O Caminho de Volta

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Andre Lubec · Brasília, DF
14/9/2010 · 0 · 0
 

Somos seres sociáveis. Precisamos da sociedade para nos desenvolver. Desde nossas primeiras células, nosso sistema biológico é nosso único referencial sobre o que terá que acontecer. Desde nossa fase embrionária, já somos os gestores de nosso crescimento. Ainda como simples aglomerados de células inconscientes, vamos nos personalizando através de uma complexa e solitária construção de nossa inteligência corporal e psíquica.

Claro que, para tanto, recebemos o alimento físico e afetivo de nossas matrizes genitoras. Nossos pais nos contemplam com toda a matéria prima genética, do sangue e dos nutrientes necessários para essa magnífica obra que somos nós. Porém, somos nós mesmos os construtores desse templo. A mão-de-obra é nossa. Toda a execução da obra é nossa responsabilidade e nossa autoria.

Nascemos totalmente envolvidos em nós mesmos. Desde pequeninos, nossos cuidadores, geralmente nossos pais, nos ajudam a vir para fora, a conhecer o mundo de fora e, mais do que isso, a viver nele. Somos violentados inversamente. Forçados a sair de nosso mundo confortável, rico de nossas referências naturais, nosso centro a quem originalmente alimentamos, e de quem somos alimentados.

Parece haver algo muito interessante em certas pessoas, em suas formas de ser. É comum invejarmos, secretamente, o indivíduo que parece estar bem consigo mesmo. Parece haver um mistério, um mistério sedutor na conduta de alguém que se respeita. Alguma força interna parece movê-lo de maneira focada e determinada, pensamos.

Eventualmente até mesmo um autista parece estar melhor que nós mesmos. Parece mais centrado em si mesmo, sem necessidades de se desgastar na tentativa de agradar as pessoas ou atender a demandas fúteis. Um autista está dentro de si, e está bem. E continuamos tentando despejá-lo de si mesmo. Porque não suportamos a idéia de ficarmos dentro, porque estaríamos em contato com o que não queremos saber que somos. Então não admitimos que alguém o faça.

Algumas vezes, parecemos um bando de loucos soltos nas ruas, procurando.. Procurando outras pessoas, outras atividades, outras razões, um passatempo, um alimento, uma diversão, mais um prazer, alguém especial, algo que venha acudir nosso vazio, procurando nós mesmos. E, olhamos pelas janelas das casas e, não acreditamos quando vemos alguém aparentemente tranqüilo em seu lar, consigo mesmo.

Quando já não há como sair, como resolver, então recorremos à fonte, em nós. No fundo do poço estão as reservas do posso. “Eu posso” é o grito do ser, quando já não há mais como contar com os recursos externos. É quando percebemos que nossas respostas estão dentro. A resposta está exatamente no que deixamos para trás. A sensação de impossibilidade é ironicamente a da possibilidade contida. Se eu aprendo como não poder, aprendo como poder.

Só aprendemos o caminho de ser livres se conseguimos percorrê-lo de volta para dentro de nós mesmos.

por André Luiz Braga Queiroz
Setembro 2010

www.lubecpsicologia.wordpress.com

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