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Perfil Cinemático: Dalson Carvalho

Dalson
O Cineasta Dalson Carvalho na filmagem do filme Zila
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Jornalista81 · Brasília, DF
30/11/2007 · 54 · 1
 

Dalson Carvalho é um diretor de cinema independente piauiense de 24 anos, é formado pela Academia Internacional de Cinema de São Paulo com especialização em fotografia e edição, mas acredita que sua maior escola é a vida. Na pré adolescência assistiu o filme Ghost – Do outro lado da vida, em seu primeiro e mágico contato com o aparelho videocassete de duas cabeças. Pegava emprestado o videocassete da irmã e alugava filmes na conta que sua tia, Vilma, abriu de presente para ele em seu aniversário de doze anos, em uma locadora de VHS. Economizava o troco da merenda na escola para alugar filmes no fim de semana, e como os filmes de terror são os mais baratos, eram estes os mais assistidos, alugava na promoção leva 3 paga 2. O gênero do filme não importa, o que encasquetava a mente do jovem Dalson era a questão "Como isso tudo foi parar dentro dessa fita?". O princípio do pensamento cinematográfico já se instalava em sua cabeça. As câmeras alucinantes e o terror esculachado de Evil Dead, filme do diretor Sam Raimi, despertaram a noção da presença da câmera, e as peças começavam a se encaixar. Com 14 anos Dalson decidiu “vou copiar o mundo com a câmera para uma fita de video”.

Filmar em Piauí
Filmar no Piauí se mostrou uma tarefa difícil. “A iniciativa privada é ignorante culturalmente, e os interesses nos lucros superam qualquer desejo de se formar indivíduos de pensamento lúcido”. Dalson caiu fora, foi tentar o mundo.

Estrelas de rolliude e filmes artísticos
A mãe de Dalson é o seu incentivo. Foi ela quem comprou um vídeo cassete de quatro cabeças, e eles criaram o hábito de assistirem juntos aos filmes do Bruce Willis e do 007. Até hoje fazem isso, mas a modernidade chegou, assistem em DVD hoje em dia. “Eu penso em fazer um filme para ela” Diz Dalson, “pena que eu não goste mais de filmes de ação, nem de estrelas rolliudianas, por isso, pretendo criar algo mais artístico, que possa toca-la da mesma forma que o cinema me tocou”.

Egos
Para Dalson a falta de cooperação está entre os piores problemas que se pode ter em um set de filmagem, mas no cinema esse problema é acentuado “é um encontro de egos” diz.”Em alguns filmes que trabalhei, o filme fica em segundo plano, dando espaço para o desfile circense de celebridades que tudo sabem”. Mas não há outra forma de aprender este ofício, o jeito é “experimentar, com o coração e a mente abertos”.

O Elenco no lugar do Elenco
Dalson não tem muitos problemas com atores. “Utilizo o método da amizade. Deixo que eles entrem na minha casa, conheçam a minha família, criando uma relação íntima. Dessa forma eu vejo logo quem vai dar certo e quem não serve para o filme”.
Nos testes de elenco Dalson e o ator ou atriz saem para algum lugar, conversam e interagem, conversam sobre assuntos diversos. “Dessa forma”, diz Dalson, “se um ator causa algum problema, me sinto aberto o suficiente para lembra-lo de sua posição. Segura a tua onda!”.

Filmes Independentes
Para filmar independentemente é preciso dinheiro. Dalson descobriu uma forma muito independente de filmar, ele oferece cursos de fotografia, roteiro, preparação de atores e cobra pelos cursos. Ele investe o dinheiro dos cursos nas produções cinematográficas, “os filmes se adaptaram ao formato 300 contos”, diz Dalson.

Edição
“Durante as filmagens do meu primeiro longa-metragem Depois de Nós, usei a câmera parada, evitando possíveis cortes de edição. O espectador tem a liberdade de contemplar os quadros como se fossem pinturas”.
“Numa palestra com Daniel Rezende sobre edição, questionei a manipulação do corte, aquilo que somos obrigados a ver, porque alguém está nos dizendo para onde olhar”.
“Com o filme Depois de nós, procurei me aproximar do poder da câmera estática. O expectador também é responsável pela edição, assim como na pintura, você monta o filme. Você decide o que olhar, quando quiser, e em qualquer momento”.
“Os filmes de Goddfrey Reggio (Koyaanisqatsi, Powaqqatsi, Naqoyqatsi), não representam só uma libertação da manipulação, como também a construção de uma experiência totalmente nova, supera o próprio cinema, colocando-o no patamar de arte, com vibrações inferiores e mortais, aprisionada num ambiente bi-dimensional”, afirma Dalson.

Filmografia:
Longas:
Depois de Nós (Ficção - São Paulo 2006 - Direção Roteiro)
Todos os Dias ( Comédia - São Paulo 2006 - Fotografia)
O Messias e o Narrador (em produção. Comédia - Teresina 2008 - Direção, Roteiro)

Curtas:
Sem Sentir (Experimental - Teresina 1998 - Direção, Foto, Roteiro)
Limítrofe (Drama - Curitiba 2005 - Direção)
Tormenta (Ficção - Curitiba 2005 - Roteiro)
Zilá (Drama - São Paulo 2006 - Fotografia)
A Conquista do Espaço (Ficção - São Paulo 2006 - Roteiro, Fotografia)
A Casa Rosa às 5inco Horas (Experimental - Teresina 2007 - Direção, Foto, Roteiro)
Corpos Humanos (Ficção - Teresina 2007 - Direção, Foto, Roteiro)
Quem São Os Mestres? (em produção, Documentário Experimental - Teresina 2007- Direção, Foto, Roteiro)

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Cineasta81
 

Muito bom! Estimula a criação

Cineasta81 · Bauru, SP 30/11/2007 18:53
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