Autor traz à tona pano de fundo hard-core da cenografia secreta do cotidiano. Obra é a primeira edição do suplemento literário “Enquanto cagas”, que tem formato especial para ser fixado no banheiro e lido como sugere o título.
Entre vampiros que prescindem do uso de inalienáveis presas e histórias de amor produzidas em massa (remontando positividades e castidades que assustariam Pollyannas e ícones dos Romantismos), a literatura e seus autores sofrem uma autopatrulha do politicamente correto com vistas a uma chance maior de vendas. Nesse cenário, o livro de contos “O primeiro parto” se apresenta como um oportuno contraponto a esse mais do mesmo imperante nos dias atuais. O livro, que marca a estreia do escritor mineiro, coach e consultor em comunicação Weder Vilela na literatura, será lançado na Livraria Status Savassi no dia 21 de dezembro, às 19h30, em noite de autógrafos aberta ao público. A obra chega ao mercado por R$ 29 em uma primeira edição de 500 exemplares, impressos via Edição do Autor.
“O primeiro parto” é a primeira edição do suplemento literário “Enquanto cagas”, que se propõe a ser, na teoria e na prática, um suporte para ser usado no banheiro. Patenteado pelo autor, o objeto possui formato especial em lâmina de pvc que permite que a obra seja disposta na parede e retirada para a leitura, assim como sugere o nome do acessório. O livro também é considerado inovação por ser impresso em papel sintético, para não sofrer alterações com a umidade e poder ser higienizado.
“Meu objetivo foi versar sobre o renegado lado sujo do prazer e o gozo que pode ser descoberto no lado sujo da vida, quando nos debruçamos sobre ele. É uma divertida exaltação do lado bê da vida, aquele que a gente insiste em manter sob o tapete quando recebe visita. Simplesmente eliminei o tapete e escrevi sobre o resto, coisas que imaginei, fantasiei ou vivi parcialmente”, brinca o autor, que tem como influência Nelson Rodrigues e autores contemporâneos como Marcelino Freire e Xico Sá.
Em 19 pequenas histórias, Weder Vilela devassa sem escrúpulos temas como a prostituição, o humor proibido, o vício, o suicídio, o acaso, a pedofilia, a libertinagem e o crime em suas variadas formas. O objeto de “O primeiro parto” é o lado tosco presente em cada indivíduo, do padre à prostituta, da criança à apresentadora de tevê, personagens párias ou simplesmente sujeitos ordinários das grandes cidades ou do interior. Nos contos, o autor trabalha múltiplas vozes ao transitar nas lacunas e na descontinuidade de pensamentos dos personagens, e ao assumir a posição do narrador onisciente, que tudo vê.
Suas reminiscências da infância no interior de Minas Gerais são retomadas apenas como pretexto para potencializar uma abordagem sobre a violência e o sadismo (em “Libertos”). Em outro momento, se a emoção e o sentimentalismo são aguçados (em “Acasos”), é apenas para dar ênfase à fatalidade dos acontecimentos que se precipitam nas frases seguintes.
O autor se deleita na ideia do “pixel”, enquanto menor unidade para a representação imagética da realidade, com abordagens que ora flertam com o nonsense (em “Pixel”), ora emulam discursos tecnicistas transcendentes ao próprio discurso literário (em “Anais de congresso”), e ora importam um ritmo epopeico (em “Seus dois momentos”). Weder faz dessa palavra uma alegoria para um exercício de futurologia, retomando inclusive a fértil discussão sobre a relação entre inteligência artificial e existência humana. É a escatologia sendo abordada também em sua vertente menos conhecida, que trata do destino final do homem e do mundo que o abriga.
Propõe-se a uma literatura que não se obriga a explicar; ao contrário, vai de um ponto ao outro do discurso sem se preocupar com um sentido exato e pronto - deixando ao leitor a saborosa tarefa de terminar de preenchê-lo. Provocando uma constante vergonha alheia e um dicotômico prazer, “O primeiro parto” é uma crônica e crítica social escrita em pontuação hesitante, que insiste em abdicar do ponto final, assim como na fala. Propõe um salto sem paraquedas no submundo humano, no lado insuportavelmente vulgar e obsceno de cada um de nós, aquele que insistimos em ignorar em função da convenção politicamente correta que domina o mainstream. O tipo de livro que é adorado por alguns tantos e odiado por vários outros, mas que, dificilmente, é ignorado.
Serviço
Lançamento do suplemento literário “Enquanto cagas” e do livro “O primeiro parto”, de Weder Vilela
Data e horário: 21 de dezembro, às 19h30.
Local: Livraria Status.
Endereço: Rua Pernambuco, 1.150, Savassi. Belo Horizonte/MG.
Preço: R$ 29
Sobre o autor: Além de escritor, Weder Vilela é coach, consultor de empresas, MBA em Marketing Estratégico e mestrando em administração. Natural de Ouro Branco, Minas Gerais, reside atualmente em Macacos (São Sebastião das Águas Claras, MG).
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