Matou o Cinema e Foi ao Governador - Entrevista - 2ª parte
Aqui a 1ª parte:
Renato Turnes - Rosa BB é minha primeira direção oficial (junto com a Loli, com quem trabalho muito bem em parceria). Sendo ator me preocupei com a escalação do elenco, procurei atores com excelente desenvoltura cômica mas que pudessem fornecer aos personagens as nuances necessárias para não torná-los unidimensionais. Na construção dos personagens centrais, enfatizei suas contradições, suas canalhices e farsas, mas também suas fraquezas e frustrações. Encontramos para isso os atores perfeitos e estou orgulhoso deles. Rosa BB é uma farsa tropicalista e um drama patético.
Loli Menezes – As referências vieram muito de todo o universo latino. Cuba, Almodóvar, muitas cores, Brasil, Guantanamera, suor, bronze, camisas estampadas... O chique sujo e brega, uma república fictícia tropical, quem quer bananas? O tempo é meio anos 80, demodê. Ombreiras, cabelos armados, mangas bufantes, maquiagem pesada. A Barbie também foi uma referência fundamental para compor o universo da Rosa. Todos os brinquedos eram meus, fizeram parte de minha infância e também dos meus sonhos. Ajudaram a construir a Rosa, deram a ela um tom infantil e quase ingênuo, de sonho, solidão e romance. O Renato foi fundamental em todo o processo. Escreveu o roteiro comigo, compreendeu logo de início quem era a Rosa, demos muitas risadas criando os personagens e o universo do filme. Num momento de aperto, onde quase tive que desistir do projeto, ele segurou as pontas, tocou a produção e assumiu o rojão. Por sorte pude realizar e acabamos dirigindo juntos. O elenco foi um presente. Dos protagonistas ao elenco de apoio, todos arrasaram e deram um toque muito especial à nossa história. A Grazi (Rosa) e o Álvaro (ditador) dispenso comentários. Não consigo nem imaginar o filme sem eles. A equipe trabalhou exaustivamente para cumprir uma única diária de filmagem, com 5 locações e muitos planos a serem rodados. Tivemos limitações pela falta de dinheiro, mas tudo se resolveu com criatividade. Maiores detalhes, depois que o filme estiver pronto. ainda não sei bem no que tudo isso vai dar!
Chico Caprario - O Povo da Corte é uma paródia deste e outros governos nestes últimos 30 anos em Santa Catarina que prevaleceu a política do “coronelismo”, onde o funcionário público eleito denominado de governador, acredita ser um verdadeiro REI, achando que suas mentes iluminadas por Deus em sua infinita sabedoria, são capazes de decidirem tudo. Espero que a crítica do filme sobre a forma como foi modificada para PIOR a Lei de incentivo à cultura sirva de inspiração para uma revisão do absurdo que foi feito em prol do velhaquismo, do fisiologismo burocrático invisível em que somente os Bobos do Povo servem estatísticas para fraudarem projetos da Lista pessoal do Rei. Os atores foram ótimos para compor a atmosfera cômica, pois certamente não me sinto único roteirista, todos deram idéias enriquecedoras e engraçadas para esta pseudo-ficção Imperial.
Claudia e Rafa - Nosso filme contou com a direção de Rafael Schlichting, roteiro de Cláudia Cárdenas, direção de fotografia de Rafael Schlichting, assistência de direção de Cláudia Cárdenas, direção de arte de Cláudia Cárdenas, câmera de Rafael Schlichting, assistência de câmera de Rafael Iriê, som direto de Milena Boch, maquiagem de Fabiane Arcoverde, assistência de maquiagem de Bianca Passarela, Figurino de Cláudia Cárdenas, produção de objetos de Cláudia Cárdenas, assistência de figurino de Mônica Puppo, assistência de produção de alimentos de Antonio Viana. Nossa equipe foi reduzidíssima, como podem constatar, o que nos trouxe algumas dificuldades extra, contornadas pela maestria como o filme foi editado por Rafael Schlichting e pelas características do roteiro de Cláudia Cárdenas. O elenco foi de uma total entrega ao projeto, generosidade e brilhantismo nas atuações sob a batuta do diretor Rafael Schlichting. A cooperação dos proprietários da locação, da empresa de aluguel do fraque do maestro, das mãos habilidosas de Nani Pederneiras, das pessoas que emprestaram figurino como Gladis, Antonia de Oliveira, Mariana Schmitz foram imprescindíveis à realização do filme. Todo o equipamento, câmera hdv, fresnéis, set lights, equipamento de som, etc foram cedidos pela Câmera Olho Filmes e Produções. A alimentação foi gentilmente cedida pela pizzaria Turma da Pizza nas duas noites de gravações.
Breno Turnes - SPRAY é uma pequena pincelada sobre minha geração e seu conteúdo-cultural absolutamente duvidoso, sobre como uma mente criada pela comunicação em massa e pelos famigerados pré-vestibulares se porta em uma situação de indignação popular perante ao governo e suas "politicagens culturais".
Jéferson Lima - “Os Vazio” é um panfleto. É a narrativa sobre uma das últimas áreas verdes de uma cidade e está sob a ameaça de concreteiros e asfalteiros.
Ficha Técnica: Os Vazio
Direção e roteiro: Jéferson Lima
Montagem, desenho de som e assistência de direção: Marco Martins
Direção de foto e câmera: Felipe Vernizzi
Assistência de câmera: Breno Turnes
Direção de produção: Valeska Bittencourt
Com Paulo Vasilescu, Luiz Christiano e Jéferson Lima
Participação especial de Carol Christiano.
Jéferson Bittencourt - A idéia de APEIROKALIA é muito simples: uma conversa entre um diretor de teatro e uma atriz sobre o que é e qual a importância da beleza. A conversa inicia sobre o termo título que é uma doença que existia na época dos gregos: a impossibilidade de ter experiência com a beleza. Sobre esse mote simples a conversa se desenvolve buscando questionar os valores essenciais do fazer artístico. Claro, cineastas como Woody Allen, Domingos de Oliveira, Paul Thomas Anderson, foram referências como exemplo da potencialidade que uma simples situação cênica como essa pode suscitar. Marco, que fez a fotografia, procurou valorizar uma câmera documental, expondo sensações mais finas através de planos bem fechados. Um café no centro de Floripa foi nossa locação e essencial pra cor e textura do filme. No elenco estão, debatendo com toda a sinceridade, este que aqui vos escreve e minha esposa, a atriz Gláucia Grígolo.
Maria Estrázulas - Nosso filme é para ver e ouvir.
Valeska Bittencourt - O processo de criação do delírio teve uma abordagem anárquica, e o roteiro se construiu a partir de idéias livres propostas na beira da praia, durante uma madrugada de delírio. Primeiras idéias definidas, sentamos os quatro para escrever o roteiro. Os próprios diretores seriam os protagonistas, e também editariam o material. As idéias de cada um foram transformadas em seqüências independentes, que podiam estar em qualquer lugar. A idéia era subverter qualquer tipo de construção narrativa convencional.
Fabio Brüggemann - Sobre o roteiro, está descrito na resposta cima. A produção foi dez e a equipe (Marco no som e na assistência geral, Sandra Alves na fotografia, Renato Turnês na assistência geral e na "mãozinha" e a Val na produção do Edson Ancinho foi maravilhosa) integradadíssima. O Rafael Pereira Oliveira e o Chico Caprário no elenco também deram um banho, principalmente o Chico como Ancinho.
4. Como você vê a produção de cinema/vídeo em SC hoje? E como a experiência do Cine Anti-Campanha se relaciona com essa sua visão?
Marco Martins - ... Existe, há muito tempo, atitudes isoladas. Existe duas universidades com curso de graduação em Cinema e Vídeo, a Cinemateca e o Funcine. Algumas produtoras tentando trabalhar com produção cultural e alguns grupos que produzem por conta própria, como o pessoal de Chapecó, por exemplo. Mas na verdade não existe um mercado, não existe uma postura séria dos Governantes e não existe classe. Ou se existe, está completamente desarticulada. Então vira uma esculhambação: artista de fora tentando captar grana aqui, projetos parados por completa incompetência de quem avalia, uma cegueira tremenda e cada vez mais difícil de contornar. E falando do nosso longa: reunimos uma galera que estava P da vida com toda essa palhaçada, que possui senso-crítico e criatividade e que topou o lance de fazer o filme sem grana nenhuma. O filme teve um custo que saiu do bolso dos realizadores. Não tivemos o apoio de nenhuma lei de incentivo, de nenhum partido e de nenhum sindicato. É independente na veia.
Renato Turnes - A produção catarinense de cinema e vídeo vem crescendo e parece prometer um futuro de bons artistas e de bons filmes, mesmo no ambiente pouco fértil que as políticas oficiais promovem. Hoje temos cursos superiores que jogam num mercado inexistente turmas de formandos que sabem muito de tecnologia, pouco de arte. A maioria não coordena uma prática com os atores que eleve o nível artístico de suas produções. Me parece que falta comunicação entre as artes, parcerias sólidas e criativas. O projeto do Cine Anti-Campanha mostra que a parceria entre artistas é possível e que não se faz cinema apenas com grandes aportes financeiros em produções grandiosas com elencos globais, mas que idéias genuínas e talentos somados podem criar filmes sinceros, viscerais e urgentes.
Loli Menezes - Vivemos um momento onde se produz, porém ainda com muita dificuldade e desordenadamente, não existe um mercado, não somos tratados profissionalmente, parece que sempre estamos pedindo favor. O processo de um filme leva muito tempo desde a idéia no papel, até a realização. Às vezes dá até vontade de desistir! Dependemos o tempo todo da boa vontade do governo, de políticas culturais mal estruturadas, ou de iniciativas privadas mal-orientadas. Ainda é muito difícil viver com tranqüilidade, trabalhar e ser valorizado pelo nosso ofício. Passamos às vezes tanto tempo envolvidos com burocracias, tentando viabilizar um simples projeto que falta tempo de produzir, de filmar, de botar a mão na massa. Vejo o Cine Anti-Campanha como uma saída, a possibilidade de fazer algo, apesar de tantos pesares... Pular alguns obstáculos que nos impedem de nos expressarmos e mostrar que não estamos parados. Nossos projetos estão nas gavetas das repartições públicas, mas a gente resiste e produz mesmo assim.
Chico Caprario - A produção de cinema/vídeo em SC está crescendo com a criação de novos núcleos de produção e escolas formando profissionais. Só o mercado ainda não cresceu no estado. O potencial de produção audiovisual regional é grande diante das novas possibilidades, como a possível entrada da lei de produção regional nas TVs, televisão digital, internet e jogos e programas interativos. O Cine Anti-Campanha é protesto abrangente à todas as áreas culturais e quanto ao audiovisual se refere muito mais à arte do cinema/vídeo que não tem como ser mantido nos dias atuais sem alguma forma de apoio da própria sociedade e do governo.
Claudia e Rafa - A produção de cinema/vídeo em SC hoje encontra-se a mercê das iniciativas individuais e particulares. Sem uma política de governo coerente e responsável e sem uma formação de agentes culturais capacitados a transformarem a produção de cinema/vídeo em SC uma realidade, trabalhamos sem honorários, apenas pela necessidade de desenvolvimento da linguagem e do ofício e dependemos de editais públicos anuais para a manutenção de nossas vidas. Trabalhando para o desenvolvimento e ampliação da produtividade na área, lançamos cursos básicos de cinema digital buscando a formação de equipe especializada e capaz de construir pensamento e linguagem cinematográfica.
Breno Turnes - A produção de cinema/vídeo em SC me parece mais freqüente nestes últimos anos, porém, a pequena circulação dos materiais dificulta a formação de um "cenário" sólido no cinema catarinense. A falta de seriedade do governo em relação às suas políticas culturais contribui em grande parte para o enfraquecimento do cinema no estado, forçando os realizadores a produzirem seus filmes independentemente.
O Cine Anti-Campanha me mostrou como a produção independente é complicada, ainda mais com um trabalho deste porte. Um longa sem orçamento custa muito mais caro do que se entende por essas palavras, afinal, "não existe almoço grátis".
Jéferson Lima - Eu não vejo, eu procuro. Tento encontrar filmes significativos, mas acho pouquíssimos. O Cine Anti-Campanha é uma maneira de provocar a estética estabelecida, comportada, e inofensiva.
Jéferson Bittencourt - Por ser mais próximo das áreas de teatro e música, talvez eu não seja a pessoa mais indicada pra falar no assunto. Como espectador tenho visto o número de produções crescer, mas isso não significa que a qualidade dos filmes tenha melhorado. Faltam bons diretores e pensadores (no sentido da concepção de uma obra de arte). Temos muitos bons atores, mas poucos bons diretores. Penso que antes de se ter uma câmera na mão seria mais interessante se ter uma boa (e precisamente boa!) idéia na cabeça. Vejo que o maquinário no cinema, muitas vezes, desvia a real preocupação de um diretor. E a consistência é transferida: vê-se uma bela produção com um roteiro frágil e más interpretações.
Maria Estrázulas - Vivemos um caos maravilhoso, graças aos casos de desvios de dinheiro, de não aprovação de projetos relevantes, de preferências por queridinhos... Perfeitos para gerar indignação coletiva e fazer nascer um grupo como este, pessoas que se pretendem livres para criar e precisam de recursos para produzir. O caos (entropia) é o primeiro passo para o estabelecimento de uma nova ordem (negentropia), num novo tempo e novo contexto.
Valeska Bittencourt - A produção de cinema/vídeo caminha de forma lenta, requerendo de seus realizadores uma guerra para que sejam vencidas todas as etapas de produção. Vejo uma grande dificuldade de se viver fazendo cinema/vídeo em SC. Um mercado consolidado parece um sonho distante, apesar das possibilidades que surgem com as novas mídias. O publico é bem restrito, dificultando a venda direta de cotas a empresas. Sujeitos à relação de poder imposta pelo Estado ficamos de mãos atadas. O Cine Anti-Campanha uniu artistas em nome da luta pelo fomento à cultura, que é obrigação do governo.
Fabio Brüggemann - Precisaria de mais tempo pra responder essa.
5. Nesta última pergunta, sinta-se à vontade para falar sobre as políticas culturais que norteiam o Estado de Santa Catarina e como elas interferem no seu trabalho.
Marco Martins - Politicagem cultural??? Funciona assim: você tem que ser amigo do Rei. Até o Bobo da Corte tem que puxar o saco, senão cortam a cabeça dele. É o esquema do pistolão, sabe como é?? Eu pretendo ir embora desse Estado. Acho que o trabalho do artista aqui é muito pouco prestigiado e muito mal pago. Talvez eu volte quando for bem velhinho, se ainda houver alguma praia limpa... Meu plano de aposentadoria é uma casa em Santo Antonio de Lisboa. Agora, enquanto funcionar dessa forma, com política de balcão, essa putaria toda, tô fora. Não quero descolar outra úlcera antes dos trinta anos. Eu gostaria de me orgulhar de ser catarinense, mas isso muitas vezes não acontece.
Renato Turnes - Vive-se em SC a política do evento megalômano, do marketing deslavado, da falcatrua institucionalizada, do compadrismo mais hipócrita. Os dirigentes culturais sofrem de pobreza de espírito, de provincianismo barato e burrice congênita. Sobre as sapatilhas de ponta dançam corpos esqueléticos, acéfalos, meio mortos. O dinheiro público é moeda corrente para transações exclusas, enchendo os bolsos de divas estrangeiras decadentes, falta de decoro e de vergonha. Ao artista ingênuo resta a fome e o aeroporto (ou rodoviária mesmo).
Loli Menezes - Precisamos de políticas culturais sérias para podermos trabalhar com dignidade. Precisamos de um fundo onde realmente exista dinheiro recolhido pelo governo e destinado aos artistas e não captado por nós artistas e retidos por eles governo, como se o dinheiro fosse deles. Precisamos de muitos editais, que premiem bons projetos e estimulem a produção. Precisamos de decência nesse estado, nesse país onde a roubalheira e a cafajestagem imperam!
Chico Caprario - Acredito em fazer um trabalho independente de financiamento do estado, mas infelizmente esta possibilidade ainda não está próxima. Acho que a migração gradativa para a criação de um mercado de consumo de arte, ainda não aconteceu. Enquanto o público está em formação e o mercado não se torna independente é preciso manter uma produção ininterrupta para não se perder o trabalho já feito, pois é um processo cumulativo e gradual com apoio do estado. Infelizmente, com a união da área da Cultura no Estado para uma Secretaria comum ao Esporte e Turismo demonstra a ignorância e a importância que a Arte tem para este governo. A criação de um comitê gestor formado por 3 membros do conselho é uma aberração democrática, uma arbitrariedade administrativa e de uma traição enauseante. Isto permitirá, finalmente que projetos “aprovados” pelo governador possam ser aprovados dentro do conselho.
Claudia e Rafa - Nunca entramos com nenhum projeto junto ao conselho de cultura da secretaria de cultura, fomos escaldados e esclarecidos por colegas e amigos antes que nos dispuséssemos a gastar com impressão de projetos, orçamentos, etc neste sentido. Conhecemos conselheiros que abandonaram o grupo devido às irregularidades cometidas e aprovadas no conselho. O caso que recentemente mais mobilizou o grupo de artistas catarinenses foi o da concessão de verbas públicas ao projeto de Vera Fischer que não reside no estado, quando uma das condições a concorrer era exatamente esta. Nossa indignação perante estes dois aspectos gerou o roteiro deste nosso episódio do longa coletivo. Vencedora em primeiro lugar do edital de desenvolvimento de roteiro de longa-metragem da cinemateca, 2005, eu, Cláudia Cárdenas, encontro-me, hoje, vivendo deste prêmio, já que não conseguimos atingir nem a visibilidade de nosso trabalho na mídia televisiva que sequer nos deu satisfação nas duas vezes em que concorremos à exibição do nosso Curta Ilha na RBS. Rafael Schlichting , meu sócio e marido, operou steadcam num vídeo com verba captada via lei estadual e não conseguiu receber pelo seu trabalho pois o seu salário e o de outros membros da equipe ficou congelado pelo governo estadual mesmo após haver sido integralmente captado. Sabemos que nossos problemas pessoais são os da classe inteira de artistas e técnicos do estado e solidários a eles nos manifestamos neste episódio do longa coletivo com o nosso Lula Adoré.
Breno Turnes - Infelizmente as políticas culturais do nosso estado necessitam, prioritariamente, de politicagem. Sem ela é complicado conseguir algo.
E esta é uma característica que, para mim, inexiste (ou pelo menos deveria inexistir) na essência do artista (afinal não tratamos apenas de cinema).
Jéferson Lima - Não há política cultural onde o governo nem ao menos cumpre as leis previstas para fomentação da arte. Se o mercado de arte é restrito há menos trabalho para o artista, mas talvez essa seja a sua sina: andar na contramão.
Jéferson Bittencourt - As políticas culturais são inexistentes. São na medida em que a inteligência necessária pra supri-las é débil. Sem inteligência um Estado, um País nunca sairá do lugar. Ela á única fonte. A classe intelectual (e aqui incluo alguns artistas também) patina em visões igualitárias de distribuição de renda pra arte. A arte é a mais desigual das atividades do homem. Ela não se filia a nenhum programa e nenhuma ideologia ‘socializante’. Ela depende exclusivamente dos seus próprios parâmetros pra sobreviver: parâmetros de qualidade, profundidade, transcendência e , principalmente, experiência interior. Ela é a potencialidade do que um individuo pode fazer antes de desaparecer. E nossos governantes sequer são homens que reconhecem isso...como realizar, então, um programa que possa difundir a importância da arte? Se no imaginário dos nossos homens políticos está a idéia do evento artístico, fetiche primeiro de todo político que gosta de aparecer?
Maria Estrázulas - Na verdade acho que dentro do estado, apenas está sendo reproduzido as políticas nacionais de incentivo a cultura. Para mim é grave o marketing cultural ter mais importância do que a qualidade e genialidade das produções. Mais grave ainda é o Estado financiar produções artísticas e oferecer gratuitamente propaganda para empresários. Como disse Glauber Rocha: "O Cine-imperialismo comercial é o assassinato do cinema!".
Valeska Bittencourt - É preciso que a arte se consolide como mercado independente. Para isso é preciso público que a consuma. Para que haja público é preciso que existam produtos artísticos disponíveis. E para que se fomente a produção cultural, é preciso que o governo financie os artistas.
Fabio Brüggemann - Também já escrevi bastante sobre isso, e precisaria de mais tempo para "copiar" e "colar" de mim mesmo.
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