Frederico Rochaferreira - Entrevista

Arquivo próprio
Frederico Rochaferreira
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Rochaferreira · Rio de Janeiro, RJ
9/4/2017 · 0 · 0
 

Por Shirley M. Cavalcante

Frederico Rochaferreira nasceu em Teresópolis, Rio de Janeiro, em 05 de agosto/1955. Ainda muito jovem teve contato com as obras de Erich von Däniken e os clássicos gregos, que viriam a influenciar suas investigações históricas e filosóficas. Dentre seus escritos destacam-se as obras “A Ética dos Miseráveis” – amazon, 2015 - Coletânea de reflexões e exames críticos sobre as ações marginais dos homens, “A Razão Filosófica” – Multifoco, 2016 - Diálogo histórico filosófico, onde o autor nos guia através dos dilemas mais inquietantes da história e mostra o quão importante é examinar a natureza dos acontecimentos, mesmo aqueles solidamente estabelecidos pela tradição e tidos por nós como verdadeiros. No prelo, a “Arte de Pensar”, livro em que expõe a arte do pensamento filosófico e da reflexão, através de belas e sábias citações. É autor do ensaio “Por que o Brasil não tem filósofos?” que compõe a antologia portuguesa “Eclética”, obra que pretende ser referência da língua portuguesa nesse gênero, editada pelas Edições Colibri, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Frederico Rochaferreira é cronista da Blasting News-Brasil e autor da Ed. Multifoco. Recebeu o Troféu Cora Coralina de Honra ao Mérito Literário, da Academia de Letras de Goiás, Medalha Fernando Pessoa de Honra ao Mérito e Troféu Melhores do Ano/2016-Literarte, Medalha de Honra ao Mérito e Comenda Barão de Ayuruoca, do Instituto Cultural Barão de Ayuruoca e o Troféu Carlos Drumond de Andrade. É especialista em Reabilitação pelo Hospital Israelita Albert Einstein e membro da The Oxford Philosophical Society e do Institute of Philosophy.

Muito nos honra a sua participação na Revista Divulga Escritor. Gostaria que falasse do seu livro “A Razão Filosófica”, onde tratas da conduta ética, moral e intelectual, mas também aborda temas polêmicos como a questão de Deus no imaginário dos homens, o segredo do cristianismo, Maçonaria e Santo Graal. O que o motivou a realizar estudos sobre esses temas?

Frederico Rochaferreira - Há na história muitos acontecimentos que se tornaram tabus pela incompreensão. É o que chamamos ora de segredos, ora de enigmas e nesse rol de fatos e acontecimentos mal esclarecidos, por terem sido “simbolicamente” registrados, está entre outros, a incógnita de “Deus”, fixada no imaginário de quase toda a humanidade. No mesmo rastro estão; a lenda de Cristo, o enigma do Santo Graal e a maçonaria, para citar alguns. Agora, o motivo que me levou a investigar a verdade por trás das lendas, segredos e enigmas, foi resgatar a história e claro, sepultar as dúvidas existenciais, que todos nós possuímos, uns mais outros menos.

Ainda sobre temas polêmicos, o senhor escreve que “Deus foi uma criação dos homens para domesticar os próprios homens”. Gostaria que falasse um pouco sobre essa afirmação.

Frederico Rochaferreira - A presença da divindade na vida dos homens surge em época bem antiga e por necessidade. Houve um tempo em que os seres mais primitivos e selvagens impunham terror aos seus semelhantes mais civilizados, todavia, esses bárbaros por sua natureza primitiva, se não temiam seus semelhantes, temiam em muito os fenômenos naturais. Percebendo isso, os homens mais sábios viram nesse temor, o meio ideal para domesticá-los, impondo- -lhes obediência a um líder criador invisível, todo poderoso, que tudo sabe e tudo vê. Todas as leis antigas tinham o aval de uma divindade forjada pelos legisladores, que legitimava seus atos. Desse modo, Licurgo, com suas Leis, representava a vontade de Apolo, Moisés, os desejos de Jeová e Minos, cumpria os mandamentos de Zeus.

Há muitas revelações em seu livro que chamam a atenção, como por exemplo; “a traição da Igreja Cristã ao fundador de sua Doutrina”. Como o senhor chegou a essa descoberta?

Frederico Rochaferreira - A Razão Filosófica é uma obra ricamente referenciada. Durante muitos anos investiguei minuciosamente as obras de alguns dos mais importantes pensadores do mundo antigo e contemporâneo, no que tange à origem do cristianismo e seus segredos, estes se revelam, pela valiosa contribuição de nomes como Ernest Renan, Eusébio de Cesarea, Flavio Josefo, Millar Burrows, Juliano, o Apóstata, Jacek Fisiak., Annie Besan, George Frederick Brandon, Ireneu de Lyon, Rodolphe Kasser, Ben Witherington, para citar alguns. Certamente o leitor vai se surpreender ao saber que a traição de Judas, a Cristo, no romance cristão ou Novo Testamento, historicamente, oculta a traição da Igreja ao fundador de fato, de sua Doutrina.

“ A Razão Filosófica” gira em torno das reflexões, conceitos e revelações do filósofo Lancio, mais o próprio Lancio afirma em suas asserções que o Brasil não tem filósofos. O que o senhor tem a dizer?

Frederico Rochaferreira - A filosofia é antes de tudo a arte de pensar, não pensar cotidianamente ou nacionalmente, mas pensar universalmente. Para alcançar esse nível é preciso, primeiro, um acurado estudo de fatos e acontecimentos históricos, segundo, ter algum talento e sensibilidade pelas questões metafísicas e estar despido de tendências e inclinações. Se não temos educação de qualidade no Brasil, não teremos talento e se talento surgir, por não haver educação de qualidade, dificilmente irá vingar, em outras palavras, o que temos é um ciclo perverso de retroalimentação que limita a intelectualidade, deixando um vazio nas ciências práticas e teóricas, um grande vazio filosófico, que é continuamente preenchido por aqueles que se dedicam tão somente a ensinar o produto da filosofia.

Em uma frase, como o senhor definiria “A Razão Filosófica”, “A Ética dos Miseráveis” e a “Arte de Pensar”?

Frederico Rochaferreira – “A Razão Filosófica” é uma inesquecível viagem ao conhecimento. “A Ética dos Miseráveis” é a consequência trágica da ausência de valores intelectuais, éticos e morais no homem e “A Arte de Pensar”, a definição está no título.

Seus livros levam o leitor à reflexão e à pesquisa. Como o senhor vê a leitura de seus livros?

Frederico Rochaferreira - Costumo dizer que o brasileiro lê pouco e quando lê, lê muito mal. Poucos são os que passam da prosa literária, onde está inserido o conto, a novela e a poesia, porque este é o gênero que predomina no país e os meus escritos se distanciam dessa literatura de assimilação de ideias. Assim, o que busco de meus leitores é fazer com que sintam prazer em ler, mas também em pensar, refletir, investigar e conhecer.

O filósofo Lancio diz que “filósofo não faz palestra.” O senhor faz?

Frederico Rochaferreira - De fato, filósofo não faz palestras. As palavras bem postas, revestidas de sentimentos e adornos, eram próprias no mundo antigo, dos sofistas e nos dias atuais, dos palestrantes. O filósofo não é bom palestrante, o bem falar, emocionar e convencer as pessoas do certo ou do errado, da verdade ou da mentira, não é de sua natureza, esta é a arte da persuasão e do sentimento, qualidade própria dos retóricos, que não visam o discurso embasado no que é verdadeiro, mas naquilo que aparenta ser verdadeiro e pela persuasão do argumento, tanto o que é verdade como o que não é; como verdadeiro é aceito, no âmbito das incertezas. O filósofo afasta-se desta arte. Respondendo a sua pergunta, eu não faço palestras, faço diálogos, diálogos filosóficos, onde a plateia é convidada a participar com perguntas, com reflexões, com construções de ideias sobre os temas. Minha plateia é sempre protagonista dos temas discutidos, não as trato como fiéis que ouvem o seu pastor.

Que mensagem o senhor deixa para seus leitores?

Frederico Rochaferreira - Há uma sentença de Johann Fichte que gosto muito e deixo-a à reflexão: “O objetivo último da vida é compreender, todavia se pode viver e viver totalmente segundo a própria razão, sem investigar, porque se pode viver sem conhecer a vida”.

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