Rondônia em cartaz

Cineamazonia.com / Zeca Ribeiro
1
Adriel Diniz · Porto Velho, RO
4/7/2006 · 68 · 0
 

São três salas de cinema. Um festival de curtas e um festival de filmes de um minuto. Sem graça? Eu não acho. O cinema em Rondônia ainda precisa de mais luz, tudo bem. Mas aqui, os produtores já dão passos bem largos rumo ao crescimento da sétima arte no Estado. Um desses passos foi dado no início da década de 1990, quando o governo estadual criou a TV Educativa Madeira-Mamoré, uma espécie de oficina permanente para novos e veteranos produtores de áudio visual. Jurandir Costa foi um dos alunos da TV Educativa. “Aquele foi meu primeiro contato com cinemaâ€, conta o cineasta e produtor cultural. Foi ele que, junto com Paulo Arruda, Fernanda Kopanakis e Carlos Levi, jogaram luz na exuberância amazônica, criando em 2003 a Mostra Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, o Cineamazônia. Um festival de curtas metragens cuja temática é a sempre ligada à preservação e ao respeito à floresta e às pessoas que vivem aqui, na Amazônia.
Um dos filmes que fizeram sucesso no Cineamazônia foi uma produção quase 100 por cento rondoniense. O conto do madeirista Alberto Lins Caldas, extraído do livro Babel, foi adaptado por Beto Bertagna e transformado no curta homônimo, O Número, em 2004. A produção foi rodada em Rondônia. O filme foi estrelado por Othon Bastos, que voltou a Porto Velho para o lançamento durante o festival daquele ano.
Falta conexão nesse roteiro? Deixa que eu explico.
Cena 1 – Um Estado novo, cuja a cultura ainda tenta encontrar sua identidade diante de tanta mistura, de gente de tanto lugar. Não tem dinheiro para financiar a cultura, a produção, ainda assim, não pára, mas precisa de incentivo.
Cena 2 – Alguns amantes e produtores de cinema resolvem que além de fazer filmes, têm que criar público, levar cidadania e educação através da arte para os bairros periféricos da cidade, levantar a bandeira da preservação da Amazônia e fomentar a produção local.
Cena 3 – Deu certo.
E não foi só por causa do filme do Beto. O Cineamazônia hoje é tão grande que não cabe mais numa só sala, nunca quis caber. Quem não pode chegar às salas de cinema do centro, não perde nada. A mostra também é itinerante. Um projetor, uma lona e cadeiras percorrem os bairros periféricos de Porto Velho enquanto rola o festival. “Não adianta nada restringir a mostra a cem pessoas, nós temos que incluir, que agregar, somar, crescerâ€, fala Jurandir com empolgação, sobre a proposta social da mostra.
Além das produções de outros Estados, filmes de Rondônia são cada vez melhores e mais prestigiados pelo público, como o documentário Inventário do Tempo, vencedor da mostra em 2004. A produção mostrou um pouco da história de Rondônia e foi idealizada e realizada por jovens cineastas. “Nós fizemos o filme para participar do Cineazôniaâ€, revela Cássia Silva, uma das produtoras do Inventário.
Esse poder de fazer as pessoas criarem também é um dos objetivos do 1 Festival Rondônia, o festival de cinema do minuto, criado pela Ong Movimento da Juventude Alternativa (MJA). Rodrigo Tasso trouxe a idéia de Manaus, onde o movimento também é forte. Um minuto para contar uma história, para fazer rir ou chorar. “Qualquer um pode fazer, essa é beleza do filme de um minutoâ€, comemora Rodrigo.
Em 2005, o MJA percorreu vários municípios do interior fazendo oficinas de roteiro e direção com alunos da rede estadual de ensino. O resultado foi visto na tela do festival, mas bem rapidamente, num minuto. No primeiro festival, realizado em 2003, a grande maioria dos filmes era amazonense. Pouco tempo depois, a cena mudou, e as produções de Rondônia ocuparam o lugar de direito. O negócio nesse jeito de fazer filme é rápido mesmo.
E o Pistolino? Pois é, ele foi a estrela do Cineamazônia em 2005. Ganhou quatro prêmios e há quem brinque dizendo que ele até ofuscou Marcos Palmeira, que veio a Porto Velho prestigiar o evento e participar das discussões. Essa, aliás, é outra característica da mostra: a abertura para discussões, pois além de ver os filmes, o público participa dos debates provocados pela organização.

compartilhe

comentários feed

+ comentar

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados