José Carlos Brandão Bauru, SP

José Carlos Brandão

sobre o colaborador

O EMPAREDADO


Eu sempre calado
entre estranhos dobres.
Eis-me limitado
por estanho e cobre.
Eis-me emparedado
no meu quarto pobre.
Ainda mais me calo,
por mais que me dobres.
Sempre o mesmo avaro,
por mais que me cobres.

Parco de palavras
e outros marcos úteis.
Nessas minhas lavras,
sempre mais inúteis.
Memórias escravas,
minhas cobras fúteis.
Meus anjos de lavas,
trevas, barros súteis.
Eis-me em lande escassa:
longe, as formas dúcteis.

Esse o meu destino.
Moldar a estrutura
de encruados mitos.
Na pedra mais dura
forjar um estilo
de vaga ventura.
Nesta arte prossigo,
hera de ternura.
Neste brando rito,
palavra mais pura.

Do quarto as paredes
a pele do corpo.
Isolam as sedes
deste vário horto,
lançadas as redes
onde tudo é morto.
Onde eram as lendas
é um olho torto.
Por que se desvendem
as vozes do orco.

E o que era talvez
um menino antigo
finda-se de vez.
Desse mito findo
o muro de pez
e íntimo granito.
Dessa viuvez
no verbo falido.

– Um poema não lês,
não se lê o olvido.


Penso que este já velho poema (in O Emparedado, Companhia Editora Americana, Rio, 1975), ainda me define.

José Carlos Mendes Brandão

colaborações recentes

Luzia overblog
22/9/2018 23:32 · 0


O crânio sobreviveu a Luzia por milhares de anos,
não sobreviveu ao fogo.
Não existiam museus, não existiam políticos,
o homem poderia ser violento no tempo de Luzia,
mas era inocente.
Aquele ainda era um tempo de inocência.
Pobre este tempo nosso
em que não existe um resquício de inocência
fora aquela das menininhas
e das estrelas alfa.
No tempo de Luzia o homem... +

O ALEIJADINHO banco
14/3/2014 23:58 · 0

Deixei os pedaços da minha carne nas ladeiras de Ouro Preto.
Entre as pedras do calvário das ladeiras de Ouro Preto
Deixei os pedaços da minha carne e dos meus ossos.
Mutilado pelo divino, esculpo a forma do divino.

O meu coração é de pedra e rói como o ódio.
Eu trabalho o corpo de Deus, eu, o sem-corpo.
A pedra me obedece com uma fé cega.
Deixei um pedaço do meu nariz... +

REFLEXO banco
10/3/2014 18:12 · 2

POEMA +

Desaparecimento de Amarildo sem Porto banco
25/9/2013 17:36 · 1

Paráfrase de “Desaparecimento de Luísa Porto”, editado pela 1ª vez em “Poesia até agora”, de 1948.

+

UM BODE CHUPANDO MANGA banco
18/11/2012 15:14 · 0

Pode ainda existir poesia popular? Este poema é um ensaio de poesia popular, com algum humor de contrapeso. +
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