Por Enio Vieira
A exposição “Outsiderâ€, de Oscar Fortunato, reúne um conjunto de trabalhos inspirados na obra do cantor e compositor norte-americano Bob Dylan, um dos maiores sÃmbolos da cultura contemporânea mundial nos último 50 anos. Em 35 peças, Oscar traduz em imagens os versos de canções, alguns dos personagens que povoam as letras de músicas e as figuras de carne e osso que fazem parte do universo do autor de clássicos como “Blowin´in the wind†e “Like a rolling stoneâ€. Tudo concebido com o espÃrito de inquietação de quem evita ser apenas um “estabelecido†– afinal, na cultura anglo-saxônica, o established se opõe ao outsider.
Os visitantes da exposição não vão conhecer mais sobre a vida de Bob Dylan, as curiosidades que constam de livros e filmes biográficos de hoje. O que o trabalho de Oscar permite é um mergulho na obra artÃstica do grande compositor, numa canção ou somente num verso que parece isolado, mas que ganha nova dimensão ao ser traduzido em telas, gravuras, objetos ou “linoplastos†(material criado por Oscar). Na exposição, aparecem outros “fora do lugar†incorporados à obra de Dylan: Edie Sedgwick, Lenny Bruce, Allen Ginsberg. Ganham forma personagens de canções: John Wesley Harding, Billy the Kid, a famÃlia de Maggie´s Farm. Ilustrações de aranhas espalhadas pela galeria, numa menção ao livro “Tarântulaâ€, de Dylan.
Uma das referências diretas de Oscar é a Pop Art, que começou nos anos 1960 a utilizar elementos da indústria cultural nas artes visuais. Há telas com retratos de Dylan em três tempos, mostrando o jovem Robert, o cantor maduro e o artista já mais velho e ainda inquieto de hoje. O público vai encontrar um cubo feito com fitas de vÃdeo VHS, na instalação batizada ironicamente de “The times they are a-changin´â€. Ironicamente porque, em tempos de MP3, Oscar é um admirador de long plays em vinil, com o seu som rico e capas elaboradas. Por isso, a exposição inclui um toca discos com a inscrição “This machine still kills fascists†– sentença que, sem o “stillâ€, era o lema escrito no violão de Woody Guthrie, um dos Ãdolos de Dylan.
A Pop Art foi um dos caminhos de aproximação entre arte e vida, após os anos de abstracionismo com sua defesa da autonomia artÃstica em relação ao mundo. “A pop [art] americana – principalmente nos trabalhos de seu artista mais significativo, Andy Warhol – tratou de incorporar ao repertório da pintura toda uma série de emblemas da indústria cultural, no que seria uma superação da diferença entre alta e baixa cultura. Mais: encontrou uma forma pictórica que revelava com precisão a mediação dessas imagens onipresentes que se interpunham entre os homens e a realidadeâ€, diz o crÃtico de arte brasileiro Rodrigo Naves, num ensaio recente, de 2004.
Oscar recorre em “imagens onipresentes†da cultura norte-americana, como a tela que traz a imagem do deserto, para exibi-las a um público no Brasil. Ao mesmo tempo em que ocorre a exposição, serão espalhados adesivos pelas ruas de Goiânia e BrasÃlia, em postes de luz e paradas de ônibus. Moradores podem dar de cara com uma frase da canção de Dylan em vários pontos dessas cidades, ainda que não saibam que se trata de uma exposição de artes visuais. Imagine ler, em plena rua, letras de Dylan traduzidas num português coloquial: “se você não pode trazer boas novas, então traga nenhumaâ€, “eu vi armas e espadas afiadas nas mãos de crianças†ou “não pense duas vezes, tá tudo bem!â€.
No trabalho de Oscar, a simpatia pela “street art†vai além de questões estéticas. Ele costuma sair, por exemplo, pelas ruas de Goiânia, cidade onde vive e trabalha, com os olhos atentos a pedaços de madeira jogados no chão e que podem virar os chassis de suas telas de serigrafia. O que as pessoas consideram lixo pode ser usado novamente, apontando para um lado de preocupação com o meio ambiente. Esse contato com os materiais se estende à sua relação com toda espécie de tinta. De tanto misturar cores e usar técnicas como a vulcanização, surgiu um novo material que ele batizou de “linoplasto†(“lino†de camadas sobre camadas e “plasto†de plástico).
Como sempre usou a serigrafia nos trabalhos, Oscar descobriu o “linoplasto†ao colocar várias camadas de tinta sobre uma placa de metal. Ao esquentar o material com fonte de calor (a vulcanização), ele percebeu que as tintas se transformavam em algo sólido. Surgiu o material que lembra uma borracha, podendo até ser lavado. Os “linoplastos†e essa interpretação original da obra de Bob Dylan poderão ser conhecidos pelo público em geral na exposição “Outsiderâ€.
Outsider
Esposição individual do artista plástico Oscar Fortunato
Inspirada na obra de Bob Dylan
Goiânia
1º de outubro a 1º de novembro
Vernissage – 1º de outubro, às 20h
Potrich Arte Contemporânea
r.52, 689 Jd.Goias
Goiania - Go 74.810-200
62 39450450 62 96453445
www.martepotrich.blogspot.com
Assessoria de Imprensa
Lydia Himmen - 84283867 | 32782582
Atelier Oscar Fortunato
Rua 114, 70. St Sul. Goiânia. Goiás
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