O diretor André Martinez não podia ter escolhido melhor personagem para sua ousada estréia no longa-metragem. Jorge Mautner e sua teoria do KAOS são os protagonistas de Os Quatro Elementos Em Si ou O Guru Selvagem que estreou recentemente em um cinema no Rio Grande do Sul. A primeira grande ousadia do filme está na escolha do suporte de captação das imagens. Martinez não se deixou intimidar pela baixa resolução das imagens de uma câmera cybershot de 8.0 megapixels, aquela inseparável companheira de balada, e percorreu três estados brasileiros para contar o homem atrás do mito e redescobrir o mito atrás do homem.
O diretor ressaltou a importância de trabalhar com um equipamento tão pequeno e um set bastante diferente da realidade das equipes tradicionais. Para ele, que já trabalhou com dança, a câmera foi quase uma extensão do corpo. “Não é apenas o meu olhar que eu tento imprimir nas imagens mas, também, toda uma corporiedadeâ€. Leia fragmentos da entrevista com o diretor para conhecer um pouco desse trabalho:
Roberto Maxwell: Que limitações você encontrou para filmar com cybershot? Por outro lado, que possibilidades se ampliaram com este suporte?
André Martinez: Eu não apontaria limitações em filmar com a câmera fotográfica digital. Pelo contrário, é um ato de liberdade, pois a lógica que eu tenho usado para a realização dos ciberfilmes (alguém se habilita a criar o conceito?) é totalmente interdependente com relação a este recurso tecnológico. A portabilidade da câmera permite grande flexibilidade e versatilidade no momento de filmar. É um processo orgânico que permite um tipo de preparação muito mais centrado no conteúdo. A forma flui naturalmente. No caso de Os Quatro Elementos Em Si ou O Guru Selvagem, eu, o Jorge (Mautner) e o (Nelson) Jacobina, conversamos muito antes de iniciar as filmagens, para encontrarmos e aprofundarmos um sentido conjunto no que querÃamos captar. Combinamos anteriormente os argumentos e as locações mas, na hora de filmar, não estávamos “presos†a um roteiro, a um storyboard, a um desenho pré-estabelecido de produção, a um orçamento. Tudo aconteceu com uma espontaneidade e uma intimidade que não seriam possÃveis num set cheio de equipes e equipamentos.
RM: Como foi gravado o som? Na própria câmera?
AM: O som direto foi captado pela própria câmera. Para a exibição em salas de cinema, houve a necessidade de uma reedição de áudio.
RM: O filme foi um projeto para a tela grande, como foi a questão da adequação da qualidade da imagem? Você fez estudos preliminares?
AM: Eu utilizo a câmera digital para fazer ciberfilmes, ou seja, no momento da concepção não há uma preocupação com a forma como o filme será exibido posteriormente. A idéia é que, sendo ciberfilme, represente uma experiência audiovisual livre e autônoma, seja no seu microcomputador, seja numa sala de cinema. O fato da definição da imagem ser baixa não interfere na beleza da fotografia nem na poesia da obra. O mais importante é que a imagem, independentemente da definição, seja acolhida pelo espectador, e esta é uma questão muito mais artÃstica do que técnica.
RM: Houve fotografia do modo tradicional, ou seja, iluminação com os mesmos recursos do cinema/vÃdeo tradicionais?
AM: Tento fotografar dentro da realidade da cybershot, buscar uma linguagem própria, efeitos que apenas seriam possÃveis com este tipo de câmera. Utilizo recursos de iluminação muito simples, mas pensados para funcionar dentro da proposta. A idéia é criar uma obra audiovisual que se aproprie da tecnologia que estiver disponÃvel, de forma poética e sem se tornar refém de padrões industriais.
RM: Qual a carreira comercial que você pensa para o filme?
AM: Isso ainda é uma incógnita. Não há limites para pensar as possibilidades do arquivo .mov (formato de vÃdeo). É uma outra lógica econômica, a ser desvendada ainda, que foge da cadeia padrão de financiamento, produção e circulação industrial de cinema. Hoje, estamos operando com uma rede de parceiros que permitirá que o filme seja exibido em salas de cinema em várias capitais brasileiras para depois ser lançado em DVD. Mas, como a coisa toda é muito nova, é difÃcil dizer como se comportará um mercado tão condicionado a formatos institucionalizados. Mais que o filme seja um sucesso comercial, espero que sirva de estÃmulo para outros realizadores independentes ousarem e buscarem novas possibilidades de produção audiovisual.
Conheça mais sobre o projeto no www.guruselvagem.com.br.
Publicado originalmente em Alternativa.
O jorge Mautner é muito loco rs..
Espero que o filme chegue logo em SP
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