Contemplado recentemente com o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do IPHAN, na categoria Proteção do Patrimônio Natural e Arqueológico, o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, inaugurado em junho no Vale do Paraíba Fluminense, resgata a história da cidade homônima, demolida em 1940. Mas o simbolismo e a importância deste Parque vão muito além da preservação do meio ambiente e de seu inegável valor arqueológico. Ele marca o resgate da memória de uma cidade desaparecida no final da década de 30 para dar lugar ao progresso no então Governo Vargas.
Com vistas a trazer à tona a discussão sobre os fatores que levaram ao desaparecimento de São João Marcos, cidade fundamental no processo de desenvolvimento político, econômico e social da então capital da República, o Instituto Light, em parceria com o Instituto Cultural Cidade Viva lança o livro São João Marcos – Patrimônio e Progresso. O lançamento será dia 24 de outubro, às 20h, na livraria Cultura do Shopping Fashion Mall.
Uma das cidades mais promissoras no Ciclo do Café, São João Marcos foi, por decisão do Governo Vargas, demolida, evacuada e parcialmente alagada em 1940 para dar lugar a ampliação da barragem de Ribeirão das Lages, que seria fundamental para aumentar a produção de energia elétrica e o abastecimento de água no Rio de Janeiro e sua crescente região metropolitana. A cidade, que havia sido integralmente tombada, em 1939, pelo Serviço do Patrimônio Artístico e Natural, pela excepcionalidade de seu conjunto urbano e arquitetônico, acabou sendo destombada no ano seguinte em nome do progresso.
Organizado por MV Serra, o livro conta com textos de representantes de diferentes áreas de atuação e pontos de vista, como José Pedro de Oliveira Costa, que no primeiro capítulo traz um olhar sobre o ambiente natural da cidade, ressaltando a importância deste sítio na preservação da Mata Atlântica. ]
Nos capítulos seguintes, o historiador Alexei Bueno traz uma ampla visão histórica da cidade, enquanto o também historiador Ney Carvalho traça um perfil dos viajantes que por lá passaram, dos marcossenses ilustres às figuras ligadas à economia e aos negócios do café na cidade e na região. Mais adiante, Carvalho investiga os acontecimentos relacionados ao tombamento e destombamento da cidade e faz uma ampla apresentação da demanda e da oferta das várias formas de energia no Rio de Janeiro.
A jornalista Karina Howlett Martin examina tanto os processos políticos e administrativos que ao longo de mais de 60 anos levaram à criação do sistema hidrelétrico de Lages, como descreve a complexa lógica desse sistema – considerada uma das mais complexas e inteligentes obras de engenharia no País.
O livro termina com o texto de MV Serra, que descreve o projeto e a implantação do Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos - iniciativa da Light – através do qual, de alguma forma, é promovida uma reparação simbólica pela destruição da cidade. “Os autores possuem visões diversificadas e algumas vezes contraditórias. Ao reuni-las em uma única publicação, oferecemos ao leitor a oportunidade de formar a sua própria opinião”, diz o presidente da Light, Jerson Kelman.
Para comentar é preciso estar logado no site. Faa primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Voc conhece a Revista Overmundo? Baixe j no seu iPad ou em formato PDF -- grtis!
+conhea agora
No Overmixter voc encontra samples, vocais e remixes em licenas livres. Confira os mais votados, ou envie seu prprio remix!