LIVRO NOVO DO POETA RUBENS JARDIM

Eduardo Ferreira
A capa do livrinho e a foto do poeta Rubens Jardim
1
RUBENS JARDIM · São Paulo, SP
30/10/2012 · 1 · 0
 

O comentário é do poeta, jornalista e escritor Álvaro Alves de Faria
Rubens Jardim é uma das vozes mais significativas da chamada Geração 60 de Poetas de São Paulo. Rubens Jardim está com livro novo, “Fora da Estante”, publicado pelo Centro Cultural São Paulo, na coleção Poesia Viva, que tem o objetivo de divulgar autores com qualidade. Autores com qualidade é o caso por inteiro de Rubens Jardim, também no que diz respeito à dignidade e à ética. Por que digo isto? É que alguns nomes da chamada Geração 60 de Poetas de São Paulo pensam que só eles existem nessa geração e que os demais são coadjuvantes. Fazem uma orquestração inventando uma geração que, na verdade, existe apenas na cabeça deles. Tenho de voltar um pouco. Isso começou a ficar mais claro com aquele filminho vagabundo de Ugo Giorgetti, “Uma outra cidade”, um filminho mentiroso, desonesto, vagabundo mesmo. Mais desonestos são os poetas da Geração 60 que dele participaram como se fossem eles os únicos nomes da geração. O filminho vagabundo de Giorgetti passou na TV Cultura, como se fosse uma grande verdade, quando não passa de uma grande mentira de alguns que vivem só de teorias. Esse pessoal faz questão de ignorar os demais nomes da Geração 60. Falam, falam, falam, falam, falam, falam, falam. São ocos. Não preciso dar os nomes. Eles estão no filminho vagabundo do Ugo Giorgetti. Eu, por mim, quero distância dessa gente. Muita distância. Estou cansado desse espetáculo ridículo que causa indignação aos que ainda conseguem pensar. Recentemente um deles me respondeu a um e-mail dizendo que eu não devo estar bem. Na verdade, eu nunca estive bem. Essa politicazinha rasteira não me interessa, mas não sou obrigado a aceitá-la. Tenho um pequeno poema que escrevi há algum tempo, que cabe bem aqui porque retrata o que penso e não escondo de ninguém. É o seguinte:

GERAÇÃO 60

Pertenço à Geração 60

de poetas de São Paulo.

Graças a Deus

fugi para Portugal.

Digo tudo isso porque nessa desonestidade e falta de ética se mostra mais claramente com o passar do tempo. Coisas que a gente encontra na Internet, publicações escritas por gente despreparada, que conta uma história que não existe, ouvindo sempre os que pensam ser o que não são Isso, na verdade, começou a ficar claro com a realização do filminho vagabundo de Ugo Giorgetti e seus protagonistas, excluindo somente o nome de meu amigo querido Roberto Piva, que já foi embora do mundo. O resto é só o resto. Pensam ser os donos da chamada Geração 60 de poetas de São Paulo. Não são não, nunca serão. Eu costumo medir algumas pessoas pelo caráter. Não gosto de distorções. Isso está minha garganta desde que o filminho vagabundo foi feito, lançado juntamente com a antologia da Geração 60, organizada pelo poeta Carlos Felipe Moisés e por mim.

Mas, na verdade, o blog hoje é para o novo livro de Rubens Jardim,

a quem peço desculpas por ter entrado nesse assunto. Veio-me à cabeça de repente. Não sou de ficar engolindo vaidades ridículas e mentiras cada vez mais constrangedoras. O que vale mesmo é a poesia de Rubens Jardim, poeta digno. Por causa de poetas como ele a gente tem a sensação de que nem tudo se perdeu. “Fora da Estante” é mais um livro desse poeta de verdade, numa coleção importante. É isso que importa. Importa o trabalho, não essa conversinha de sempre de alguns que pensam ser o que não são, nunca serão. Salve, Rubens Jardim. O que dá alento é saber que ainda existem poetas como você neste país.

Deixo aos meus 19 leitores dois poemas do novo livro de Rubens Jardim que nunca cedeu às facilidades da moda na poesia brasileira que, em muitos casos, é só um lixo enaltecido pelo jornalismo cultural que não tem compromisso com nada.

EXERCÍCIOS DE VIAGEM
1
entre a via veneto
e a peixoto gomide
existe um fosso

e nenhum castelo

existe um poço
e nenhuma água

existe eu posso?
2
entre Roma
e São Paulo
eu fico com Cotia
sem caos aéreo
e sem palavras importantes
como Campidoglio
Coliseu, Piazza Navona
ou Fontana di Trevi.
Eu quero as palavras sem gala
as palavras simples
que nomeiam a maria-sem-vergonha
e um pássaro que passa
sem nome
– mas voa!

FLAGRANTE

O morto na avenida

está livre da sepultura.

Não sei se é desaforo

ficar assim estendido

no chão. Mas a morte

é a quebra de protocolo,

a entrega de uma carta

endereçada ao nada.

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