Os Hippies – Hunter S. Thompson - Parte 1

Imagem | Flickr CC Arnooo
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Eder Capobianco · Assis, SP
22/8/2014 · 2 · 0
 

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Tradução – Eder Capobianco Antimidia

O melhor ano para ser hippie foi 1965, mas não se tem muito a escrever sobre isso, porque muito do que aconteceu não foi em publico e muito do que aconteceu em lugares privados era ilegal. O verdadeiro ano hippie foi 1966, apesar da falta de publicidade, que em 1967 veio como uma avalanche em âmbito nacional na Look, Life, Time, Newsweek, a Atlantic, o New York Time, o Saturday Evening Post, e até a Aspen Illustrated News, que fez uma edição especial sobre hippies em agosto de 1967 e teve um recorde de vendas de seis cópias de uma tiragem de 3.500. Mas 1967 não foi realmente um bom ano para ser um hippie. Foi um bom ano para vendedores e exibicionistas que chamavam a si mesmos de hippie e deram entrevistas coloridas para beneficiar os meios de comunicação de massa, mas os hippies sérios, com nada para vender, descobriram que tinham pouco a ganhar e muito a perder virando figuras públicas. Muitos foram perseguidos e presos por não outra razão que senão a sua repentina identificação com o chamado culto de sexo e drogas. O barulho da publicidade, que parecia só uma piada no começo, se transformou em um deslizamento de terra ameaçador. Então algumas pessoas que poderiam ter sido chamadas de hippies originais, em 1965, tinham caído fora da vista no momento em que os hippies se tornaram um modismo nacional, em 1967.

Dez anos antes a Geração Beat passou pelo mesmo caminho confuso. De 1955, a cerca de 1959, havia milhares de jovens envolvidos em uma subcultura boêmia próspera que era apenas um eco no momento em que os meios de comunicação chegaram em 1960. Jack Kerouac foi o romancista da Geração Beat, da mesma forma que Ernest Hemingway foi o romancista da Geração Perdida, e o clássico“beat” de Kerouac, On the Road, foi publicado em 1957. Ainda no começo da década de 1960 Kerouac aparecia em programas de televisão para explicar a “explosão” do seu livro, os personagens em que se baseou já tinham caído limbo, para aguardar a sua reincarnação como hippies cerca de cinco anos mais tarde. (O mais puro exemplo disso foi Neal Cassidy (Cassady), que serviu de modelo para Dean Moriarty em On the Road, e também para McMurphy em Um Estranho no Ninho). A publicidade acompanha a realidade, mas somente até o ponto onde um novo tipo de realidade, criada pela publicidade, começa a emergir. Assim, os hippies, em 1967, foram colocados numa posição estranha, como heróis da anti-cultura, ao mesmo tempo em que eles também estavam se tornando uma propriedade comercial lucrativa. Sua bandeira de alienação parecia estar sendo fincada em areia movediça. A própria sociedade que eles estavam tentando abandonar começou e se idealizar neles. Eles eram famosos de uma maneira obscura, que não era bem infâmia, mas colorida ambivalente, e ainda vagamente perturbadora.

Apesar da publicidade da mídia de massa os hippies ainda sofrem, ou talvez não, da falta de um conceito que os defina. O dicionário Random House de língua inglesa foi um best-seller em 1966, ano de sua publicação, mas não tinha uma definição para hippie. O mais próximo que chegou disso foi a definição de “hippy”: “Ter quadris largos; uma garota hippy.” O verbete “hip” estava mais próxima ao uso contemporâneo. “Hip” é uma gíria, segundo o Random House, que significa “familiarizados com as últimas idéias, estilos, desenvolvimentos, etc.; informado, sofisticado, experiente (?).” Essa interrogação é suspeita, mas parte significativa de comentário editorial.

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