, educacionais e sócio polÃticas e o incentivo à s relações étnico-raciais positivas são marcas desse programa, que há 8 anos proporciona elementos para o desenvolvimento sócio-econômico do Vale do ParaÃba Fluminense. Criado pelo maestro Cláudio Moreira, em 2000, o Pim conta com apenas 39 crianças e um professor voluntário, e foi idealizado para oferecer à população local vivências cooperativas em torno do acesso à cultura, educação e cidadania através do estudo musical.
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