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Flutuações literárias

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Eduardo EGS · Porto Alegre, RS
10/7/2006 · 89 · 0
 

A história da editora Bipolar pode ser contada através de meses sem que se corra o risco de soar enfadonho. Isso porque a vida da empresa (até o presente momento) resume-se a pouco mais de um ano de atividades. Pode não parecer muito, mas as coisas aconteceram de forma bastante intensa nesse período.

Criada oficialmente em maio de 2005 a partir da reunião de quatro pessoas – o Marcos Messerschmidt, o Luiz Maurício Azevedo, o Bruno Germer e o Helder Rafael, que acabou substituído pelo Cristiano Muniz, a Bipolar surgiu como surgem muitos projetos apaixonados: com muita vontade e poucos recursos. “Lançamos uma editora e publicamos livros com praticamente nenhum dinheiro. Suicídio”, lembra o Marcos Messerschmidt. Se fossemos falar em termos médicos, o lançamento poderia ser classificado como a fase maníaca da editora. Nada mais adequado se pensarmos no nome escolhido. “Bipolar é um nome que abre espaço pra brincar com as ambigüidades, os opostos, os reflexos, as contradições. Era basicamente essa a idéia”.

Movidos pela euforia

Na euforia de um empreendimento recém inaugurado, os integrantes foram em busca do seu objetivo principal: inovar esteticamente e lançar novos autores. Com belos projetos gráficos e prezando pela qualidade dos materiais, foram publicados os livros O Último Dia, do publicitário carioca Kelvin K., e Revelações para Idiotas, do Luiz Maurício Azevedo, um dos sócios da Bipolar, além de Mal Dito, do jornalista Juremir Machado da Silva, um escritor já experiente. Experiente? No meio de novos autores? Explica-se: o Juremir foi um incentivador da editora, cedendo alguns originais pra publicação e abrindo espaços de divulgação. “Claro que ele foi a estrela, condição naturalmente escolhida pelos veículos. Natural e por isso mesmo previsível. Sempre se aposta no velho, mesmo que o velho venha com cara de novo”, provoca o Marcos.

Mesmo com um escritor renomado no catálogo, a intenção da Bipolar sempre foi apostar no novo. E a inspiração veio de outra editora gaúcha, a Livros do Mal. “A Livros do Mal sempre foi uma referência pra nós, pelo pioneirismo e pelo que realizou. Um monte de caras se juntou e fez bastante barulho. Eles abriram o caminho pra todos que vieram depois com esse tipo de iniciativa, incluindo a Bipolar. Curiosamente, fomos chamados de “Livros do Bem”. Mais uma situação de bipolaridade”. E como sempre, abrir espaço num mercado fechado não é fácil. Mas a editora chegou a aparecer bastante. “Conseguimos muito mais espaço do que deveríamos ter conseguido, pela nossa total ausência de poder econômico. Isso é uma prova de que a inteligência pode, sim, romper algumas barreiras que se têm por aí”. E ainda por cima contaram com a ajuda de uma provável concorrente, a Editora Sulina. Segundo o Marcos, “até nossos livros botaram pra vender na banca deles na Feira do Livro de Porto Alegre! É gente que realmente se preocupa com cultura”. Em se tratando de uma editora novata, podia-se dizer que as coisas estavam acontecendo pra valer.

Tempos de depressão

Depois do lançamento dos livros, alguns problemas financeiros atrapalharam os planos da editora e a sociedade foi desfeita. Hoje, a Bipolar é o Marcos Messerschmidt. Mas isso não significa o fim da empresa. Muito pelo contrário. “A Bipolar está num daqueles períodos de gestação, um período depressivo. Mas a “mania” deve voltar em breve”, anuncia. Gente nova e talentosa por aí não falta, é fato. E apesar dos imprevistos no caminho, a motivação que fez a editora surgir se mantém intacta: “Aceitamos quem tem talento, escrevendo, desenhando, ou fazendo o que bem entender. O importante é trocar, intercambiar. Estou aí pra fazer mais barulho, o que sempre foi o propósito da editora”. E completa: “Mas barulho bom, já que sempre buscamos qualidade”. Pra mobilizar o retorno, a internet soa como uma boa opção, certo? “A Bipolar nunca teve site. Uma coisa a ser urgentemente resolvida. Aceitamos voluntários”. Interessados? marcosmesserschmidt@terra.com.br é o contato. Façam barulho à vontade. É hora de retomar a euforia literária.

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