Declarar-se.

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Desesquecer. · Garanhuns, PE
30/5/2013 · 0 · 0
 

"Quanto bonito que é ver as declarações dos casais, mesmo que seja dentro do mundo virtual, numa pracinha, ou até por carta, o que vale é a nostalgia de ouvir todos aqueles clichês, toda aquela melancolia, Na verdade se eu dissesse que não era legal, seria uma inveja branca, a mesma que eu tenho, tenho mesmo essa inveja branca... Branca, preta, vermelha, azul, eu queria vivenciar isso, eu queria certamente, ser essa melancolia, eu queria poder todo dia acordar abrir uma das minhas redes sociais, e ver bem lá na frente um "eu te amo!" por mais simples que fosse, não precisava de fetiches nem de nada mais, só de um "eu te amo!", eu iria visualizar mais de mil vezes, compartilhar... Mas se fosse uma carta que você me mandasse, eu faria toda essa questão de mudar todo dia de endereço, para que todo santo dia uma correspondência tua até mim chegasse, Se fosse uma poesia, não ligaria se sua rima fugisse do contexto, se toda a sua métrica não tivesse tão adequada ao contexto, Se fosse uma dissertação, eu não ligaria que faltassem parágrafos, virgulas, e tivesse muitas reticências, Não Ligaria o clímax do seu texto se não houvesse as belas coisas ditas, na verdade teria um efeito maior, só de saber que foram seus dedos que escreveram, ou digitaram, Quem é Mario quintana, Clarice lispector ou Caio fernando? Perto de todo Lirismo que soa suas palavras, Quem mais me descreveria em uma simples estrofe além de você, Essa tua carta, e-mail, ou um simples fragmento na rede social, tem efeito grande, é como se cada vez que eu fosse voltar a rotina de ler meus e-mails, checar minhas cartas no correios, ou ver minhas redes sociais, eu pudesse fugir da monotonia e lembrar-me de como você me ama, é legal deixar todos os outros com inveja de ter um amor, tão carinhoso quanto você é, e de olhar e pensar, "Olha, ele é meu!", se você não tiver uma folha pra escrever, empresto minha pele, minha foto, me empresto, se na hora te faltar palavras faz das minhas tuas e sussurra em meu ouvido repetidamente até que impregnadas em mim elas fiquem, Se te faltar teclar pra digitar, te compro um teclado afável, se tua caneta falhar tiro um pouco de meu sangue colo disposto a você, use-o, mas não deixes de me escrever, de me dizer e de me digitar uma estofre, um texto, um fragmento do seu texto para mim, Mas se por acaso a empáfia for o que te atrapalhes, lembra-te que cada vez que eu as ler vou me colocar de joelhos a ti, Mas caso isso não seja de teu querer, mesmo que balburdia eu fique, mas te peço, que a cada dia lembra-me do quão tu me amas, talvez ninguém inveje essa repetição toda, e talvez não soe ao mesmo tom de uma poesia, mas mudaria certamente o tom de um dia monótono. "

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