Resenha: A Prosperidade do Vício, de Daniel Cohen

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Paulo Avelino · Fortaleza, CE
22/6/2013 · 0 · 0
 

COHEN, Daniel. La Prospérité du Vice: une introduction (inquiète) a l´économie. Paris: Éditions Albin Michel, 2009. 283p.

Porque o Ocidente ? O mundo se ocidentaliza mas a supremacia poderia muito bem ter cabido à China ou à Índia, ou aos reinos muçulmanos ou aos Incas. Tal pergunta serve de ponto de partida para o livro.

Com tal assunto tão extenso, o autor decidiu focar períodos específicos. O primeiro destes explica o próprio título. A História de Juliete ou as Prosperidades do Vício se trata de uma obra do arquicélebre Marques de Sade, com a temática que se pode imaginar. O professor Cohen faz uma ligação com a lei de Malthus. Comprime a história econômica do mundo desde o princípio até o século XVIII sob a lei férrea dos rendimentos decrescentes da agricultura, comparados com o crescimento em exponencial do número de pessoas. O mecanismo era simples e triturante: a prosperidade econômica ensejava o aumento da população. A maior demanda de alimentos ocasionava a ocupação de terras piores, a inovação tecnológica produzia cada vez menos. A menor disponibilidade de alimentos per capita causava a fome e a população diminuía.

A indústria rompe esta lógica da indigência. Os inovações do século XVIII puxando uma à outra criam uma dinâmica de progresso que evita o gargalo da lei de rendimentos decrescentes mas cria uma ilusão perigosa: a da possibilidade (ou mesmo da necessidade) do crescimento ilimitado.

Este vício se evidencia na resposta que é dada à grande crise do sistema a partir de 1929. O sistema keynesiano e a amplificação da previdência social ocasionaram (para os países ricos ao menos) trinta anos de prosperidade e segurança a partir do fim da Segunda Guerra. Tal sistema entrou em xeque com a crise do petróleo dos setenta porque era um sistema intoxicado em crescimento – tudo estava bem com a economia sempre maior. Quando isso não acontece, o sistema trava.

O constrangimento dado pela possibilidade (ou pela contingência) do não crescimento puxa o fio da última parte do livro, que se refere aos três grandes problemas da atualidade: os recursos ecológicos limitados, o craque financeiro e o capitalismo imaterial, e de quebra o ressurgimento da China e da Índia.

O professor Daniel Cohen traça um painel amplíssimo da economia mundial desde o neolítico. Quis escrever um livro de leitura leve, para não-especialistas, e sem estatísticas: em todo o livro não há um só gráfico ou quadro. Tem o mérito de evitar se constituir em uma torcida pró-liberalismo, como quase todos os livros de economia hoje o são. Com os propósitos de seu autor, a obra ganha em prazer na leitura e perde em rigor. No entanto, na saraivada de opiniões desencontradas sobre o assunto, este livro pode servir como algum guia que sintetize o que aguarda o mundo no futuro próximo.

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