Para quebrar o estigma de que a cultura interiorana do paÃs é atrasada, Campinas recebe a exposição itinerante Porta, Porteira e Portão – Modos de 'Falarrr' e Costumes do 'Interiorrr', no Centro de Cultura Caipira e Arte Popular, no distrito de Joaquim EgÃdio. A mostra conta com recursos do Programa de Ação Cultural (ProAC), do Governo do Estado de São Paulo, e tem o apoio do Sistema Estadual de Museus (Sisem-SP) e do Museu da Cidade. A abertura acontece à s 10h desta quinta-feira, 30, e as visitas seguem até 7 de maio, aos sábados e domingos. A entrada é gratuita.
O elemento principal da exposição é o “R†retroflexo e suas variações, que evidenciam as caracterÃsticas peculiares da identidade caipira, a partir de eixos temáticos. Objetos e painéis abordam as artes, a culinária, a religiosidade, a música, o folclore e as festas. A curadoria é do museólogo Rodrigo Santos, de São Pedro, e da historiadora Renata Gava, de Piracicaba, responsáveis pela Engenho Cultural Assessoria e Consultoria, que atua nas áreas de cultura, museu e patrimônio.
“Campinas é metrópole, mas não é capital. Mesmo com todos os problemas e qualidades de uma cidade grande, preserva o acolhimento caracterÃstico de um municÃpio do interior. A mostra busca despertar na população da cidade o sentimento nostálgico do estilo de vida caipiraâ€, define Renata Gava, ao reforçar a máxima de que o caipirês está em todas as regiões brasileiras.
Uma instalação interativa reúne monóculos pendurados em fitas coloridas, em que as pessoas podem relembrar como era a relação como o registro fotográfico. Ainda para incentivar a interatividade, uma tela em branco traz o questionamento: “quais expressões, simpatias e ditos populares você conhece?â€. O visitante é convidado a deixar a sua colaboração, escrevendo o que vem à mente. Também é possÃvel produzir fotografias e selfies na mostra, utilizando a hashtag #SouCaipira.
Potes de vidro reúnem iguarias da culinária. Há, ainda, uma coleção de versos musicais, simpatias, superstições, contos e causos, além de curiosidades sobre remédios e benzedeiras. “Trabalhamos com a simbologia a todo instante, numa leitura contemporânea de objetos que permanecem fortes na memória e que já não fazem mais parte de nossas rotinas. É algo automático: a pessoa vê e se identifica com as lembranças dos pais, avós e tios, como da própria infânciaâ€, diz Rodrigo Santos.
Ao conceberem a itinerância da mostra, Renata e Rodrigo pensaram no fortalecimento dos espaços que recebem o material. Nesse sentido, a equipe do Museu da Cidade, que administra o Centro de Cultura Caipira, se desdobrou para localizar itens do próprio acervo e incluÃ-los na exposição, já que uma das propostas do curadores é a de ampliar o diálogo com as instituições.
Tão logo soube do caráter itinerante da exposição, que esteve entre fevereiro e março em Santa Bárbara d’Oeste, Adriana Barão, do Museu da Cidade, entrou em contato com o Sisem-SP para que Campinas fosse contemplada. “Desde agosto de 2015, o Museu da Cidade tem gerenciado o Centro de Cultura Caipira e Arte Popular como uma extensão do próprio museu, mas respeitando as particularidades das ações temáticas sobre cultura caipiraâ€, explica.
Segundo Adriana, a difusão da cultura caipira reforça a identidade local, em especial no distrito de Joaquim EgÃdio, em que a população preserva hábitos no falar, no ser e no manifestar. “Um jeito denominado ‘caipira de ser’ e que abrange uma percepção de compreensão das relações sociais, com a arte (seja a musicalidade das violas caipiras, artesanato, culinária) e com o meio ambiente, de forma diferenciada da vida pautada na cultura urbana."
Muitos dos objetos rústicos selecionados pela equipe do Museu da Cidade eram utilizados na cozinha, entre eles pilão, panela de metal, chaleira de ferro, porta-ovos de arrame em forma de galinha e ralador de mandioca. Ainda como parte do acervo do Museu da Cidade, a mostra traz uma semeadeira agrÃcola em madeira e ferro, um ferro de passar a carvão e uma sanfona de oito baixos da marca Hering, datada de 1910.
SERVIÇO – Exposição "Porta, Porteira e Portão: Modos de 'Falarrr' e Costumes do 'Interiorrr'", no MuCi – Centro de Cultura Caipira e Arte Popular (rua José Ignácio, 14, Distrito de Joaquim EgÃdio, no Casarão da Subprefeitura). Entrada gratuita. Visitas de 30 de março a 7 de maio, aos sábados e domingos, das 10h à s 17h. De terça a sexta-feira é possÃvel o agendamento de grupos com monitoria, por meio do e-mail museudacidade@campinas.sp.gov.br. Informações: (19) 3705-8172.
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