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Céu Nordestino em Veneza

Divulgação
Hermila personagem, Hermila atriz
1
Marcela Gonzáles · Olinda, PE
23/11/2006 · 54 · 1
 

Este texto será publicado na próxima edição da revista Giro Cultural, em Dezembro/2006.


Após o grande sucesso de “Madame Satã”, o cearense Karim Aïnouz chegou com prestígio no último Festival de Veneza para apresentar seu segundo longa-metragem: “O Céu de Suely”.

Inicialmente surgiu o convite para o Festival de Cannes, porém, como o filme ainda não estava pronto, a responsabilidade da estréia mundial ficou para o festival da cidade italiana, que aconteceu de 30 de agosto a 09 de setembro. A projeção foi bastante elogiada e chamou atenção por ser um filme “feito no Nordeste e não sobre o Nordeste”, característica apontada pelo próprio Karim, denotando que é uma história que poderia acontecer em qualquer lugar e com qualquer pessoa dos moldes da personagem.

O longa conta a trajetória de Hermila – outra marca interessante é que os personagens têm os mesmos nomes do atores que os interpretam - , moça que volta de São Paulo para sua cidade natal, Iguatu, no interior do Ceará, com um filho pequeno e aguardando pela vinda do marido, que deveria voltar também um mês depois, mas nunca chega.

O filme tem produção de Walter Salles e direção de fotografia assinada por Walter Carvalho (“Madame Satã” e “A Máquina”), além de vários atores nordestinos da nova geração, como João Miguel e a pernambucana Hermila Guedes, ambos de “Cinema, Aspirinas e Urubus”, de Marcelo Gomes. Durante o Festival de Veneza, Hermila conversou com o Giro Cultural sobre “O Céu de Suely”, seu primeiro grande trabalho no cinema como protagonista.

GIRO CULTURAL – Qual a expectativa para este filme tanto aí na Europa quanto aqui no Brasil?

HERMILA GUEDES – Esperamos que seja bem recebido, seja visto, principalmente no Brasil, já que o filme não tem caráter comercial.

GIRO CULTURAL – Alguma identificação com a personagem? Não teve confusão na cabeça de quando começava a Hermila personagem e a Hermila da vida real?

HERMILA GUEDES – Somos uma coisa só. Eu fui tudo aquilo naquele momento. De certo me assustei um pouco com essa idéia de Karim, mas depois entendi que não podia ser diferente.

GIRO CULTURAL – Como você se preparou para a personagem e como se desvinculou depois?

HERMILA GUEDES – No filme todos os atores passaram por uma preparação antes das filmagens. O processo foi monitorado por Fátima Toledo, a mesma que preparou o elenco de Cidade de Deus, Cidade Baixa e Pixote. Confesso que consigo me distanciar da personagem, mas ela ainda é muito presente em mim.

GIRO CULTURAL – O convite para fazer o filme surgiu de que forma? Teve algo a ver com "Cinema, Aspirinas e Urubus"?

HERMILA GUEDES – Sim, porque o Karim pensou em me convidar pra fazer os testes do seu filme depois que viu meu trabalho no “Aspirinas”.

GIRO CULTURAL – Como foi a receptividade no Festival de Veneza?

HERMILA GUEDES –
Foi maravilhosa. Pessoas me cumprimentando, tirando fotos, pedindo autógrafo... é a primeira vez que vivo isso na vida. É realmente emocionante.

GIRO CULTURAL – Apesar de abordar um tema clássico, Karim Aïnouz fala que o filme é intimista. Como você vê a atmosfera de "O Céu de Suely"? Também intimista? Algo que muitas pessoas podem se identificar?

HERMILA GUEDES –
É porque fala de uma menina que é sonhadora, romântica, que quer apenas ser feliz com seu amor e seu filho, mas que infelizmente não dá certo. E ela tem que passar por momentos difíceis pra ser livre e escolher o lugar que ela possa ser feliz de novo, como qualquer pessoa.

GIRO CULTURAL – Comente a experiência das gravações, de ficar praticamente isolada com a equipe no interior do Ceará, pra realizar as filmagens.

HERMILA GUEDES –
Normalmente isso acontece em cinema. É difícil, mas necessário pra te ajudar a se concentrar. O processo com a Fátima foi difícil, o calor, acordar cedo, gravar todos os dias, mas estava feliz com a conquista e não pensava na parte ruim.

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Hideraldo Montenegro
 

Pois é, vi o filme e a grande atuação da Hermila (que não poderia ser diferente).
Belo e importante texto.

Hideraldo Montenegro · Recife, PE 25/10/2008 13:52
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