Dentro da casa de porta e janela amarelas
havia uma canção.
Tão sofrida quanto sua parede azul,
tão distante quanto meu pensamento.
Fui buscá-lo no mar,
nas ondas de tímidos movimentos,
nas águas sujas e hostis,
nas pedras frias e inúteis.
E de novo ouvi a canção.
Já não era mais a canção amarela.
Eram todas as canções
que me provocam o mar.
Não quis pensar, não pude pensar.
Estava exausta,
como estou agora,
como estarei nos próximos séculos.
A rima deu adeus aos meus versos.
O amarelo vivo das minhas palavras
abandonou-me à porta,
sem abrigo, sem um ponto de sombra.
Só me resta o azul sofrido,
o coração exposto no varal,
alguns versos tristes no papel
e esse interminável barulho de mar
aqui dentro.
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