Quem ousaria discutir que o Rio de Janeiro é a Hollywood brasileira? Nas ruas, a caminho do trabalho, quem não anda com ar de quem passou pelo menos um par de minutos em frente ao espelho, imaginando ou ensaiando uma cara de espanto ao ser assediado por um paparazzo ou aspirante a repórter de TV, não passa de figurante.
Em cada semáforo, über models de todas as idades aguardam com ar blasé o comando da luz vermelha obrigar motoristas a assistir ao desfile, assim que o bonequinho verde aparece fazendo pose de modelo de biquÃni apoiando-se nas pedras do Arpoador. No Centro, pedintes, pedantes e muitos pedestres invadem a faixa e por cerca de 60 segundos fazem o show sem agradecer a audiência.
Na segunda-feira passada (29), por volta das 19h30, distraÃdo em pensamentos sobre aquele tal instante decisivo do qual os fotógrafos melhor proveito tiram em cliques, testemunho o seguinte:
CENA X: Exterior. Noite. Madame XX, conhecida como uma simples ex-Helena, saÃda de Copacabana, caminha pelo Centro. Clima: ameno. Céu: nuvens esparsas, estrelas apagadas. Madame XX dignamente esconde seus mais de 70 anos sob seus óculos e um vestido azul escuro abarrotado pela bolsa e casaco de grife, equilibrando tudo isso sobre tamancos ordinários. Num passo, esticou a perna direita, com as mãos tentou proteger a intimidade e com o lado esquerdo do rosto reconheceu que seu "momento Marilyn Monroe" havia chegado e liberou um leve sorriso; com o lado direito esboçou vergonha e com os dois procurou por fãs.
Crônica publicada em 04 de maio de 2013 no perfil do autor no Facebook, sobre o glamour da vida no Rio de Janeiro.
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