O Calendário do Som de Fabiano Araújo.

Nana Sousa Dias
capa do novo disco de Fabiano.
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Carlos Bernardina · Rio de Janeiro, RJ
30/11/2009 · 4 · 0
 

Fabiano Araújo é compositor, arranjador e pianista, na busca constante por dissolver essas diferentes atribuições na criação livre de conteúdos musicais originais e particulares. Por isso, o que move seu trabalho é um sentido de integração, a busca de uma síntese onde se encontrem e se alinhem o compositor, o arranjador, o instrumentista e o artista. E mais do que isso, onde se fundam a música da partitura e a música “de ouvido”, a espontaneidade e a análise, a poesia e a arquitetura da forma.
Quando conversávamos sobre seu novo disco, os conceitos eram de tal forma elaborados, que alguns poderiam desconfiar da acessibilidade de seu trabalho. É que temos o mau hábito, por aqui, de acreditar que sensibilidade e simplicidade não podem vir acompanhadas de bons argumentos. “Se o cara fala demais, é porque não deve lá tocar essas coisas”, muitos pensam, projetando sua própria visão limitada e fragmentada às outras pessoas, à música, ao mundo como um todo. De qualquer forma, não é esse o caso de Fabiano, um artista que resolveu se aprofundar no estudo da música, fez mestrado, vai fazer doutorado... mas que não perde a vivacidade e a intuição na hora de tocar, de compor. Sua música é cheia de afeto e sentimento, ao mesmo tempo que conceitualmente elaborada, sofisticada.
Neste seu segundo trabalho, intitulado “Calendário do som - 9 dias”, Fabiano quis desafiar os limites geralmente impostos à figura do intérprete / arranjador. Para isso, elegeu a obra de Hermeto Pascoal para, a partir dela, criar um resultado que fosse particular e autêntico. Quis tirar da música do “bruxo”, tudo o que pertencesse ao universo interpretativo do compositor, para a partir daí elaborar um resultado que ocorresse em um nível de diálogo mais profundo com a obra. A participação criativa de todos os músicos envolvidos foi condição básica para que esse processo pudesse ocorrer da melhor forma. Isso não foi problema algum, já que o disco foi gravado por grandes nomes da cena instrumental européia (o disco foi gravado em Portugal). Arild Andersen (contrabaixo), Guto Lucena (sax soprano e flauta) e Alexandre Frazão (bateria) formaram, ao lado de Fabiano, o time responsável pela empreitada.
O resultado vale a pena ser ouvido por todos aqueles que prezam pela música instrumental alheia a excessos de conceitualismos e experimentações acadêmicas, mas plena de uma sensibilidade que só pode ser alcançada pela dedicação e o estudo ininterruptos. Fabiano parece ter ganhado mais um “round” em direção a tão almejada síntese entre clareza e sofisticação, afeto e inteligência, profundidade e simplicidade.

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