Então a lágrima escorreu no rosto,
Enquanto os olhos afogavam-se no pranto,
Enquanto a boca chorava em silêncio
Lamentos de uma vida esbagaçada.
Então as mãos fecharam-se em punho,
Socaram o ar, espalharam a lágrima na face.
Então o peito ergueu-se belicoso,
Sedento por vingança,
Intrépido de ardor.
Então a boca rasgou um grito,
Ofendeu os céus,
Cuspiu no infinito
E o corpo caiu aflito.
Então, vencido, no chão,
contorceu-se.
Pediu a morte,
ganhou uma longa e triste vida.
Implorou a dor que partisse,
A dor ficou, viva e grunhida.
Então se entregou.
Desistiu da morte,
Aceitou a vida.
Enxugou as lágrimas,
Expôs a ferida.
Disse adeus a si mesmo
E entregou-se, em vida,
a despedida.
In: LIAL, William. "Noturno". Fortaleza: Imprece, 2003.
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