Entre pálpebra e globo ocular, o roçar de diversos grãos de areia ao piscar de olhos. Atrito sem faisca alguma. Forma-se um molho espesso, uma espécie de geléia. Um molho lacrimejado de areia. Acontece um silencioso esporro debaixo da areia, onde encontro a mim e a meu corpo.
Foi o sol de meio dia quem nos enterrou.
Dissolvido o corpo, escorri umidecendo a praia seca. Reconectados os membros a metros de profundidade, limitados movimentos escassos gastam energia em vão numa tentativa oca de fuga. Lá em baixo, perto do tutano da cidade, escuta-se o borbulhar urbano, frenética frequência sonora que zumbiu meus tÃmpanos.
O corpo começa a entrar em decomposição enquanto vivo. Da solidão pré falência vital resta a produção do gozo e da lágrima. Dedico os últimos esforços à produção desses. A explosão acontece e as lágrimas surgem. Gozo e lágrima se encontram. Fossilizam grão e esperma. O esperma prolonga, mantendo sólida simbolicamente, minha respiração, até que minha última farpa de unha é devorada pelos tatuÃs locais. Sobram as excreções cristalizadas.
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