PERDI O RITMO: MAIS UMA CRÔNICA FALIDA E ABORTADA

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gilbert daniel · Internacional , WW
31/10/2015 · 4 · 0
 


Os babacas dos fãs do Renato Russo. Babacas do Raul Seixas. São todos os mesmos imbecis que vestem camisas desses ídolos e consideram tal idolatria sinal de bom gosto.

Eu adoro esses imbecis, me inspiram pra caralho, sabe?

Me inspiram tanto quanto as crônicas da Fernanda Takanha ou as narratices do Paulo Coelhinho.
A estupidez humana é fonte inesgotável de inspiração e epifanias. Mais ou menos isso aí.



São todos uns bostas. Eu igualzinho a todos eles, mas com o direito de sabê-lo por completo. Ouviram?

Sou broxa, tanto quanto eles, mas apenas tenha a consciência leve de não tentar enganar ninguém.
Ultimamente estive incapacitado de organizar as ideias e fazer algumas contas. Tenho 40 anos afundando na mesma lama, a velha e broxante condição humana. Mas o mais divertido é poder rir disso tudo, escutando, por exemplo, a estupidez repetida pelos fãs de Russo & Seixas.
São todos iguaizinhos. E se acham os tais.
Piores que eles, somente os fãs do Arnaldo Antunes e os do CaêChicoGil.

Duvido que chegariam ao final de um solo de Baker ou Piazzola. Jamais digeriram o grande Borges e seus oráculos esféricos.
Tais citações representam uma humilhação a esses embasbacados incapazes de construir uma frase com sujeito-verbo-predicado.
Mas eles são os maiorais. (É mesmo? A mim não enganam.)
Eles jamais conseguiriam entender o Dia do Estupro, eles jamais conseguiriam perceber a sutil diferença entre um assassinato e doses de boa literatura (com estratégias e arapucas devidamente instaladas para confundir as tolices lírico-lisérgicas dos gurus inofensivos).
Um pouco mais sórdido do que isto, eu sei, estou quase chegando lá.
A regra é bem simples: ir até o fundo, encarar a liberdade doentia da literatura, não dizer “não” ao que nunca se diz ao porteiro do seu prédio depois do “Bom dia!”. Um outro plano, das coisas abomináveis, mais ou menos como o empalamento daquelas grávidas ou o assassinato de crianças.
Estou quase chegando lá, e isso sempre acaba comigo mais um pouco.
Até o momento que algo põem tudo a perder: a balconista sorriu pra mim, um sorriso sem metafísica (ninguém saiu da tabacaria, ok?). Eu corri os olhos enquanto a loja de conveniência girava junto com as prateleiras e os cartazes de Coca-Cola etc.
A promessa de um coraçãozinho tolo e lírico me apareceu sob a luz de um por do sol que não havia (já passava das onze horas), certamente um jardim com flores de plásticos e canções de trovadores medievais. Sons de cordas e um jovem de barbas longas e óculos escuros se agitava no palco das estrelas (já era noite). Vai ver que a única saída é acreditar em si mesmo. Ouvir a guitarra dos loucos embasbacados, como aqueles. Sonhar com a perfeição do amor com as portas abertas.
Fudeu.




Sobre a obra

Leitura aconchegante para leitores despreocupados.

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Autoria
GD
Ficha técnica
cronica falida cronica em situação crônica pois é
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