Um centauro-
para Moacyr Scliar em seu 70º aniversário.
meu belo brasileiro
meu judeu, uma casa cheia de portas
judeu, em tudo e tanto o riso, o peso ritual, ajuda e
gente
carregas em triunfo aquelas vozes pela calçada
um menino faminto no porto, madeira, bares, Oswaldo
em ti, o bem e o mal dos milênios, querendo o descanso
de um corpo nu
as letras abertas e mudas, os signos do Céu, tropeço
mas a alegria desses carnavais suados, do lado negro
da América
com seus dias esquecidos e suas dores em latas,
escritórios de uma longa solidão
sem plantas, pessoas sem raiz, comércio e silêncio de
loucos
roubaram a história- mas você, você está atento
corre, morde a vida e descobre Aranhas no entrelinhas
a letra, que brigava com a voz, retorna voa e bela
e faz serenatas de amor cafona, ao luar,
que, alto, ri de si mesmo
você é O Multidão, eu te reverencio, espÃrito da Rua
duende dos campos anteriores, nessa terra de
emergências
Eu te reverencio pela valsa da memória.
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