Sempre quis estar no palco, mas sempre procrastinou, e com isso pecou, um pecado doído e tangido na alma, para a eternidade, pois a arte esteve sempre e continua, borbulhando no sangue, que corre em seu corpo, acelerado, com pressa, antes que a eternidade chegue.
não, não queria a cochia, queria o cara a cara, desnudada, de alma e boca aglomeradas de palavras, palavras essas que chegariam velozes à platéia, e diria tudo, vindo do profundo do ventre, chegando aos atentos ouvidos, e ainda com o eco do teatro lotado, em silêncio profundo, prontos para ouvirem, pois sabiam que no chão jogaria seu coração.
Agora sua estética ficou perdida, no caminhar dos anos sem querer e poder cuidar. Restou-lhe sua voz, forte e de boa dicção, mas que não lhe confere nem um ganho por isso.
Não tem como dissocia-las, do corpo cansado e pesado, fartamente cheio de dores concretas, e as abstratas caminhando ao lado.
Ficou sómente no palco da realidade, onde desempenhou seus afazeres, com amor, mas sem muita bagagem para tal.
Quando o amor tocou seu coração, e seus ólhos acenderam para o florir do peito, como primavera em abundância, entregou-se inteiramente, com sua juventude intacta e inocente , com o corpo alto e esbelto, com seu sorriso largo, gargalhando como se fosse uma festa em flores, que bailavam em seu peito bálsamo.
Sem pensar em nada se entregou, e dessa entrega profunda e amando, foi presenteada com dois seres lindos e saudáveis.
Não queria pensar, em uma pergunta que as vezes vinha em sua mente, não, não queria, pois essa pergunta não combinava com o que vivia, mas pensou.
E se tudo um dia se acabar?
E um dia tudo se acabou.
Como tudo um dia finda, a alegria de outrora, a dança nos salões espaçosos, o amor em lugares tantos, com uma paixão quente e explosiva, mas tudo se acaba. E tudo findou.
Ainda assim, acabado o amor, passado alguns bons anos, o destino pregou -lhe uma peça, não no teatro, no palco como sempre quis estar, mas na alma, no coração, e como um golpe sem freio e desatinado, a vida carregou uma filha sua.
Não! não quis a cochia, mas sem a garra necessaria, hoje corre os dedos acelerados no papel ou nos teclados, pois atrás das cortinas decerradas e desbotadas, lhe resta o gritar da alma em pranto, com letras desenhadas e fluindo, e a constante necessidade de escrever, para poder seguir o caminho que lhe coube, poia a procrastinação, lhe deixou com miutas indas e vindas, sem a paz e o pouso que pensou um dia, encontraria tempos antes de sua partida eterna.
Só lhe restou a cochia, pois o palco e a platéia, ficaram vazios e abandonados, depois de um longo tempo de espera, espera por ela, mas não conseguiu chegar.
Hoje, continua ainda com seu afazeres, sem muito talento, mas foi o que restou, pois deixou o tempo fugir entre os dedos, e a vida truxe muitas dores e tristezas, e então faz da escrita, o palco para dançarem os dedos.
um relato de como não podemos deixar o tempo correr, sem que corramos atraz dos sonhos, pois o tempo corre, e não espera para que se realize nossos desejos, e que assim faça com que se fique com um gosto amargo na boca, e uma pergunta recorrente no cérebro. porquê? quando o tempo passa, chegam as dores, as tristezas, as perdas, e aí, se temos nossos sonhos realizados, temos algo para continuar, pois sem algo que nos satiafaça, a vida fica muito pequena.
Não tenho palavras.
nada poderia aplacar essa dor. Eu sei. Eu sinto.
E a admiro. Porque nao sou forte assim. Nao mesmo!
Só quero que saibas que sempre tera meus aplausos......porque no palco da vida.......vc é uma estrela que brilha em intensidade e tem luz propria.
Creia que esse alguem que partiu, te ve te sente te ama..... e deseja o teu sorriso!
choro sua poesia, mto.
bjssssssss poetisa.
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