Manual da paixão solitária (Companhia das Letras, 2008, 216 p.) traz dois personagens marcantes, o jovem Shelá e a mulher pela qual está apaixonado, Tamar. Um renomado professor e sua rival se referem a esses dois personagens, em momentos distintos, em um congresso de estudos da BÃblia. É narrada, por meios dos dois personagens, e a partir de visões diversas, uma intriga de paixão que traz quatro homens e uma mulher envolvidos com hábitos ancestrais que até nossos comandam as vidas de grande contingente da população mundial e que são causa de lutas e acontecimentos trágicos. Er, o primogênito de Judá, enlaça-se em matrimônio com Tamar. Ele é castigado por Deus com a penal capital, pois não a faz engravidar. É competência do segundo filho, Onan, como reza a tradição, tomar o lugar do primogênito morto; mas Onan faz a opção de verter seu sêmen sobre a terra para que a Tamar não seja capaz de concepção, e portanto não gerar herdeiros. Essa recusa no cumprimento de sua missão, por considerá-la ato de humilhação, faz com que Deus também lhe castigue com a morte. Temente de que Shelá, o filho restante, cumpra destino similar ao dos irmãos, o pai não se sente com forças para entregá-lo Tamar. Nessa situação de desqualificação e privação de prole, Tamar faz uso de um estratagema que se tornaria uma lenda que se torna surpreendente. É essa história que Moacyr Sclyar recontado nesse livro com muito humor.
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