Voltando para casa, cansado e cheio de gripe - rezando para não cair morto na calçada -, resolvo diminuir os passos e observar o que a comunidade tijucana tem para oferecer (na rua em que desço na jornada diária rumo ao trabalho). Uma escola de música meio suspeita: fachada numa cor berrante demais, acho que laranja, com dois portões muito bem pintados de branco: um entreaberto e bem iluminado pela luz que vinha de dentro, o outro devidamente trancado para impedir que passem... pela parede.
O que chamou minha atenção mesmo fora uma creche cujo anúncio luminoso urrava ingenuidade ou pioneirismo. De longe, vinha pensando "Mais uma creche com um daqueles nomes bem ordinários, como 'Viuvinha Feliz' (para refletir o futuro estado de espÃrito de jovens empreendedoras como as chamadas 'Neymarzetes')". Chegando perto, não contive o riso.
O nome era "Esperança" alguma coisa. Uma larva (fêmea) gigante, possivelmente desenhada por um Max Fleischer reencarnado tentando fazer um retrato do Jabba the Hutt, tinha sua boca escancarada, para a qual se dirigia um bebê (macho). Pela outra saÃda, uma princesinha (com lacinho e tudo, para evitar erros de interpretação) se insinuava, completando o ciclo digestivo da ninfa.
Quem autorizou tamanha polissemia imagética? Uma pedagoga desavisada? Ou será que após o fenômeno dos programas da RuPaul, resolveram inovar e abrir um espaço para que as princesinhas de hoje se tornem as Drag Queens de amanhã?
Crônica publicada online, em perfil do autor no Facebook, em 04/06/2013, sobre uma creche que, numa leitura possÃvel, pode ser a pioneira na educação do garoto prodÃgio de hoje que será a drag que a-ha-za no amanhã.
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