SENTIDO - FLAVIA BITTENCOURT (SOM LIVRE, 2005).

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PENHA DE CASTRO · São Luís, MA
3/7/2013 · 0 · 0
 

Primeiro álbum da cantora e compositora maranhense Flávia Bittecourt, “Sentido” é uma obra prima, sendo inclusive pré-selecionado ao para o Grammy Latino e para o Prêmio Tim de Música, tendo com principal ingrediente o timbre maravilhoso da cantora.
Com participações de Dominguinhos, Renato Braz, Quinteto em Branco e Preto e do maestro Laércio de Freitas, o álbum apresenta para o mundo o lirismo e a singularidade da música feita no Maranhão ao lado de perolas da MPB, com referências marcantes de elementos da cultura popular maranhense e nordestina. Apesar disso foge ao estereótipo de ser um disco regional e folclórico, perfila-se mais ao conceito de musica do mundo, mesclando-se também a elementos da musica pop. No repertório, músicas autorais e de outros compositores como Zeca Baleiro, Josias Sobrinho, Martinho da Vila e Raimundo Macarra.
“Terra de Noel” de Josias Sobrinho, que foi incluída na trilha sonora da novela “América” da TV Globo, é um samba de altíssima qualidade, é uma espécie de autoafirmação de uma artista que está pronta para romper fronteiras, vencer com seu talento e conquistar o mundo: “Não vou tirar meu chapéu pra qualquer vagabundo, nasci na terra de Noel, sou cidadão do mundo...”
“Flor do mal”, composição de Cezar Teixeira, que é parte do repertório do cultuado “Bandeira de Aço”, do Papete, ganha ares de clássico reinventado, a doçura da voz da Flávia, reverte em sentimentalismo a rebeldia áspera dos anos da repressão. Os versos revoltosos de Cezar recebem uma atmosfera saudosista, que reforça o espírito de preservação cultural própria dos maranhenses.
“Boi de lágrimas”, de Raimundo Macarra, com tons apoteóticos, é uma esplendorosa toada de bumba-meu-boi, carregada de lirismo e emoção, uma bela lembrança do folguedo que é o ápice da expressão cultural do Estado.
“Vazio”, de autoria da própria Flávia, tensa, é do meu humilde ponto de vista a melhor musica do álbum, versos melancólicos e por que não dizer “depressivos”, descrevem a solidão de um prisma singular: “Pressinto que esse vento leve, leva algo que carrego comigo, assim como a chuva que cai e com a corrente vai e não volta mais. Pode o vazio, ser assim tão frio, e me encher de mágoa e solidão, mas eu preciso sair desse abismo e me esvaziar de vez de tanta escuridão.”
Também de autoria da Flávia, “Sentido”, a faixa titulo do álbum, parece antagonizar “Vazio’, com versos carregados de otimismo e esperança, o lirismo vence a dor e desespero ante ao caos, o sentimento é de pura liberdade: “O que posso encontrar se aqui bem depois do mundo eu voar, talvez ainda fosse estar a vida de quem não sabe voltar e se achar.Todo pensamento leva nada e mais sem razão talvez seja ilusão que o escondido não pode ter sentido como uma canção. O que quero encontrar se aqui bem depois do mundo eu olhar, sei que ainda vai pulsar a força que sempre resta pra buscar e se achar.”
“Estrela do Mar”, também conhecida pela preciosa interpretação de Maria Bethania, conta a estória do amor impossível ou quase, entre um grão de areia da praia e uma estrela do céu, é emoção pura.
Destaque também para “Canto de Luz”, de José Pereira Godão, que traz para o álbum a magia dos toques de caixa da festa do divino, memória emotiva da religiosidade maranhense.
“Sentido”,é um daqueles álbuns que a cada faixa nos enche de emoção e sentimentos variados, a gente ouve e acredita, que tudo sim pode ter sentido como uma canção.

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