Em Santiago encontrei

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Verdes Trigos · Presidente Prudente, SP
10/3/2006 · 1 · 1
 

Acabo de voltar de Santiago. Lá tive uma estada fantástica ao lado da mulher de minha vida, foram excelentes os dias que passeamos sob o olhar da cordilheira dos Andes. Da casa de Pablo Neruda se tem uma visão fabulosa da cordilheira, daquele lugar surge poesia. Claro, Neruda é Neruda, mas a visão da cordilheira inspira e faz fluir pura poesia.

Além da poesia de Neruda, dos cabernets, trouxe na bagagem alguns livros da atual literatura chilena. Surpreendi-me com Carla Guelfenbein. Depois de "El revés del alma", seu primeiro romance (2003), lançou "La mujer de mi vida" (2006), pela Alfaguara, já entre os mais vendidos nos países de língua espanhola.

Carla Guelfenbein nasceu em Santiago do Chile e viveu onze anos na Inglaterra. Estou biologia na Universidade de Essex, especializando-se em genética. Mais tarde estudou design em St Martin´s School of Art de Londres. De volta ao Chile, trabalhou como designer em várias agências de publicidade. Também foi diretora de arte e editora de moda na revista Elle.

Seu primeiro livro teve excelente repercussão na literatura de língua espanhola, merecendo rasgados elogios de Antonio Skármeta, autor de "O carteiro e o poeta", que tive a felicidade de conhecê-lo na Feira do Livro de Ribeirão Preto/SP. Disse Skármeda: "Este romance retrata o mundo da mulher contemporânea; e, em muitos sentidos, é diferente da literatura escrita por mulheres da América Latina. A imagem do mundo é sensível aos movimentos da alma que tem atrás de cada gesto".

Com seu segundo romance, a escritora chilena explora o mundo feminino através de uma visão masculina. É na voz de um homem que narra as dimensões de uma amizade construída nos limites do exílio. Guelfenbein volta ao cenário que muito bem conhece: Londres. O narrador protagonista é inglês Theo, que relata a história do triângulo que se formou com os chilenos Antonio e Clara.

Os três de conheceram em Londres em 1986, quando Theo e Antonio estudavam Ciências Políticas na Universidade de Essex, onde a escritora se graduou em biologia. Antonio era então um jovem exilado que sonhava regressar a Santiago para lutar pela democracia e demonstrar sua bravura, graças a ele, o protagonista conheceu Clara, uma bailarina filha de um desaparecido político. Através do seu encanto, desatou obscuros sentimentos com os quais os três tiveram que lidar e conviver.

Desse verão, a amizade, o amor e a traição remexem suas vidas e deixam cicatrizes em cada um deles. Quinze anos depois, no Natal de 2001, Theo viaja ao Chile. Com certeza, o tempo os transformara em estranhos. Antonio não se tornou nenhum herói e nem aspira em sê-lo. Clara é sua uma sombra frágil.

Pesam as suas diferênças, Theo e Antonio compartilham algo: a paixão que sentem e sentiram por Clara. E no Natal de 2001, os três voltam a enfrentar seus sentimentos, suas dúvidas pendentes e seus fantasmas e suas feridas que vivem desde aquele verão. A Autora disse que, no fundo, o livro fala da amizade, da lealdade e de seus limites. Sustentou ainda que foi apaixonante escrever o livro sob o olhar masculino. "Em muitos sentidos, a visão masculina me parece muito similar à perspectiva feminina como, por exemplo, a importância que se têm os afetos. Penso que a carência de afeto tem o mesmo resultado devastador tanto para os homens quanto para as mulheres e o afã por encontrar o amor é igualmente importante para os dois".

A narrativa de "La mujer de mi vida" é contemporânea, muito visual. O narrador descreve em abundância os ambientes, a indumentária dos personagens e as suas atitudes. Este aspecto é um dos melhores êxitos do romance. Guelfenbein consegue manter a atenção do leitor até o final, desperta sua gana de conhecer os destinos dos personagens, apesar de que a sorte de um deles já se sabe desde o começo.

Espero em breve que alguma editora do Brasil publique Carla Guelfenbein. Fica aqui a sugestão. Por enquanto, nós, brasileiros, estamos preteridos. A não ser os privilegiados, como eu, que conseguiu "La mujer de mi vida" numa livraria de Santiago por $ 9.900 pesos chilenos (R$ 45,00).

Para ler as primeiras páginas (em espanhol), clique aqui

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Thiago Camelo
 

Olá! Esse texto está bem bacana, mas do jeito que foi escrito não se encaixa na proposta do Overmundo, que é um site sobre cultura brasileira. Que tal comparar o livro a uma publicação daqui? Dê uma olhada na seção AJUDA do site para melhor entender a proposta do Overmundo.

Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 9/3/2006 16:34
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