O ano em que meus pais sairam de férias

Guia da Semana
Cenas do Filme O ano em que meus pais sairam de férias
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Luiz Gustavo Pacete · Osasco, SP
12/1/2007 · 33 · 0
 

Cao Hamburguer estréia no seu segundo longa, o primeiro foi "Castelo Rá Tim Bum 1999", e após 4 anos de trabalho conclui o filme, "O ano em que meus pais saíram de férias". A película estreou ganhando o Troféu Redentor de Melhor Filme - Júri Popular, no Festival do Rio. Para a seleção dos intérpretes destinado ao papel dos pré-adolescentes, foram entrevistadas mais de mil crianças.

O ano é 1970, marcado pela negra presença da ditadura no Brasil. Ano manchado de dor e sofrimento, eram intensas as perseguições aos comunistas, nesta época muitos sairam de "férias", sem ter jamais retornado. Os muros tentavam dizer amargamente, aquilo que poucos eram capazes, "abaixo à ditadura". As cavalarias da polícia invadiam e assolavam os redutos estudantis.

Em contrapartida esse ano, ficará para sempre na memória, no coração e na história do futebol brasileiro. Final da Copa do Mexico, o time de Pelé, Jairzinho e Carlos alberto fez 4 a 1 contra a Itália, conquistando o tri-campeonato mundial. Em meio ao sangue derramado e omitido pela ditadura, as cores verde e amarelo, azul e branco predominavam pelas ruas do Brasil.

Mauro é filho de Daniel e Bia, eles vivem em Belo Horizonte, o garoto que é apaixonado por futebol e jogo de botão, recebe a notícia de que seus pais necessitariam tirar férias, imediatamente é levado para São Paulo, onde ficará com seu avô (Paulo Autran em breve participação), um judeu polonês que morre quase no mesmo instante em que Mauro chega a São Paulo.

O bairro é o Bexiga, lugar que se concentra judeus, italianos, gregos e inúmeras outras raças. Ao ser deixado por seus pais, que prometeram retornar, porém sem dizer quando. Mauro se depara com as portas do apartamento de seu avô trancadas e é acolhido pos Shlomo (Germano Haiut), um velho judeu solitário.

Nesse instante começa o dilema do garoto de 12 anos, ao ter que conviver com uma cultura totalmente diferente e com um velho, que até então não se sente na obrigação de ficar com o menino, mas é aconselhado pela comunidade judaica a acolhê-lo, tendo como base a história do personagem bíblico Moisés (do hebraíco Moshe, ???), que foi acolhido pela filha de Faraó. Mauro aguarda ansiosamente um telefonema de seus pais, enquanto isso ele acompanha o bom desempenho do Brasil na copa do mundo. Conhece Hanna, uma garota que o apresenta para os meninos do bairro, é um dos momentos em que Mauro consegue se distrair, a partir dai ele começa a se aventurar mais com seus colegas, sempre com a esperança de que seus pais vão regressar.

Cao Hamburguer provou mais uma vez que tem talento para lidar com crianças, e também por isso consegue dar uma leveza ao filme, independente do tema de fundo. Com um apelo sentimental na hora de tratar as boas lembranças do futebol desta época e a sutileza com que tratou um assunto tão triste para o Brasil como a ditadura.


Texto: Luiz Gustavo gustavo.pacete@revistanucleo.com.br

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