Eu tinha vinte e dois anos de punheta, pornografia e taras inconfessáveis. Vinte e dois anos tentando me matar sem conseguir. Vinte e dois anos me escondendo, sentindo um medo fudido. Vinte e dois anos de olhos molhados e vazios perscrutados. Vinte e dois com a sensação repetida, ano a ano, de que nunca seria possÃvel dançar com Jussara Belas-pernas. Cristina ou SÃlvia. Nomes e mais rostos e mais carnes em banheiros convulsivos, e madrugadas poluÃdas. Eu sempre fui um bunda-mole incorrigÃvel.
Mas aos vinte e dois anos perdi o cabaço. Antes tarde.
Lembro que depois de quinze minutos sem esporrar, a putinha saltou de cima do meu pau e cuspiu algo mais ou menos assim.
- Gato, dá pra você curtir MUUUUITO com sua namorada...
Acendi um Marlboro e fiquei calado. O rosto vermelho, os olhos molhados.
Isso foi em 1996. Tudo o que sei de sexo e putaria aprendi com as piores putas. As mais feias, claro, para não ter ilusões, tampouco esperanças.
Teve outra, eu gozei, mas continuei a putaria. Ela tava de quatro e não viu. Mas a porra começou a sair pela camisinha. A negrinha saltou da cama direto pra privada, falando todos os palavrões possÃveis e catalogados até então. Só faltou me chamar de viado.
Acho que tenho um filho perdido por aÃ, de alguma puta que já deve ter morrido de Aids ou coisa pior. Um filho com dentes de vampiro.
Qual deve ser o seu nome? Será traficante? Ou dado à cafetinagem? Espero que ele não caia na bobeira de virar escritor.
Prefiro imaginá-lo assim. E não como uma filha, outra puta chupadora de piroca. E com um cu de aço para engolir tudo o que vier na reta – ou no reto.
Uma terceira. Essa não saltou do meu pau depois dos quinze minutos. Não. A sacana, sem qualquer aviso, enfiou três dedos no meu cu, aos gritos de “Sai de cima, seu puto! Sai!â€
Essas lembranças são tão inúteis quanto qualquer pretensão literária. Não valem uma lata de salsicha Carioca.
Acho que sou assim por causa do tamanho do meu pau. Fiquei brocha muito antes da hora. Hoje também sofro de ejaculação precoce. Procuro a oportunidade de matar a pauladas e pontapés a primeira grávida que der bobeira na minha reta. Não gosto das grávidas e da falsa esperança que elas representam.
Crônica vadia.
Diferente abordagem sobre o tema: putaria. Texto diferente, mas reflexivo. A introdução foi bastante engraçada.
Martinha Rodrigues · São Paulo, SP 10/10/2015 21:28Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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