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Um dia, eu entendi a música
Rafael Urban · Curitiba (PR) · 25/5/2007 18:49 · 124 votos · 1 comentários ·  
 
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overponto
Rafael Urban
O maestro Luiz Claudio Ramos, no início de abril, quando veio a Curitiba
Foi numa noite de 1986 que o maestro de Chico Buarque, Luiz Claudio Ramos, entendeu a música*

“Ô chefia”, diz o músico Luiz Claudio Ramos. “Ô maestro”, responde Chico Buarque. Eles são parceiros desde 1975, quando trabalharam no espetáculo Chico Buarque e Maria Bethânia. Luiz Claudio é auto-didata, aprendeu quebrando a cara: “É se jogar no meio dos leões e lutar com eles”. Escreve arranjos desde muito cedo “com o talento, no peito e na raça; na sensibilidade, no ouvido: ia lá no piano, procurava, mas sem consciência nenhuma”. Com a mudança de sua família para Copacabana, o piano foi para a sala de estar, e ele, para o quarto, onde estudou violão. Aos 14, diz que já levava a música a sério. Logo depois de completar 16, Luiz Claudio Ramos já tocava com Wilson Simonal.

Mas foi numa noite de 1986 que o maestro Luiz Claudio Ramos entendeu a música. “Eu tive um estalo, uma forma de ver. É engraçado dizer isso, mas, um dia, eu entendi como funcionava a música”. A partir do estalo, elaborou uma metodologia para escrever, compor, harmonizar e improvisar. “É muito simples; eu descobri que, no final, eram quatro as escalas, os universos musicais, que se desdobravam em outras”, afirma. Todas as músicas que fez, desde a descoberta, passaram a usar esse sistema. E foi aí que se considerou músico; até então, tinha medo de estar no meio dos cobrões, achando que não sabia direito o que estava fazendo.

Com Chico Buarque a palavra certa é afinidade

Já dividiu o palco com Johnny Alf, Elis Regina e, por um longo período, com o Quarteto em Cy. Da parceria com Chico, conta que foi uma afinidade desde o primeiro momento. Com o trabalho por Carioca, o último CD do músico, entrou, na opinião da crítica Maria Luíza Kfouri, para o hall dos grandes arranjadores brasileiros. Comentário esse que ele recebe modestamente, dizendo que não considera estar no mesmo patamar de seus heróis Pixinguinha, Radamés [Gnattali], Chiquinho de Moraes. Junto da banda com que tem uma relação “fraterna”, com nomes de peso como Wilson das Neves e Chico Batera, está viajando pelo país.

O show Carioca, mesmo nome do CD, lotou as três sessões que realizou no Teatro Guaíra no início de abril. Somado ao sucesso, o trabalho com Chico tem três qualidades diferenciais: “Fazemos uma música que gostamos, temos uma relação boa e ganhamos bem. É muito difícil você conjugar esses três predicados num mesmo trabalho”. Ele reconhece em Chico uma pessoa generosa, numa contínua busca de não parecer ser a estrela que ele é.

“Ele grava com todo mundo; artistas consagrados, artistas iniciantes. Se você pedir para ele participar num disco seu, ele é capaz de participar”. Mesmo? “Se você jogar umas três peladas com ele [futebol, passatempo favorito do músico], acho que já é 90% de chances de ele participar do seu disco”, completa o maestro que abandonou o segundo ano do curso de Medicina para aprender a teoria da música na prática.

* Matéria originalmente publicada no Jornal do Estado do dia 09/04/2007.

tags: Curitiba PR musica maestro luiz-claudio-ramos chico-buarque carioca curitiba teatro-guaira banda show


 
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Legal ele citar o Chiquinho de Moraes como ídolo; ainda há muito preconceito contra o Roberto Carlos (a faceta musical, pelo menos, já que as manias dele realmente desafiam a paciência dos fãs de seu talento).
Marcelo V. · São Paulo (SP) · 25/5/2007 23:17 
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