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Primeiros passos da Flip de Paraty pt.1
Caio Carmacho · Parati (RJ) · 21/7/2007 12:00 · 66 votos · nenhum comentários ·  
 
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overponto
Sergio Fonseca
Lobão na mesa em que dividiu com o poeta carioca Chacal
- Interlúdico cultural pt.1 – primeiros passos da Flip de Paraty



Não queria escrever tão logo minhas impressões sobre o evento, pois suscitaria um caudal de lembranças bastante tenso e pouco digerido. Rá, e também porque muito já foi dito, redito, discutido e televisionado. Mas não posso privar os poucos e fiéis leitores dessa parada de ficarem por alto do que aconteceu (pelo menos comigo) nessa bagunça.

De início: antes mesmo de partir pra Paraty, já havia criado todo um universo de expectativas para aquilo que estava por presenciar. E acabei de última hora carregando ainda – fora as duas malas-gordura-mórbida com blusas, tocas de frio, facas, sandálias sola de pneu, etc. –, meu comparsa barbarense e lupino, Lobo. Esse figura aí era marujo de primeira viagem total. Avisei que o processo seria complicado, mas ele encarou mesmo assim. Sorte dele.

Fomos. E como Murphy é nosso grande amigo, lógico que tivemos todos os imprevistos do mundo antes mesmo de atracarmos no litoral. Chegando lá, para nossa sorte, minha ilustre casinha estava sem energia elétrica. A crise da Dow Jones abate até os mais singelos caiçaras. Ou seja, banho frio à luz de velas virou atração e um complicador de roteiro.

Tranqüilo. Descemos até a cidade para ver e sentir os movimentos. No dia de abertura tudo estava num clima bem suave, bem na paz. Caímos de cara no tonel de cachaça. Daí realmente tudo que era simpático, começou a ficar mais bonito.

Um flerte aqui, outro ali, uma Orquestra Imperial não tão empolgante, mas tudo fiel ao que se esperava. Passada a abertura oficial da Festa, empreendemos a alegria e o lúdico passo pelas ruas afins.

No dia seguinte, por intermédio de dois queridos desconhecidos Ane e Sergião, descolei um ingresso para ver de pertinho a mesa Uivos, que tinha como temática a relação ou a parecença entre música & poesia de duas figuraças carimbadas; o guru poeta-erê Chacal e o quase político grilo Lobão. Achei muito foda a oportunidade que tive de lançar a pergunta de desfecho da mesa, fora as performances da dupla.

Como tenho contato e uma admiração fudida pelo Chaca; abordei-o assim que terminou a palestra-show. Nisso já fui automaticamente convidado para o lançamento de seu livro Belvedere no bar do Lúcio. O restante do dia foi permeado por mais cachaça e mendigar com estilo um rangão na casa de camaradas da vida toda.

Mais à tardinha, eu viria a participar dum varal de poesia da Off-Flip no O Café. Me colocaram na leva dos últimos que iriam falar. Após um belo chá de cadeira e olheiras de botar terror em qualquer criança evangélica; falei alguma coisa, representei e zarpei pra casa. Uma cama era muito, mas muito bem-vinda.

- Ainda no primeiro dia de autores

Bodeamos e acordamos podres e ansiosos. Não tinha como; o cansaço era visível, mas encaramos mais uma noitada predispostos a nos surpreender com o desconhecido. Encontrei meus amigos cordas, Supercordas e geral se mandou pro sarau-lançamento do Chacal. Ficamos lá bebendo e observando as pessoas numa mesma sintonia. Coimailinda de se ver!

Depois disso não lembro muita coisa além de ficar perambulando sem destino no centro-histórico. Fecha em close e corta pra próxima cena.

Na sexta-feira, acordamos tarde pra burro e como não ia rolar um pulinho em Trindade, fui apresentar o Forte pro Lobón (o Sancho que me acompanhou nessa história, não o cantor). Uns papos fluídos e meio grogues com aquela vista maravilhosa.

Infelizmente por causa do horário, perdi o esquema do meu caríssimo Flavinho de Araújo, poeta caiçara raiz. Mas ele perdoou [espero].

Chegando em casa, minha mãe anuncia que acabara de alugar o nosso cafofo cheiroso para uns casais de passagem. Pronto. A partir desse ponto, triamos todas as nossas malas e pertences para o sobrado tombado e zoneado de minha família. Detalhe: no sobrado havia luz, no entanto, o chuveiro também estava queimado. Adoro, adoro...

Foi unânime: nada de banho até que um chuveiro quente se apresente! Sabem aquela peça do Plínio Marcos, ‘Dois perdidos numa noite suja’? Se inverter a ordem dos fatores, terá mais ou menos o que éramos – dois sujos numa noite perdida, ou algo que o valha.

E tu acha mesmo que ligamos? Nem fudendo. Mulherada esquisitintelectual gosta mesmo é de suor, do sujinho-bonitinho, de homem cheirando a cavalo (risos). Virilidade isso (risos).

Sacanagem... Mas verdade seja dita, foi mais um entreato inesperado.




CONTINUA...

tags: Parati RJ literatura flip paraty poesia festival festa cachaca chacal belvedere lobao



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