"Eles Voltam": A metamorfose em Cena.

Cena do filme "Eles Voltam"
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Marlon de Paula · São João del Rei, MG
22/1/2013 · 7 · 0
 

"Eles Voltam" Ficção, 105min - Pernambuco, 2012. Direção Marcelo Lordello

A película inicia com dois irmãos [Cris e Téo] deixados as margens de uma alta estrada pelos próprios pais, algo no mínimo instigante, para os espectadores que acompanham a cena nas primeiras seqüências. Nesse momento não é de se estranhar que o público fomente uma dúvida, que no decorrer da narrativa vem se alimentando a cada situação.

Nós colocando de frente a pergunta: Cris conseguirá voltar pra casa? E assim estabelece a jornada de uma criança e os espectadores ávidos por um desfecho.

O filme é bastante sensorial e marcado por ausência de tempos fortes, como explica diretor Marcelo Lordello, que quis transmitir uma inquietude proposital ao público da obra. “Tentei não romantiza-ló” afirma o diretor, desconstruindo uma visão idealizada de uma pobre garotinha desamparada caminhando de volta ao lar.

Logo nas primeiras partes do filme a protagonista é abandonada pelo irmão, sozinha, ela começa a vagar pela rodovia quando reencontra um garoto de bicicleta que a oferece ajuda para sair daquele local. Levada para um assentamento do Movimento Sem Terra. Nesse momento conseguimos nos situar na narrativa, construindo um perfil social da garota, que desbrava novas realidades, uma menina de classe média pernambucana agora se vê ao lado de um grupo de assentados. Essa construção entra em consonância com o amadurecimento da jovem em transição de maturidade. Esse discurso fica evidente, quando ela reencontra sua vizinha e apresentar uma conversa notavelmente mais adulta. Ivo Lopes, diretor de fotografia do filme, relata que o filme é cheio de simbolismo, facilmente identificável quando Cris bóia sobre as águas da praia, passando a idéia, como o diretor declara em coletiva posterior a exibição de filme, de uma vida fluida, que navega nos horizontes de uma viagem.

O renascimento também é um tema pertinente ao filme, pois na garota abandonada, cabe a imagem de um ser em metamorfose, o nascimento de um novo indivíduo como ferramenta crucial para melhoria do próprio individuo, como destaca o diretor do filme. A película é uma das recentes produções da notória ascensão do cinema pernambucano e isto é metamorfose cinematográfica, a mudança geográfica das produções, esta é proposta de reflexão de Tiradentes no audiovisual nacional.

Marlon de Paula, 22 de janeiro.

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