Vencido

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William Lial · Fortaleza, CE
26/6/2006 · 72 · 0
 

Então a lágrima escorreu no rosto,
Enquanto os olhos afogavam-se no pranto,
Enquanto a boca chorava em silêncio
Lamentos de uma vida esbagaçada.

Então as mãos fecharam-se em punho,
Socaram o ar, espalharam a lágrima na face.
Então o peito ergueu-se belicoso,
Sedento por vingança,
Intrépido de ardor.

Então a boca rasgou um grito,
Ofendeu os céus,
Cuspiu no infinito
E o corpo caiu aflito.

Então, vencido, no chão,
contorceu-se.
Pediu a morte,
ganhou uma longa e triste vida.
Implorou a dor que partisse,
A dor ficou, viva e grunhida.

Então se entregou.
Desistiu da morte,
Aceitou a vida.
Enxugou as lágrimas,
Expôs a ferida.
Disse adeus a si mesmo
E entregou-se, em vida,
a despedida.


In: LIAL, William. "Noturno". Fortaleza: Imprece, 2003.

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informações

Autoria
William Lial: poeta, ensaísta literário e professor de Literatura. Autor dos livros de poemas: Sombras, Noturno e O Mundo de Vidro. Atualmente colabora com a organização espanhola de divulgação de artistas pelo mundo, a Sane Society - difundida em dez idiomas ? e com alguns outros sites e jornais de literatura.
Ficha técnica
Poema publicado no livro "Noturno" em 2003. Alcançando o reconhecimento de boa parte dos intelectuais e leitores brasileiros, e de outros países de língua portuguesa.
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