ORIGEM CAPIXABA DA TROVA LITERÁRIA

Capa de Clério José Borges
Livro Lançado por Clério José Borges no dia 04/10/2007 na Serra, ES, Brasil
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Clério José Borges · Serra, ES
21/11/2007 · 54 · 0
 

ORIGEM CAPIXABA DA TROVA LITERÁRIA

Autor: Clério José Borges

O Estado do Espírito Santo ocupa uma área de 45.597 quilômetros quadrados, situando-se na região Sudeste do Brasil, limitando-se ao norte com a Bahia, a oeste com Minas Gerais, a leste com o Oceano Atlântico e ao sul com o Estado do Rio de Janeiro.
O povoamento do Espírito Santo ocorreu com Vasco Fernandes Coutinho, um Português que recebera do Rei de Portugal uma porção de terra para habitar e desenvolver, chamada Capitania.
Desde 1500, quando foi descoberto, o Brasil pertencia a Portugal. O Brasil era colônia de Portugal. Vasco Coutinho chegou à Capitania do Espírito Santo a 23 de maio de 1535, juntamente com 60 pessoas.

O primeiro povoado foi chamado de Vila do Espírito Santo, onde hoje é a cidade de Vila Velha. O nome da Vila foi dado porque no dia 23 de maio daquele ano, a Igreja Católica Apostólica Romana comemorava a Festa do Divino Espírito Santo. Depois o mesmo nome foi dado a toda Capitania. Portanto o Espírito Santo passou a ser povoado, isto é, a ser habitado pelo homem branco português, no século XVI. A região começou a desenvolver-se, contudo, no século XIX, com o início da plantação de Café, principalmente no norte do Estado.

A Capital do Estado do Espírito Santo é Vitória, fundada a 8 de setembro de 1551, no século XVI. Vitória é uma ilha e por existir nesta ilha uma importante Plantação de Milho, quem residia na Ilha era chamado de Capixaba. Hoje o termo Capixaba refere-se a todos nascidos no Estado do Espírito Santo.
No século XVI já eram encontradas várias Trovas em refrões de Cantigas religiosas nos países da Europa, principalmente Portugal e Espanha. Também no século XVI, o mesmo da colonização do Estado do Espírito Santo, Luís Vaz de Camões fazia Trovas em Portugal.
Em 1889, no dia 20 de janeiro, o jornal “A Província do Espírito Santo” publicava uma notícia de que uma senhora da Sociedade Vitoriense enviara para a redação daquele jornal, “magnífica coletânea de versos anônimos, frutos da inspiração alegre e travessa da musa popular.”
Seguem-se Trovas na primeira página daquele jornal. Em edições seguintes são transcritas mais Trovas.
O Jornal “A Província do Espírito Santo” foi fundado por Cleto Nunes Pereira e José de Mello Carvalho Muniz Freire. Circulava, isto é, era feito e colocado para apreciação dos interessados, inicialmente três vezes por semana. Em 1889 já circulava todos os dias, exceto um, destinado ao descanso dos jornalistas da Redação, ou seja, do lugar onde o jornal é escrito. Aos Domingos, a primeira página do Jornal era dedicada a Literatura, isto é, dedicada a divulgação de textos literários, com crônicas, artigos e poesias.

Crônicas, são textos literários não muito longo, geralmente relatando um acontecimento.
Artigos em Jornal significa um escrito. Um texto. Textos são palavras escritas para demonstrar alguma coisa.

O Jornal possuía o nome de Província, por que ao tempo do Império, o Brasil era dividido em províncias.

O Jornal “A Província do Espírito Santo” circulou pela primeira vez em 15 de março de 1882. Com o advento, isto é, com o surgimento da República, passou a se chamar “Diário do Espírito Santo” e depois “O Estado do Espírito Santo.”

O Jornal de 20 de Janeiro de 1889 era um jornal de Domingo. Tinha o número 1.851 e trazia na primeira página artigos literários. Na parte de cima o nome do jornal e logo abaixo: “Diário consagrado aos interesses provinciais.” Em seguida trazia: “Órgão do Partido Liberal”.

O Partido Liberal era um partido político da época.

Havia também a indicação do número de jornais que tinham sido feitos naquele dia: 1.600. O Jornal tinha 4 páginas. No lado esquerdo de quem lê, lá está o título: “Musa Popular - Cancioneiro Espírito - Santense.”
A palavra Musa significa aquilo que pode inspirar um poeta.
Cancioneiro é quem faz canções, quem faz poesias.
Espirito - Santense é o nascido no Espírito Santo.
O Jornal do dia 20, traz seis Trovas. Transcrevo as três primeiras Trovas publicadas. São apresentadas como populares, isto é oriunda do povo, não havendo indicação de quem fez as Trovas:
Os raios do céu me partam
as estrelas me façam em pó;
a luz do dia me falte
se eu não amo a ti só.

Quem quer bem às escondidas
grandes tormentos padece,
passando por ser bemzinho
fazendo que não o conhece.

Ainda depois de morta,
debaixo do frio chão,
acharás teu nome escrito
no meu terno coração.

Na primeira página, várias poesias, entre os quais uma de Raymundo Correia.

Raymundo Correia, escritor brasileiro que foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras, nascido no Estado do Maranhão em 11 de maio de 1859 e falecido na cidade de Paris, na França em 13 de setembro de 1911. Era um dos mais líricos poetas e deixou um soneto bastante divulgado até os dias de hoje, denominado “As Pombas.”
Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada...

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...
No Domingo seguinte, 27 de Janeiro de 1889, o Jornal “A Província do Espírito Santo” de número 1857, trazia na primeira página com o mesmo título: “Musa Popular - Cancioneiro Espírito - Santense”, mais de dez Trovas sem a indicação da autoria, isto é, de quem as fez. A primeira delas é a seguinte:
Você diz que eu sou sua
eu sou sua, mas não sei.
O mundo dá muitas voltas
eu não sei de quem serei.

Nova publicação só ocorre no domingo 10 de Fevereiro de 1889. O Jornal é o de número 1868 e lá estão mais 11 Trovas. A primeira delas é a seguinte:
As estrelas miudinhas
fazem o céu muito composto
nunca pude, meu benzinho
falar contigo a meu gosto.

Nos números seguintes, sempre na página literária do Domingo, localizada na capa, isto é, na primeira página do Jornal, são publicadas mais Trovas.
A tal senhora da Sociedade de Vitória, que mandara para a redação do Jornal a “magnífica coletânea de versos anônimos.” acabou não sendo identificada pelo Jornal.

Coletânea significa conjunto de textos selecionados de diversas obras de diversos autores.
Versos Anônimos são versos de autoria desconhecida. Não se sabe quem os fez.












VIII
AS PRIMEIRAS OBRAS

O primeiro coletor de Trovas Populares em terras capixabas, com registros nos anais da história, foi o primeiro Governador Republicano, Afonso Cláudio de Freitas Rosa, que publicou no Rio de Janeiro, em 1921, o livro “Trovas e Cantares Capixabas”, no qual reuniu 21 Trovas. Eis duas delas:

Mandei fazer um barquinho,
da casca do camarão,
o barco saiu pequeno,
só coube meu coração.

Você diz que mal de amor,
não mata quem está alerta;
Pois eu ouvi de um doutor,
Que amar é ter cova aberta.

Afonso Cláudio nasceu na antiga Província do Espírito Santo, Freguesia da Barra do Mangarai, do Município de Porto Cachoeiro de Santa Leopoldina, na Fazenda de Mangaraí, em 2 de agosto de 1859. Estudou nas Faculdades de Direito de Recife e depois São Paulo. Tomou posse como primeiro Governador do Estado a 20 de novembro de 1889. Publicou vários livros. Faleceu no Rio de Janeiro a 16 de Junho de 1934.
O livro “Trovas e Cantares Capixabas” teve a sua primeira edição publicada em 1923. A obra possui Trovas, ditados populares, contos, provérbios, etc. Em 1980 foi publicada uma segunda edição da obra, pelo Instituto Nacional do Folclore.

De 1923 a 1956 a Trova Literária, feita por poetas conhecidos, passa a ser bastante divulgada pela Revista “Vida Capichaba”, que publicava trabalhos de autores Espírito-Santenses, entre eles, Teixeira Leite:
Em meus amores diviso
um de mais sinceridade:
O que nasceu de um sorriso
e vive de uma saudade.

Manuel Teixeira Leite, nascido em Prado, Bahia a 6 de fevereiro de 1891. Poeta, jornalista e contista. Membro da Academia Espírito-Santense de Letras. Publicou entre outros livros: Fidelis, em 1927; Vitória, 1928 e Serenatas, 1930.

Ciro Vieira da Cunha, que nasceu em Sorocaba, São Paulo, a 1º de Junho de 1897, tendo falecido no Rio de Janeiro a 28 de Junho de 1976. Poeta, Biógrafo, Jornalista e Médico. Membro da Academia Espirito-Santense de Letras. Publicou entre outros livros: Espera Inútil, 1933; Sinfonia das Ruas de Vitória, 1943 (com Eugênio Sette); Memórias de um Médico da Roça, 1965.
Ciro também publicava suas Trovas na Revista “Vida Capixaba”:
No destino das palmeiras
mora um exemplo também
viver silenciosamente
sem fazer sombra a ninguém.

Antigamente Capixaba era escrito com “ch”. Após 1940, devido as reformas ortográficas ocorridas no Brasil, as palavras que eram escritas com “ch” ou “ph” foram modificadas. O “ch” foi substituído pelo “x” e o “ph”, pelo “f”. A Revista tinha a direção de M. Lopes Pimenta, tendo José Luís Holzmeister como Redator Chefe e F. Eugênio de Assis como Redator. A Gerência era de José Tovar Pimenta. A redação era na Av. Capixaba, 132, em Vitória. “Vida Capichaba” foi fundada em 1923.

O movimento poético então florescia e, em 1938, a Revista “Vida Capichaba” movimentou o meio literário com um Concurso de Trovas, saindo vencedor o poeta Nilo Aparecida Pinto, cultor entusiástico da Trova, com o seguinte trabalho:
O ocaso traz tantas mágoas,
que o mar, buscando esquecê-las,
espana o espelho das águas
para o baile das estrelas.

Nilo Aparecida Pinto não era Capixaba mas viveu parte da infância e juventude no Espírito Santo, tendo residido em Colatina e Vitória.

Nilo Aparecida Pinto nasceu em Caratinga, MG, a 23 de Junho de 1915, tendo falecido no Rio de Janeiro a 15 de Janeiro de 1974. Poeta, Trovador, Jornalista. Membro da Academia Mineira de Letras. Publicou entre outros livros: Meu Coração em Cantigas, 1940 ( Trovas ); Poesias Escolhidas, 1944 ; Rosa de Saron, 1952 e Sonetos, 1968.
Em 1940, Nilo Aparecida Pinto, transferiu-se para Belo Horizonte e ali publicou trovas que escrevera e divulgara em Vitória, como estas:
O bambu como muita gente
se parece, no feitio:
Por fora - é belo e imponente,
por dentro - é oco e vazio...

Sendo o violão de madeira
há de entender nossa dor,
que também foi de madeira
a cruz de Nosso Senhor.

Das dores que o tempo aguça
a mais triste eu desconfio
ser o da mãe que soluça
junto de um berço vazio.

Observando-se a história do Movimento em torno da Trova no Espírito Santo, verifica-se que cronologicamente ocorreram os seguintes eventos:
Em 20 de Janeiro de 1889 - O Jornal A Província do Espírito Santo, publica Trova Populares.
Nas edições seguintes são publicadas mais Trovas.
Em 1921, Afonso Cláudio influenciado pelos negros escravos da Fazenda do seu pai em Mangarai, Santa Leopoldina, publica “Trovas e Cantares Capixabas”, onde são reunidas 21 Trovas Populares.
De 1923 a 1956 são publicada Trovas de autores capixabas e brasileiros, em várias edições da Revista Capichaba.
A Revista passa a ser o principal órgão divulgador dos Poetas, divulgando seus trabalhos junto com notícias políticas e sociais da época. A edição de nº 671, de Janeiro de 1948, apresenta uma página inteira com o título: “Meus Irmãos os Trovadores. Antologia em organização de Luís Otávio - Lilinha Fernandes.” É divulgada a biografia de Lilinha Fernandes, com a informação de que seu nome verdadeiro é Maria das Dores Fernandes Ribeiro e que tem inédito o livro “Flores do Agreste.” Seguem-se várias Trovas. A primeira é:
Chorei na infância insofrida
para ir na roda cantar:
hoje, na roda da vida
eu canto p’ra não chorar.

Na Revista de Março de 1948, de nº 673, são divulgadas oito Trovas com os títulos: “Cantigas D’Amor” e “Cantigas D’Amigo”, de Renato J. Costa Pacheco, da Academia Capixaba dos Novos. Eis uma Trova:
Senhor meu! Não vás agora...
Beija de novo a donzela
que por ti chorou e chora
e que muito se desvela.

Renato José da Costa Pacheco, nascido em Vitória a 16 de Dezembro de 1928, membro fundador da Academia Espirito-Santense de Letras. Autor de vários livros. Em 1980 quando da fundação do Clube dos Trovadores Capixabas, CTC, era Presidente da Fundação Cultural do Espírito Santo, tendo dado todo o apoio possível e necessário ao CTC, realizando inclusive o Primeiro Concurso de Trovas com os temas: Vitória, Capixaba e Anchieta.

Em 1937, o mineiro de nascimento, “mas capixaba de coração”, José Coelho de Almeida Cousin, nascido em 1897, publica “Naufrágios”, publica versos de sua autoria feitos no período de 1920 a 1930. No livro constam seis Trovas sob o título de “Canção.”
Em 1949, Guilherme Santos Neves publica o livro “Cancioneiro Capixaba de Trovas Populares”, onde reúne mil Trovas: “Colhidas em várias fontes aqui e ali, em Terras Capixabas, visando principalmente evitar que elas extraviem e se percam como tantas bonitas tradições do nosso povo.”
Eis três Trovas coletadas por Guilherme Santos Neves mostrando o gosto dos Capixabas em manifestar suas emoções e anseios através da Trova:
No caminho de Vitória
tem subida e tem descida,
também tem um moreninho,
perdição de minha vida.

No morro de Vila Velha
trovejou mas não choveu.
De Vila Velha prá lá
o Manda-Chuva sou eu.

Quem me dera estar agora
onde está meu pensamento:
Na cidade de Vitória,
na ladeira do Convento.

Minha mãe não quer que coma
muquequinha de siri.
O meu pai não quer que eu case
com rapaz de Itaquari.

Ainda do Cancioneiro capixaba de trovas populares, por Guilherme Santos Neves, constam estas quadrinhas:
A folha da bananeira
Bota verde, cai madura
Assegura sua palavra
Que a minha está segura

A folha da bananeira
De comprida foi ao chão
Mais comprida foi a fita
Que laçou meu coração

Bananeira é mulher rica
Pelos filhos que ela tem
Corta o cacho, morre a mãe
Fica os filhos sem ninguém

E vem a lua saindo
Por detrás da bananeira
Já me dói o céu da boca
De beijar moça solteira

A folha da bananeira
De comprida amarelou
A boca do meu benzinho
De tão doce açucarou

A folha da bananeira
De tão grande foi ao chão
Quem tiver língua comprida
Faça dela um currião

Eu nunca vi bananeira
Soltar cacho na raiz
Nunca vi rapaz solteiro
Ter palavra no que diz

Lá vem o sol entrando
Por cima da bananeira
Dá lembrança à minha gente
Minha mãe seja a primeira.

O saudoso Professor Guilherme Santos Neves recolhia algumas trovas populares. Eis algumas sobre o Convento de Nossa Senhora da Penha, em Vila Velha, ES:
Fui no convento da Penha,
Visitar a Mãe querida.
Agora eu posso dizer
Que já fui ao Céu em vida!

Fui no convento da Penha,
Todos subiram, eu fiquei...
Dai-me a mão, Nossa Senhora,
Que eu também subirei...

Nossa Senhora da Penha
Tem o seu manto de alegria.
Deus lhe deu os seus soldados
Pra defender a baía.

Sobre esta última trova, salienta Guilherme Santos Neves que sua fonte de inspiração deve estar ligada "à conhecida lenda do ataque holandês a Vila Velha, repelido por misterioso exército - os soldados da Virgem - o qual, dentre as nuvens, surgiu, desbaratando os invasores".



Em 1951, Paulo Freitas publica “Poesia da Saudade”. O livro é feito na Gráfica Mimosense Ltda., da cidade do sul do Espírito Santo, Mimoso do Sul. Possui 42 páginas com 123 Trovas. Eis, respectivamente a primeira e a última delas:
Saudade - renda de espumas,
adeus dos barcos veleiros...
No Rosário das Estrelas,
a prece dos Jangadeiros...

Saudade - canção das ondas
nos lábios da noite fria,
quando as estrelas refletem
lindos olhos de Maria...

Em 1953, Paulo Freitas publica 256 Trovas de sua autoria, na obra “Rosário de Estrelas.” Em 1965 mais Trovas são divulgadas no livro “A Monja de Lisieux.”

Paulo Atayde de Freitas nasceu em Rio Novo do Sul, ES, a 28 de Janeiro de 1902. Foi Juiz de Direito e membro da Academia Espirito-Santense de Letras e do Grêmio Brasileiro de Trovadores. Sua primeira obra publicada foi Volúpia das Rosas, em 1928. Em 1966, publicou o seu 14º livro, Breviário do Trovador. Participou de várias antologias de Poesias e Trovas. Em 1980, alguns anos antes de falecer, associou-se ao Clube dos Trovadores Capixabas, CTC.

Em 1957, Solimar de Oliveira publica “Sangrando Mágoas...”, pequeno livrinho editado na Gráfica Tupy Ltda, do Rio de Janeiro, com 101 Trovas em 40 páginas. Duas Trovas:

Curvo-me ao fado perverso,
como te confesso assim:
- Sempre a buscar-te em meu verso,
sempre a fugires de mim!

E aqui deixo a última nota
destas Trovas, coração:
- Eu, no amor, só vi derrota,
engano, nada, ilusão...

Solimar Braga de Oliveira nasceu em Juiz de Fora, MG a 5 de agosto de 1913. Poeta, Trovador, Contista. Membro da Academia Cachoeirense de Letras e várias outras entidades no Brasil. Publicou vários livros sendo o primeiro, Ilha da Luz, em 1947. Em 1980 associou-se também ao Clube dos Trovadores Capixabas. Já falecido.

Também em 1957, o Jornalista Mesquita Neto publica pela Tipografia “Taneco”, da Vila Rubim, em Vitória: “Rua do Coração”. Na página 25 constam algumas Trovas. Eis duas delas:

Pediste-me de tal jeito
uns versos, uma poesia,
que vou dizer satisfeito
tudo aquilo que queria.

O teu cabelo tão louro
e essa pele cor de rosa
constituem rimas de ouro
de uma poesia formosa.

Mesquita Neto é pseudônimo de Otávio José de Mendonça que nasceu em Penedo, Alagoas, a 12 de Maio de 1901 tendo falecido no Rio de Janeiro a 13 de Março de 1975. Poeta, Cronista, Contista e Jornalista. Trabalhou durante muitos anos em São Mateus e depois Vitória - ES. Publicou vários livros, entre os quais “A Verdade Nua e Crua”, em 1968.

Em 1958, o Trovador Nordestino Filho, pseudônimo de Raymundo Estevão Pereira publica “Relicário - Quadras e Trovas”. Em 1962 publica “Tudo Azul” e em 1967, “Predestinação - Trovas e Prosa”:
Mesmo ovelha transviada,
que vive longe do aprisco,
conservo na alma, guardada,
tua imagem, São Francisco.

Outras Trovas de Nordestino Filho:
Ninguém, por certo, ninguém
estimar pode, sequer,
os abismos que contém
um coração de mulher!

Muitas vezes num soneto
não encontro idéias minhas,
mas o faço numa trova,
em apenas quatro linhas.

Sempre que afago, meu bem,
as tuas mãos delicadas,
as minhas ficam também
suavemente perfumadas...

A minha grande tristeza
nem eu sei de onde é que vem,
mas creio que, com certeza,
vem de ti - de teu desdém.

A gatinha irreprimível,
que molha um rosto qualquer,
torna-se uma arma terrível,
quando o rosto é de mulher.

Nordestino Filho, pseudônimo de Raimundo Estevão Pereira, nasceu em Viçosa, no Estado do Ceará, a 24/05/1900, filho de José Estevão Pereira e de Joaquina Maria Pereira. Transferiu sua residência para o Espírito Santo desde 1925, sendo, em Cachoeiro do Itapemirim, um dos fundadores da Academia Cachoeirense de Letras, onde ocupou a cadeira n. 10, cujo patrono é Sylvio Rangel. Autor de inúmeras plaquetas, inserindo sonetos e trovas, gêneros de sua preferência. Faleceu em Guarapari, 19/03/1982, após ter se filiado em 1980 ao Clube dos Trovadores Capixabas, CTC.

Em 1962, Alberto Isaías Ramires publica “Cantigas de um Trovador”, seguindo-se várias obras entre as quais, “Cantigas do Coração”, em 1964 e, a antologia, “Vitória, Sonho, Amor e Poesia”, em 1969.
Trovas de A. Isaías Ramires:
Vitória - Ilha do mel
que nos deslumbra e extasia.
Um pedacinho de céu
que é sonho, amor e poesia...

Saudade - um berço vazio,
uma lágrima, uma dor;
coração sentindo frio
longe da chama do amor...

A trova boa e perfeita
tem, na sua formação,
um pouco de pensamento,
um pouco de coração.

Passam dias, meses, anos...
Quem na vida, nada alcança
deve sempre aos desenganos
antepor uma esperança.

Sobre o amor já se tem dito
muita coisa de valor;
mas bem poucos, acredito
sabem mesmo o que é o amor.

Semeia por onde fores,
bondade, amor e carinho;
e transformarás em flores
as pedras do teu caminho.

Alberto Isaías Ramires, filho de João Ramires e de Francelina Evangelista Ramires, nasceu em Vila Velha, Espírito Santo, em 8 de setembro de 1924. Já falecido. Foi Sócio do Clube dos Trovadores Capixabas, CTC.

O Professor Kosciuscko Barbosa Leão, em 1973, publica “Travos em Trovas”, reunindo Trovas de sua autoria. Eis uma das Trovas:
Não sei qual mais enalteça
dos dois extremos: se o pé
ou, ainda, se a cabeça.
Essa é Ruy, o outro é Pelé.

Kosciuscko Nasceu em Santa Cruz, distrito do município de Aracruz, no Estado do Espírito Santo, a 12/09/1889. Filho de Miguel Barbosa Leão e Ana Barbosa Leão. Poeta, trovador, teatrólogo, jornalista, advogado. Faleceu em Vitória, ES, a 20 de Maio de 1979. Membro da Academia Espírito-Santense de Letras.

No Rio de Janeiro, em 1976, pela Gráfica e Editora Olímpica, Elmo Elton, publica 100 Trovas no seu livro, “Cantigas.”

São lidos, por cortesia,
teus versos de cunho novo,
mas as minhas cantiguinhas
andam na boca do povo.

Elmo Elton Santos Zamprogno, poeta, trovador

(Texto do Livro ORIGEM CAPIXABA DA TROVA, de Clério José Borges, publicado em Outubro de 2007). SERRA - ES - Brasil

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